Agosto de 1995
O caos: o que é? Como afeta nossa vida? Como resistir à sua ação?
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Internacional

O caos: o que é? Como afeta nossa vida?
Como resistir à sua ação?

O caos e a desordem tornaram-se onipresentes na sociedade atual. Ou nos “vacinamos” contra eles, ou seremos engolfados em sua voragem

G.Guimarães

Será o caos inteiramente espontâneo, como tantas vezes se diz? Vejamos...

Chama a atenção a existência na desordem contemporânea de uma "lógica" implacável: ela contribui para ir demolindo o mundo civilizado até seus fundamentos.

Daí ser natural colocar-se a pergunta: não haverá, na ocorrência do caos, algo de intencional? Limitamo-nos a apontá-lo como um dos piores, mais traiçoeiros e mais atuantes inimigos da civilização cristã. Ter uma noção clara do caos que nos rodeia, conhecer suas táticas e saber como combatê-lo é uma questão de sobrevivência para todos nós.

O problema na própria pele

A palavra caos provém do grego, e descreve uma situação, idéia ou qualquer circunstância na qual há grande confusão ou desordem (l). O termo também está associado à idéia de "escuridão" e até às "trevas do Inferno" (2).

Infelizmente, estamos completamente imersos no caos social, político, moral e até religioso. Para muitos de nós isso é uma constatação experimental, ou seja, um fenômeno que se sente na própria pele, na vida cotidiana.

Aberração inimaginável

Não faltam manifestações cada vez mais trágicas e lamentáveis de profunda desordem na sociedade civil. É notória, por exemplo, a investida de grupos homossexuais em todo o mundo. A realização em junho passado, no Rio, de Congresso Internacional de Homossexuais e Lésbicas foi mais um passo nessa direção.

A arrogância desses movimentos vai tão longe, que muitos têm como meta declarada impor a toda a sociedade seus costumes contrários à natureza e à Lei de Deus!

Michael Swift, líder homossexual norte-americano, lançou uma "agenda homossexual" com as seguintes metas:

* Abolição do casamento heterossexual;

* Isolamento daqueles que se opõem a eles;

* Extinção da unidade da família; * Colocação de crianças aos cuidados de homossexuais;

* Fechar todas as igrejas que os condenam.

E ousa afirmar que essa "agenda" tem por finalidade a implantação de uma "ordem homoerótica" (3).

Swift já tinha lançado uma gravíssima ameaça aos pais de família: "Sodomizaremos seus filhos. Nós os seduziremos nas escolas, dormitórios, clubes de esportes, seminários, grupos de jovens, nos banheiros de cinemas, nas câmaras municipais ou de deputados ou senadores, enfim em qualquer lugar onde homens estiverem juntos. Todos virão ansiosos e acabarão nos adorando" (4).

Crises súbitas

No plano da política e da economia internacional, a inesperada crise no México ilustra como é frágil e precário o equilíbrio nesse campo. O México vinha sendo apresentado como um país modelo para o Brasil e para o resto da América Latina. De repente, tudo começou a desabar. E, pior ainda, a crise mexicana afetou - e continua afetando - a estabilidade de nações latino-americanas como o Brasil, a Argentina etc. Nada garante que novas crises não possam retomar.

De outro lado, a quebra não menos inesperada do tradicional Banco Barings, de Londres, símbolo da estabilidade e da seriedade financeira ­onde a própria Rainha Elizabeth 11 mantinha depositada boa parte de seus bens - é outro fato ilustrativo da confusão contemporânea. É mais um triste exemplo de como vão caindo os padrões de estabilidade no campo da economia mundial.

"Nova desordem internacional”

Os casos anteriormente citados não são os únicos em matéria de desordem e instabilidade internacional. Basta ver os inesperados conflitos bélicos que vão ocorrendo na face da Terra, como a recente guerra entre o Peru e o Equador, para compreender por que os especialistas estão falando de "nova desordem internacional" (5), e da "artrite estratégica" que toma conta dos principais governos mundiais (6).

Apologia da loucura

Nesse processo de desagregação social e mental, há vozes que chegam a defender como a única saída para a crise contemporânea a imersão na própria loucura. Ora, a insanidade mental significa a perda do que o ser humano possui de mais nobre - a inteligência: farol que ilumina e orienta a vontade e a sensibilidade.

Ao invés de solução, a demência poderia ser comparada a um abismo, atraído por outro abismo - o caos.

O pior é que aqueles que defendem esses verdadeiros disparates são professores de importantes universidades, como é o caso de Norman Brown, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, intelectual de muito prestígio em círculos de esquerda do mundo inteiro: "Resistir à loucura pode ser o meio mais aloucado de se ser doido". E acrescenta: "Abra os olhos e veja em torno que a loucura está de alguma maneira numa posição de controle" (7).

Palavra de moda

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP, há muitos anos vem mostrando em artigos e conferências públicas que nada de bom para a civilização cristã pode surgir dos "dedos trêmulos, sujos e poluídos do caos".

"Há não muito tempo, quem dissesse que o mundo vai imergindo no caos seria ouvido com displicência: como dar crédito a tal previsão, à vista da prosperidade e da boa ordem que pareciam reinar no Ocidente?" - pergunta o pensador católico. E adverte que a palavra caos, "ainda há pouco um espantalho de tanta gente tida por sensata, passou a ser uma palavra de moda nos círculos intelectuais de vanguarda, que se gabam de pós-modernos" (8).

Fanáticos do caos

Sim, o caos está na moda, e há inclusive seus fanáticos, aqueles que acham que a partir de uma gigantesca desordem virão soluções salvadoras para a humanidade. Após os reveses sofridos pelo comunismo internacional, setores da esquerda passaram a ver no caos um fator capaz de gerar uma nova ordem revolucionária. O teólogo da libertação e frade apóstata Leonardo Boff manifestou sua convicção de que "o caos é o patamar da nova ordem", à qual se chegará “estimulando elementos positivos da desordem" (9).

Nos Estados Unidos existem numerosos centros universitários que estudam os efeitos supostamente "benéficos" do caos enquanto instrumento de transformações sociais. Tais centros editam publicações e realizam congressos a respeito do tema (10).

Lógica implacável

Na superfície da discordem social que domina a sociedade civil, não se discernem elementos de lógica e coerência. Mas nas suas profundezas pode-se notar uma constante que funciona, esta sim, com uma lógica implacável: tudo, absolutamente tudo no caos favorece o desmantelamento da civilização cristã. Então, tem cabimento a pergunta que fazíamos no começo: será esse caos inteiramente espontâneo?

Confiança em Nossa Senhora

Empreendemos juntos uma incursão através do mundo do caos, apalpando os horrores cada vez maiores que brotam dele e que ameaçam asfixiar os últimos restos da civilização cristã. Se o leitor teve um choque psicológico em relação à desordem contemporânea, que o ajudou a tomar uma salutar distância e repulsa em relação a esse caos, teremos alcançado a nossa finalidade.

Peçamos a Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas, força, ânimo e resolução para enfrentarmos os obstáculos deste árduo caminho.

_________________________

Notas:

I - Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 2a. ed., 1994, Editora Nova Fronteira.

2 - A. Bailly, Dicticionnaire Grec Français, Hachette, Paris, 1950.

3 - "Social Justice Review", vol. 85, St.Louis.USA,2-94.

4 - "The Gay Community News", Estados Uni­dos, 15-2-87.

5 - "The New York Times Book Review", Nova York,9-1O-94.

6 - Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, "Pesquisa Estratégica 1993-1994", Londres, 1994.

7 - Norman O. Brown, Apocalypse, University of Califomia Press, Berkeley, 1991.

8 - Os dedos do caos e os dedos de Deus, Catolicismo, Julho-92.

9 - Entrevista a L. Boff, EI caos es Ia base dei nuevo ordem, "Qué Pasa", Santiago de Chile, 13-7-93.

10 - "The Fourth Annual Chaos Network Conference", promovido pela Regis University School de Denver, Estados Unidos, em 28-9-94, organizado por "People Technologies" (que edita a publicação "The Chaos Network").

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