Março de 2000
Quais eram os doze apóstolos? Como foram suas vidas? Que apóstolo substituiu Judas?
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A Palavra do Sacerdote

Perguntas
–– Senhor Cônego: Peço-lhe o obséquio de dizer algo sobre os 12 Apóstolos – seus nomes, algo de sua vida e morte, e sobre qual foi o Apóstolo que substituiu o traidor Judas. Foi São Paulo? Muito obrigado.

Respostas –– Vejamos primeiro o que diz o Evangelho sobre eles: “Os nomes dos dozes Apóstolos são: o primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou” (Mt 10, 2-3).

Visto isto, algumas palavras sobre cada um deles:

Santo André – Natural de Betsaida, na Galiléia, era irmão de São Pedro e, como ele, também pescador; era discípulo de São João Batista e encontrou-se com Jesus no dia de Seu batismo às margens do Jordão. Foi o primeiro a receber o chamado divino, e em seguida trouxe Pedro. Depois da morte de Jesus, segundo a Tradição, pregou o Evangelho na Cíntia e Grécia, e outra tradição mostra também sua presença na opulenta metrópole de Bizâncio (atual Constantinopla). Como e onde morreu é incerto, mas uma antiga tradição  assegura que foi crucificado em Patras, na Grécia. É Padroeiro da Rússia e da Escócia. Festa: 30 de novembro.

São Pedro – É o mais em evidência dos Apóstolos e constituído Príncipe dos demais pelo próprio Filho de Deus, liderando-os e governando-os  após a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Céu. Propôs a escolha do sucessor de Judas, e foi o primeiro a pregar aos gentios. Encarcerado por Herodes Agripa em Jerusalém no ano 43, foi liberto por um Anjo (Atos 12, 6 e ss). Foi depois  para Roma, da qual foi o primeiro Bispo e, como Vigário de Cristo, Soberano Pastor de toda a Igreja,  sendo crucificado – de cabeça para baixo como pediu –  sob Nero, na colina do Vaticano, cerca do ano 64. Festa: 29 de junho. 

São Tiago Maior – Filho de Zebedeu e irmão de São João Evangelista, era da Galiléia. Teve a glória de ser o primeiro Apóstolo a receber a coroa do martírio, em Jerusalém, sob Herodes Agripa I. Antiga tradição afirma que, antes disso,  São Tiago pregou na Espanha, e que seu corpo, após o martírio, foi transportado para Santiago de Compostela, que se tornou um dos maiores centros de peregrinação da Idade Média. Festa: 25 de julho.

São João Evangelista – O Discípulo Amado que teve o privilégio de, na Última Ceia,  repousar sua cabeça no sagrado peito do Salvador, foi o mais novo dos Apóstolos. Por não se ter casado, é conhecido como o Apóstolo virgem. Esteve presente nos principais atos da vida pública de Nosso Senhor e recebeu Nossa Senhora como Mãe, aos pés da Cruz, de quem se tornou o guardião até a Assunção de Maria Santíssima ao Céu. Depois da morte de Jesus, acompanhou São Pedro a Samaria e participou do I Concílio de Jerusalém, em 49. De acordo com a Tradição, ele foi a Roma, onde, sob o Imperador Domiciano, foi condenado ao martírio, saindo milagrosamente ileso de uma caldeira cheia de óleo fervente. Foi então exilado para a ilha de Patmos, onde escreveu o Apocalipse, último Livro do Novo Testamento. Retornou a Éfeso em 96 e escreveu seu Evangelho e três epístolas, morrendo em idade avançada. Foi o único dos Apóstolos que sobreviveu ao martírio. Por sua sabedoria e seus Escritos é também cognominado Águia divina, Teólogo Sagrado e Doutor da Caridade.  Festa: 27 de dezembro.

São Felipe – Também originário de Betsaida, na Galiléia, foi, provavelmente, antes discípulo de São João Batista. Depois da morte de Nosso Senhor, segundo a Tradição, pregou o Evangelho na Grécia, morrendo crucificado de cabeça para baixo em Hierápolis, sob o Imperador Domiciano. Festa: 3 de maio.

São Bartolomeu – Segundo muitos exegetas, seria o mesmo Natanael, apresentado a Jesus por Felipe, e que mereceu do divino Mestre o estupendo elogio: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo” (Jo 1, 47). De acordo com o Martirológio Romano, ele pregou na Índia e na Grande Armênia, onde foi decapitado pelo rei Astyages. Teria também pregado na Mesopotâmia, Pérsia e Egito. Festa: 24 de agosto.

São Tomé – Também cognominado Dídimo, é mais conhecido por ter sido o Apóstolo da dúvida, seguida de esplêndido ato de fé. Segundo a Tradição, São Tomé pregou o Evangelho na Parthia e na Índia, onde recebeu a coroa do martírio. Festa: 3 de julho.

São Mateus – É também chamado Levi, ou o publicano, porque era coletor de impostos. Foi autor do primeiro Evangelho, escrito provavelmente entre 42 e 48, visando provar peremptoriamente que Jesus Cristo era o Messias prometido no Antigo Testamento e que nEle se cumpriram todas as Profecias. De acordo com a Tradição, São Mateus pregou na Judéia e depois foi para o Oriente tendo sofrido o martírio na Etiópia, segundo o Martirológio Romano; ou na Pérsia, segundo outra tradição. Festa: 21 de setembro.

São Tiago Menor – No Evangelho é chamado – com José, Simão e Judas Tadeu – irmão de Jesus, isto é, primo-irmão. Segundo a Tradição, foi o primeiro Bispo de Jerusalém e escreveu uma Epístola. Sua Carta, que consta do Novo Testamento, não é aceita pelos hereges protestantes – Lutero a denominava epístola de palha – pois nela o santo Apóstolo, seguindo o ensinamento de Cristo, afirma a necessidade das boas obras. Pergunta ele: “Porventura poderá  salvá-lo tal fé?” e continua: “Porque assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago, II, 14, 26).   Foi atirado do alto do pináculo do Templo pelos fariseus, e apedrejado até a morte. Festa: 3 de maio.

São Judas Tadeu – Provavelmente irmão de Tiago Menor, de acordo com a Tradição pregou na Mesopotâmia e teria sido martirizado com São Simão, na Pérsia. É autor de uma Epístola, inserida no Novo Testamento, em que vitupera energicamente a soberba e a luxúria, bem como os “falsos profetas”. Não há abundância de dados a respeito da vida desse Santo Apóstolo, não obstante, por seu poder de intercessão, seja objeto de extraordinária devoção popular. Festa: 28 de outubro.

São Simão – De acordo com a Tradição, era também conhecido como o cananeu (pelo que alguns o identificam com o esposo das Bodas de Caná), ou zeloso, para o distinguir de São Pedro e de Simão (não Apóstolo), irmão de Tiago, que sucedeu a este como Bispo de Jerusalém. São veneráveis hipóteses, como também o é ter ido ele  para a Pérsia com São Judas Tadeu, e lá sido martirizado. Por isso, as festas dos dois Apóstolos é comemorada no mesmo dia, a 28 de outubro.

Aqui estão os 11 Apóstolos. Para ocupar o lugar de Judas, o traidor, sob a direção de Pedro, foi escolhido São Matias, conforme narram os Atos dos Apóstolos, (At 1, 15 a 26). Com isso ficou completo o Colégio Apostólico.

Entretanto, há um décimo-terceiro Apóstolo, que não faz parte do conjunto dos 12, mas que é o Apóstolo por excelência: São Paulo.

Nascido em Tarso, atual Síria, estudou com Gamaliel e foi zeloso fariseu. Tinha por profissão confeccionar tendas. Pactuou com o apedrejamento de Santo Estêvão, o Proto-mártir,  e converteu-se depois a caminho de Damasco. Passou três anos na Arábia, onde foi instruído pelo próprio Cristo. Realmente, afirma ele aos Gálatas: “Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim, não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo” (Gal 1,11-12).

São Paulo foi essencialmente o Apóstolo dos Gentios. Pregando-lhes JESUS CRISTO, fez três épicas viagens apostólicas, fundando igrejas (espécie de dioceses), algumas das quais atendeu com paternal solicitude, dirigindo-lhes suas famosas epístolas. Percorreu todo o Império Romano.

Descida do Espírito Santo sobre Maria Santíssima e os Apóstolos
Aprisionado pelos romanos em Jerusalém e enviado a Cesaréia, permaneceu preso por dois anos, sendo então mandado a Roma para ser julgado – por exigência sua –, como cidadão romano que era. Segundo a Tradição, depois de liberto foi à Espanha e França, e na sua volta visitou as cristandades de Éfeso, Macedônia e Grécia. Foi então preso novamente e encaminhado a Roma, onde foi decapitado na Via Ostiense, no mesmo dia em que o Apóstolo Pedro era crucificado na colina do Vaticano.

Pela profundeza e vastidão de sua doutrina teológica e pela abundância de ensinamentos morais, suas Epístolas constituem um dos mais profundos e valiosos tesouros da doutrina católica.

Ensina a Igreja que, abaixo da Maternidade Divina de Nossa Senhora, não há maior dignidade que a prerrogativa de  APÓSTOLO de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Rainha dos Apóstolos – rogai por nós”!

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