Caro leitor, Por ocasião da célebre conferência de Yalta (1945) — tristemente célebre, pois importantes interesses da causa católica foram prejudicados em benefício do comunismo internacional ––, Churchill, imaginando o grande desgosto que teria Pio XII quando tomasse conhecimento das ímpias resoluções daquela conferência, perguntou a Stalin: “O que achará o Papa de tudo isso?”. O sinistro ditador soviético, menosprezando o poder da Igreja católica, respondeu ironicamente: “O Papa? Quantas divisões tem o Papa?”. Divisões..., realmente o Papa não as tinha. Dispunha apenas de algumas centenas de guardas-pontifícios. Incapazes, portanto, de impedir que divisões de blindados russos arrasassem a Cidade do Vaticano naquela época. Mas a grande força da Santa Igreja não provém do mero poder militar. Sua força é sobrenatural, seu poder encontra-se n´Aquele que a instituiu. Ele, o Todo-Poderoso, o Criador do Céu e da Terra, é quem sustenta e ilumina a Igreja. Entretanto, apesar de não ter um exército em grande estilo, seria legítimo que o chefe da Igreja, como qualquer chefe de Estado soberano, pudesse constituir suas próprias forças regulares. Tanto para a segurança da pessoa do Papa e dos Estados da Igreja quanto para incremento do esplendor que é apropriado à Corte Pontifícia. Tese, aliás, que muito desagrada à ala progressista da Igreja, como os adeptos da Teologia da Libertação, pois estes defendem uma igreja miserabilista, pobre, despojada de qualquer esplendor. Das quatro forças regulares de que dispunha a Santa Sé, a única ainda hoje existente é a Guarda Suíça Pontifícia — o menor exército do mundo. Neste ano ela completou 500 anos de serviço ao Papado. Fundada em 1506, a Guarda Suíça passou por vales e montes, por tragédias e glórias, por dispersões e reconstituições, dando inúmeros testemunhos de heróica fidelidade à Santa Igreja. Em razão disso, ocorreram na Itália e na Suíça diversas celebrações ao longo do presente ano. Em homenagem a esses cinco séculos de heroísmo, dedicação e fidelidade da Guarda Suíça, Catolicismo escolheu este tema para figurar como matéria de capa desta edição. Oferecemos a nossos leitores um artigo que não se limita apenas à narração dos acontecimentos, mas procura mostrar a conjuntura histórica na qual os guardas-suíços lutaram em defesa dos sucessores de São Pedro e dos territórios pontifícios. Uma grande lição decorre dessa épica e multissecular história: a santidade e imortalidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo. Nos cinco últimos séculos, tempestades violentíssimas ameaçaram causar o naufrágio da barca de Pedro; a Igreja passou por inúmeros infortúnios, e atualmente atravessa um dos mais dolorosos deles, devido sobretudo ao processo de autodemolição apontado por Paulo VI. Entretanto, o Senhor Deus Onipotente jamais abandona sua Igreja. Ela, portanto, triunfará sempre. Outra grande lição para nós: mesmo quando tudo parecer perdido, tenhamos confiança e a certeza no triunfo final da causa católica. Desejo a todos uma boa leitura. Em Jesus e Maria, Paulo Corrêa de Brito Filho Diretor paulobrito@catolicismo.com.br
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