Inferno comunista na Coréia do Norte À sombra protetora da China, sobrevive uma das mais radicais aplicações do modelo de repressão soviético, que patenteia a crescente ousadia do comunismo contra o Ocidente e a Igreja Católica Luís Dufaur
Em Pyongyang, capital da comunista Coréia do Norte, não há congestionamento... porque não há combustível nem automóveis. As ruas são escuras e quase não se vê luz nos prédios. A gigantesca estrutura de um hotel inacabado com forma de pirâmide, que pretendia ser o mais alto da Ásia, domina a paisagem urbana. A maioria das fábricas fechou, e não há peças para quase nada.Medo, fome e miséria Após a Reforma Agrária, conforme cálculos moderados, entre dois e três milhões de pessoas morreram de fome. As novas gerações subnutridas distinguem-se das antigas pela baixa estatura. Neste momento, segundo organizações humanitárias internacionais, há no país milhões de pessoas que correm risco de vida, devido à carência dos meios mais básicos.(1) Esse desolador panorama, entretanto, não representa senão um aspecto de realidade muito mais aterradora. Inferno concentracionário
Piongyang: devido à dramática situação econômica, muitos prédios inacabados, entre os quais, no centro, o hotel em forma de pirâmide
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Sobre tal realidade depôs Ahn Myong Chol, ex-guarda do campo de extermínio nº22, localizado em Haengyong. A pedido do reputado semanário "Far Eastern Economic Review", de Hong Kong, ele explicou cada detalhe das fotos de satélites tiradas pela DigitalGlobe: "Este é o centro de detenção. Se alguém entra ali, em três meses estará morto ou incapacitado para toda a vida. [...] Nesse canto, eles decidem as execuções. [...] Há fossas mortuárias um pouco por toda parte, e nós podemos identificá-las [na foto] nos locais onde não há árvores".(2) A espantosa descrição de Ahn continua, sendo que ele não é a única testemunha.Entre 200.000 e 400.000 norte-coreanos definham nesses campos. Como a mortandade é espantosa, o regime multiplica as detenções. A massa da população vive no terror constante de ser presa, e se resigna a comer até ratos, grama e casca de árvores, para sobreviver sem vestes no gélido inverno. Basta uma arbitrária denúncia para a pessoa ser encarcerada. E junto com ela vai toda a família, por três gerações: avós, netos, irmãos, tios e primos. A finalidade é erradicar a família toda, geradora de contra-revolucionários. É, na prática, o auge do inferno igualitário socialista. Exportação via China Nos campos de concentração, essas centenas de milhares de reassentados, como os define o regime, servem de mão-de-obra escrava que produz para a exportação. Os produtos são maquiados e encaminhados através da China comunista para o mercado ocidental.(3) O retorno é destinado a construir armas atômicas e mísseis, para ameaçar o mundo não-comunista e sustentar o aparelho que tiraniza o país. Os guardas são incitados a brutalizar os detentos. Um vil assassinato lhes dá o direito de entrar na escola. As mulheres jovens viram escravas sexuais dos carcereiros e são forçadas a abortar até no 8º ou 9º mês, com uma selvageria inaudita. Famílias usadas como cobaias
Detalhes das fotos de satélites tiradas pela DigitalGlobe. Nelas aparece o campo de extermínio nº 22
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Grupos de dezenas de reassentados são utilizados como cobaias para experiências de novas armas químicas. Kwon Hyuk (o nome foi trocado) foi chefe administrativo do Campo22 e ex-adido militar da Coréia do Norte em Pequim. Hoje ele é um dos mais de 4.000 foragidos que vivem em Seul, na Coréia do Sul. Kwon contou à BBC as sessões de câmara de gás a que assistiu. A câmara era de vidro selado. As famílias eram colocadas no centro, e os prisioneiros individuais nos cantos. Na parte de cima, os estertores das vítimas eram acompanhados pelos "cientistas".(4)Soon Ok Lee, ex-prisioneira do campo de Kaechon, viu "cientistas" se congratulando pelo sucesso homicida das experiências: "Eu os ouvi dizendo: "Veja! Que poderoso! Que grande cientista é o doutor Lee Sung-ki. Bem, de agora em diante é guerra química". Soon olhou para onde eles apontavam. "Vi vários prisioneiros deitados no sopé de uma colina, sangrando pela boca e inertes, envolvidos por estranhos vapores e rodeados por guardas com máscaras anti-gás".(5) Kang Chol Huan entrou num campo aos 10 anos de idade. Seu "crime" foi ter avós que moraram no Japão como agentes norte-coreanos, e na volta foram expurgados. Ele viu crianças morrerem às dúzias, pelo excesso de trabalho e torturas. Outras não superavam os 60 cm de altura, devido à subnutrição.(6) Culto de personalidade Nos campos, se alguém fala contra o socialismo, perde a vida. As execuções são públicas e ocorrem várias vezes por ano. Ninguém pode chorar vendo seus familiares serem massacrados. "O contra-revolucionário morreu, portanto não há razão para chorar", advertem os oficiais.(7) O ditador comunista Kim Jong Il deve ser cultuado. A simples omissão do título de grande líder, na hora de pronunciar com veneração seu nome, custa severas punições até para os guardas. Porém, uma ferocidade toda especial se volta contra os que professam o nome adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo. Perseguição religiosa
Outro detalhe do campo de extermínio
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Oficialmente, a Religião católica foi abolida após a ocupação do país pelo comunismo. Porém, relatos recentes falam da perseverança de muitos.(8) Soon Ok Lee, narra: "Durante os anos de 1990 a 1992, eles trataram os cristãos mais severamente. Foram conduzidos a um local de trabalho separado. Numa ocasião, 30 prisioneiros foram chutados até a morte pelos guardas com botas. E quando eles invocavam Deus - "meu Deus! meu Deus!" - então aquela gente usava água fervendo, que derramavam sobre eles. E eles foram queimados. Não há outro inferno como a Coréia do Norte".(9)Face às atrocidades do igualitarismo socialista norte-coreano, brota na alma católica uma reação de compaixão pelas vítimas, de horror pelos crimes e uma oração fervorosa a Nossa Senhora, para que Ela se compadeça desse martirizado povo. De modo especial, dos católicos fiéis que gemem nos campos de concentração socialistas. E também de indignação contra os carrascos e contra os que, no Ocidente, ficam indiferentes. Que a Santíssima Virgem, em sua misericórdia insondável, afaste do Brasil os horrores do comunismo e socialismo. E-mail do autor: LuisDufaur@netscape.net ________ Notas: 1. Cfr http://fr.news.yahoo.com/031211/5/3jpkl.html 2. MSNBC News, http://msnbc.msn.com/id/3071466/ 3. Id.,ibid. 4. "Jornal do Brasil", 2-2-04. 5. "O Estado de S. Paulo", 26-1-04. 6. MSNBC News, http://msnbc.msn.com/id/3071467/ 7. MSNBC News, http://msnbc.msn.com/id/3071468/ 8. Cfr. "Jornal do Brasil", id.ibid. 9. MSNBC News, http://msnbc.msn.com/id/3071464/ |