Agosto de 2000
Novos abalos no darwinismo
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Ciência

Novos abalos no darwinismo

O que surgiu primeiro: o ovo ou a galinha? A singeleza da pergunta esconde, na realidade, um problema insolúvel para os que procuram explicar a origem da vida através da evolução

·         Rosário M. Guérios

No Brasil, em ambientes mediáticos e educacionais, podemos dizer seguramente que só se pesquisa, difunde e ensina a teoria evolucionista, velha de mais de 150 anos, de Charles Darwin. Apesar dos numerosos desmentidos que ela já recebeu.

A doutrina de Charles Darwin, verdadeiro tabu universal até há pouco...
Ora, essa teoria, apresentada como um dogma, vem sofrendo novos graves abalos. “Ensinar que o homem e os símios têm antepassados comuns, ou que tudo procede por etapas, não são favas contadas como parece”, informa Simona Vigna, do “Corriere della Sera”.

Isto porque o movimento criacionista - o qual lê a Bíblia como texto científico – vai tomando proporções inimagináveis há algumas décadas. A importância desse movimento está diretamente relacionada com o país onde ele é mais difundido. Se alguém pensou nos Estados Unidos, não se enganou.

A articulista informa, espantada, que “é difícil crer, mas é no país líder mundial no campo científico que o darwinismo está mais ameaçado. Nos Estados Unidos, 47% da população e um quarto dos estudantes universitários não crêem na ligação homem-símio e estão convencidos de que a humanidade foi criada por Deus, em seis dias e há menos de 10 mil anos”.

E continua: “Segundo uma pesquisa conduzida em março último, igual número de americanos estão mais que convencidos da importância de ensinar aos estudantes tanto o evolucionismo quanto o criacionismo, ‘de modo que os jovens possam decidir por si sós’. E nos últimos 10 anos, cerca de 20 Estados da Federação adotaram leis a favor da divulgação da teoria criacionista nas escolas”.

A razão de ser da vida

O interessante é a razão apontada por essa reviravolta: “Toca num ponto nevrálgico da população - comenta Eugene Scott, responsável pelo Centro Nacional para a Educação Científica --, a propósito da popularidade crescente do criacionismo. Porque mostra a evolução como um fenômeno que não tem objetivos. E os homens, hoje mais do que nunca, querem saber se suas vidas têm um sentido” (Grifos nossos).

A articulista do “Corriere della Sera” observa que “o antidarwinismo está se espalhando como uma mancha de óleo em escala mundial. Sem absolutamente estar mais limitado aos meios bíblicos. Ou políticos. As associações pela pesquisa sobre o criacionismo, nascidas para contra-atacar as idéias científicas sobre a origem do homem, possuem agora postos avançados nos países mais diversos. Como a Coréia, por exemplo, onde o movimento possui mais de 2000 cientistas. Ou na Nova Zelândia, onde os filiados passaram de zero a 20% da população, após uma visita de propaganda feita pelo principal promotor do criacionismo nos EUA, Henry Morris, autor de ‘O Dilúvio do Gênesis’”.

Além de difundir conceitos errados, a mídia nacional está “fora de moda”

...está sendo seriamente abalada pelo criacionismo, consagrado na Bíblia
“E na Europa?”, pergunta-se a articulista e prossegue: “O velho continente não fica atrás, parece, com os países Baixos no topo da classificação dos países pró-criacionismo. Foi preciso uma série de protestos e tomadas de posição por parte da Academia de Ciências Holandesa para reintroduzir no ano passado, pela primeira vez em 20 anos, questões sobre a evolução nos testes das escolas estatais.

“E na Inglaterra, pátria de Charles Darwin, o Movimento pela Ciência da Criação conseguiu também apresentar ao público uma mostra dedicada às teorias antidarwinistas sobre a origem do homem”.

Eis uma notícia realmente digna de ser difundida. Entretanto, quantos de nossos leitores terão tomado conhecimento de artigos desse gênero na imprensa brasileira? Nossa mídia, infelizmente, parece ciosa apenas em difundir toda espécie de descoberta científica, desde que corrobore as teses evolucionistas...

 

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão