Agosto de 1994
Cura do homem com a mão seca
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Religião

Cura do homem com a mão seca

(São Marcos, 3, 1-6)

E entrou Jesus em outra ocasião na sinagoga; e encontrava-se lá um homem que tinha uma das mãos secas. E observavam-no a ver se curaria em dia de sábado, para o acusarem. E Jesus disse ao homem, que tinha a mão seca: Vem aqui para o meio. E disse-lhes: É lícito em dia de sábado fazer bem ou mal? Salvar a vida ou tirá-la? Eles, porém, calavam-se. E olhando-os em roda com indignação, contristado da cegueira de seus corações, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restabelecida a mão. Mas os fariseus, retirando-se, entraram logo em conselho contra Ele com os herodianos, para ver como o haviam de perder.

 

Comentários compilados por Santo Tomás de Aquino na “Catena Áurea”

Teófilo – Depois de haver refutado os judeus que haviam acusado os discípulos [de Jesus] de haver colhido as espigas num sábado, com o exemplo de Davi, faz um milagre no sábado para reduzi-los mais à verdade, manifestando que, se é uma obra piedosa fazer milagres no sábado pela saúde dos homens, não é um mau fazer no mesmo dia o que é necessário ao corpo. Diz portanto: "Outra vez no sábado entrou Jesus na sinagoga" etc.

São Beda – E prevenindo a calúnia que haviam preparado os judeus, os argüi, porque com sua má interpretação violavam os preceitos da lei. E diz-lhes: "É lícito no sábado fazer bem ou mal?" Interrogando-os desse modo, porque eles julgavam que nem mesmo as boas obras deviam ser feitas no sábado, uma vez que a lei mandava abster-se das más .... Esta pergunta "fazer bem ou mal" é idêntica à que acrescenta a seguir: "Salvar ou perder sua alma" , isto é, curar ou não o homem. Não porque Deus, sumo Bem, pode ser autor de perdição para nós, mas porque, segundo costume da Sagrada Escritura, o não salvar o homem corresponde a perdê-lo. Mas se alguém perguntar porque fala o Senhor da salvação da alma quando vai curar o corpo, tenha presente que a alma, no dizer das Sagradas Escrituras, figura significando o homem; ou que [Jesus] fazia aqueles milagres pela salvação da alma, ou que a mesma cura da mão significava a da alma.

São João Crisóstomo – "Mas eles calavam", continua. Porque sabiam que havia de curá-lo inteiramente. "Então Jesus, cravando neles seus olhos cheios de indignação". O fato de olhá-los com indignação e entristecer-se em virtude de sua cegueira, convém à humanidade que [Jesus] se dignou assumir por nossa causa. Junta pois, o milagre à palavra, e com ela só, cura o homem. Prossegue:Estendeu-se e ficou ela perfeitamente sã".

São Beda - Este homem é uma figura da linhagem humana, árida porque não produzia obras boas, desde que representada em seu primeiro pai [Adão], que estendeu a mão para colher a maçã. Essa má ação, emendou-a o inocente Filho de Deus; estendendo suas mãos na cruz. A mão da humanidade na sinagoga estava seca; porque, onde se encontra maior abundância dos conhecimentos, ali comete maior culpa o que desobedece ao que é mandado.

São Cirilo- Ó fariseu, vês que [Jesus] faz coisas prodigiosas, e cura os enfermos em virtude de um poder superior, e tu projetas sua morte por inveja!

 

Comentários do Padre Luís Cláudio Fillion

Também no dia do sábado, entrou Jesus, como tinha o costume de fazê-lo, em uma sinagoga de lugar que não conhecemos. Ali viu um homem que tinha a mão direita atrofiada por uma paralisia local. A ocasião era excelente para os fariseus e escribas da região. Esperavam eles que [Jesus] curaria este enfermo sem preocupar-se com o descanso sagrado, para então recriminá-Lo e censurá-Lo no ato. E ainda quiseram tomar-Lhe a dianteira, propondo-Lhe esta questão: "É lícito curar nos dias de sábado?" Jesus descobriu essa astúcia deles com sagacidade divina, e disse ao homem: "Levanta-te e põe-te de pé no meio". O enfermo obedeceu, e pode-se vislumbrar com que emoção e esperança. Respondendo então à pergunta de seus inimigos com outra contrária, método familiar n’Ele, ao que parece o Salvador lhes perguntou, por sua vez: "É lícito em dia de sábado fazer bem ou mal, salvar a vida ou tirá-la?" A resposta era fácil; mas os fariseus tomaram o cuidado de não dá-la, porque ter-se-iam condenado a si mesmos. Preferiram, pois, outra vez guardar um silêncio humilhante. E para confundir mais e mais seus rivais hipócritas, Jesus lhes disse: "Que homem haverá entre vós que tenha uma ovelha, e se esta cai em algum fosso em dia de sábado, não a levanta e tira fora? Mas, quanto mais vale um homem que uma ovelha! Logo é lícito praticar o bem em dia de sábado: Passeando logo seus olhares sobre. eles, com sinais de indignação e de tristeza – de indignação pela malícia, e de pena pela cegueira de seus corações – disse ao enfermo: “Estende essa mão”. E ele a estendeu. Ela havia ficado sã de repente, como a outra. Coléricos e furiosos ao verem-se caçados em sua própria armadilha, saíram da sinagoga os fariseus, e logo reuniram-se em conselho com os herodianos do lugar, a fim de encontrar juntos uma solução para este horrível desígnio: que tramas urdiriam contra Jesus para prendê-Lo? Desde então, pois, foi decretada sua morte; mas, como o veremos nesta história, o modo de executá-la seguirá até o fim, sendo urna empresa muito difícil.

O Salvador conhecia esse projeto sanguinário, que não alterava a paz de sua alma. Mas,
conforme a seu princípio de não exasperar seus inimigos, até que sua "hora" , a hora do sacrifício, tivesse chegado, retirou-se com seus discípulos a um lugar recolhido dos que abundavam nas margens do mar de Tiberíades

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Pe. Luis Cláudio Fillion, Nuestro Señor Jesucristo según los Evangelios, Editorial Difusión, Tucumán, 1859, pp. 132-133

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