Ano de tsunamis materiais e morais Em 2005, uma voragem de fatos. Vários deles, isoladamente, poderiam marcar um século. Sinalizaram duas direções diametralmente opostas. Neles pode-se notar a presença de Deus, embora muitos o neguem. Luis Dufaur -Janeiro: efeitos do devastador tsunami
Contraste chocante entre o réveillon em Nova York e...
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No primeiro dia de janeiro de 2005: em Nova York, caras sorridentes, quase histéricas de alegria, atrás de enormes óculos com vidros vermelhos e armação formando o número 2005. Mas, do outro lado do planeta, na Tailândia, a passagem do ano foi marcada por cerimônias fúnebres. O contraste dominou um ano marcado pelo tsunami asiático, cuja extensão o mundo pôde aquilatar melhor naquele início de ano. Ele estremeceu a Terra e, ao pé da letra, o planeta ficou mais achatado, seu eixo mudou de posição, ilhas e continentes deslocaram-se. Mas nem as destruições nem a cifra das vítimas abalaram tanto quanto a percepção da fragilidade da babilônica civilização globalizada. "Os únicos exemplos de desastres simbolicamente capazes de aniquilar toda a humanidade eram o dilúvio ou o apocalipse. Hoje, o que não passava de virtualidade começa a ganhar realidade histórica”, comentou um embaixador brasileiro.(1)
...a destruição produzida pelo tsunami numa aldeia em Sumatra, Indonésia, no final de dezembro de 2004
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Uma pergunta veio à tona: “Então Deus existe e age? Ele pode ter permitido ou enviado o tsunami? E se foi Ele, não poderá permitir ou causar outros eventos análogos?” Não poucos formularam tal questão. Muitos tentaram esquecê-la. Alguns puseram-se a rezar. Outros, em cátedras religiosas, tentaram exorcizá-la como se Deus devesse ser alheio a acontecimentos de tal magnitude. -Fevereiro: morte da última vidente de Fátima
Fevereiro
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Enquanto brigadas de adolescentes indonésios recuperavam aproximadamente 400 cadáveres por dia, a Irmã Lúcia falecia no Carmelo de Coimbra. Ela encarnava a esperança de que mais uma palavra do Céu viesse a esclarecer os presentes dias, em atenção à insondável misericórdia divina. Seu falecimento foi de molde a provocar a sensação de proximidade da calamidade mundial prevista em Fátima. -Março: agonia de S. S. João Paulo II Mal se extinguiam os ecos do falecimento da Irmã Lúcia, quando uma outra notícia relampagueou como raio em céu sereno: João Paulo II era urgentemente internado na Policlínica Gemelli de Roma. - Arrostando longas enfermidades, o desfecho era previsto. Suas idas e vindas ao Gemelli; a traqueotomia; a agonia no Vaticano –– foram acompanhadas minuto a minuto em todo o orbe. Abril: morte de João Paulo II e eleição de Bento XVI
Abril
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Em 2 de abril, o Arcebispo Leonardo Sandri anunciou o falecimento de S. S. João Paulo II. Ocorreu então um movimento único na História: cerca de 200 chefes de Estado e de governo compareceram às suas exéquias no Vaticano. Algo inteiramente inédito: o presidente dos EUA, juntamente com dois ex-presidentes desse país, todos protestantes, ajoelharam-se diante do catafalco do Papa. Até potências islâmicas acharam melhor comparecer aos funerais do chefe da Igreja Católica... por eles tão odiada.
Abril
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Mais de três milhões de fiéis, jovens na maioria, convergiram para Roma, a fim de prestar derradeira homenagem àquele Pontífice. Foi um tsunami moral e religioso, em cuja origem seria árduo negar uma ação da graça divina atestando a santidade da Igreja Católica. A fumaça branca anunciou logo a escolha do novo Papa. A imprensa irreverente apelidou Bento XVI de rottweiler de Deus. E muitos comentários procuravam documentar uma tendência, como este de um jornalista brasileiro: "Primeiro Bush 2º, agora Bento 16. A onda conservadora que assola o mundo desde o começo deste século agora chega a mais um momento apoteótico".(2) -Maio: o NÃO francês à Constituição Européia
Maio
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Ainda se falava do tsunami religioso de Roma, quando um outro — de natureza diversa, mas também de fundo moral — fez sentir seu efeito salutar. A França disse NÃO à Constituição Européia, visceralmente anti-européia e anti-cristã. Em referendo nacional, 55% a rejeitaram enquanto só 45% a apoiaram. O resultado constituiu imensa surpresa. A grande mídia, o establishment político francês e europeu, bem como as sondagens de opinião davam por certa a aprovação do documento. Mesmo os bispos da França não se haviam oposto ao texto que ignorava totalmente as origens cristãs da Europa. Entretanto, o eleitorado francês disse NÃO à absurda constituição. -Junho: também a Holanda diz NÃO. Tsunami espanhol Em junho, o povo holandês respondeu com outro sonoro NÃO à mesma consulta: 62% contra 38%. Foi o golpe de misericórdia na nefanda carta constitucional. À luz dos resultados francês e holandês, a opinião pública espanhola, que previamente dissera SIM, percebeu que tinha sido informada "com sectarismo". O referendo espanhol — no qual 57% dos eleitores se abstiveram — constituiu uma "fraude eleitoral", segundo o diário “ABC” de Madri. Nesse mês, um milhão e meio de espanhóis encheram grandes avenidas de Madri para protestar contra a lei de "casamento" homossexual impingida pelo Partido Socialista. Também a Itália teve o seu tsunami moral: a pedido do episcopado, os italianos abstiveram-se em massa de votar em um plebiscito para aprovar a chamada “reprodução assistida” — que inclui vários tipos de fertilização artificial —, tornando inviável a iníqua proposta por falta de quorum. -Julho: terror islâmico ataca Londres e assusta a Europa No pior ataque sofrido por Londres desde a Segunda Guerra Mundial, o terrorismo islâmico fez 54 mortos e 700 feridos. As bombas foram colocadas em meios de transporte público como metrô e ônibus, atingindo civis desarmados. Enquanto isso, na Itália, o pregador islâmico Abdel Qader Fadlallah Mamour ameaçava com um ataque químico “em breve” a Roma, Milão, Bolonha e Veneza. A França logo fechou suas fronteiras, em previsão de eventuais atentados na festa nacional do dia 14 de julho, refletindo o medo que tomou conta do continente europeu. |