Maio de 1999
"Não separe o homem, o que Deus uniu”
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SOS - Família

"Não separe o homem, o que Deus uniu”

Em 1917, em Fátima, Nossa Senhora prognosticou que a Rússia espalharia seus erros pelo mundo... Que erros foram esses? — Inúmeros. Dentre eles, um concerne particularmente aos leitores de SOS-Família: a dissolução da instituição familiar

"Não separe o homem, o que Deus uniu. Qualquer que repudiar sua mulher, e se casar com outra, comete adultério contra a primeira. E, se a mulher repudiar seu marido e se casar com outro, comete adultério" (Mc 10, 9-12).
A doutrina tradicional da Santa Igreja estabelece: as relações sexuais são permitidas somente dentro do matrimônio; o casamento é indissolúvel, por instituição divina, (portanto, lei humana alguma tem o direito de dissolver o laço conjugal); quem negar tal doutrina coloca-se, ipso facto, fora da Igreja, pois o caráter sacramental e indissolúvel do vínculo matrimonial foram definidos pelo Concílio de Trento (séc. XVI).

Negação de dois Mandamentos da Lei de Deus: “Não pecarás contra a castidade” e “Não cobiçarás a mulher do próximo”

Entretanto, segundo a doutrina comunista, as relações sexuais pré-matrimoniais, ou extra-matrimoniais, não são condenáveis. O casamento é considerado um mero registro público, que, para ser dissolvido, basta que uma das partes manifeste o desejo de fazê-lo. A partir de então, ambos os cônjuges estão livres para contratar novas uniões, o que configura o “amor livre”.
* * *
"Casamento" na ex-URSS. Segundo a legislação soviética, o casamento era mero registro público, apenas para efeitos civis, que podia ser dissolvido a qualquer momento, por uma ou outra das partes. O contrário portanto, do que ensina a doutrina católica sobre o vínculo matrimonial, com seu caráter sacramental, monogâmico e indissolúvel
Recente edição da revista “Veja” traz sua matéria de capa com o título: Unidos pelo divórcio — Como se relacionam pais e filhos nas 14 milhões de famílias brasileiras, formados por segundos e terceiros casamentos (cfr. “Veja”, São Paulo,17-03-99)
Tal constatação – 14 milhões de famílias separadas e formando novos casais – parece ser uma confirmação da profecia de Nossa Senhora sobre erros que a Rússia espalharia pelo mundo. Elucidou muito bem esta questão o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, num artigo intitulado Para os anticomunista pró-comunismo, publicado no quotidiano “Folha de S. Paulo”, em 4/6/69:
“Segundo despacho datado de Moscou e difundido aqui na imprensa diária, a revista soviética muito caracteristicamente intitulada
‘Agitador’ publicou recentemente um artigo sobre a doutrina comunista em matéria sexual.
“O ‘Agitador’ não fez senão dar forma acessível a teses clássicas do marxismo. Foi precisamente a simplicidade – eu diria melhor, a crueza – das formulações da revista, que me levaram a reproduzi-las aqui. Faço-o para mostrar a muitas pessoas sinceramente infensas ao comunismo, que – sem o saber – concordam com este em muitos pontos-chave. E as convido, com isto, a uma radical revisão de suas posições a respeito da moral sexual.
“Começa a revista por legitimar o ‘casamento de experiência’ e outras barbaridades congêneres que vão ganhando terreno nas nações do Ocidente. Com efeito, resumindo o texto do ‘Agitador’, diz o despacho telegráfico: ‘Na sociedade comunista .... não se consideram imorais as relações sexuais antes do casamento quando se baseiam na sinceridade e no afeto’. Assim, basta que entre um jovem e uma jovem se forme uma atração romântica, para lhes ser lícito ir, sem mais, às últimas conseqüências. Se, ao longo dos tempos essa ligação sobreviver, e os jovens se quiserem casar, muito bem. Se não quiserem, podem continuar unidos, sem por isto merecerem a menor crítica. E se ambos (ou um só, é claro!) ficarem fartos da união, o remédio é fácil: basta que se digam adeus.
“Mas, perguntará alguém, nesta perspectiva de que adianta então o casamento? De nada, absolutamente nada: ‘Existe um novo critério moral para condenar ou aprovar o sexo. Não se trata de situar as relações [sexuais] como matrimoniais ou pré-matrimoniais, mas sim em estabelecer se se baseiam no amor recíproco’, diz o ‘Agitador’. Mais claro não poderia ser. É tão claro, que até cria um problema: para que sobrevive então o casamento, na legislação soviética? O que esta chama de ‘casamento’ nada tem de comum com o que, nos povos civilizados, se entende por tal. O ‘casamento’ soviético não passa do registro – para efeitos civis secundários – de uma ligação sem conteúdo moral, que pode e deve ser desfeita por qualquer das partes, desde que o deseje....”

“O comunismo morreu”: expressão desmentida pela propagação do amor livre

“O ‘Agitador’, aliás, não se empenha muito em ocultar o fundo das coisas. Por isto cita esta frase de Lenine: ‘O comunismo não deve levar ao ascetismo, mas sim ao gozo da vida’.
“E, realmente, o panorama de uma sociedade autenticamente comunista é, em matéria sexual, bem este: o de uma vida gozada, no pior sentido do termo.
“Ora, aqui os extremos se encontram. Tal vida, precisamente assim, não é o que aprova, o que deseja, não é a meta para a qual vive muita gente que se imagina no pólo oposto do comunismo?
“A conseqüência salta aos olhos: quem aplaude ou promove a imoralidade, nas sociedades do Ocidente, prepara-as para o comunismo...
“Por isto, o
‘Agitador’ faz notar, alegre e esperançado: ‘A chamada revolução sexual no Ocidente está enfraquecendo os vínculos familiares e rejeitando numerosos tabus tradicionais nas relações entre os sexos, levando ao amor livre’. Ao amor livre, note-se bem, isto é, à posição comunista em matéria sexual”.

Principal razão da crise da moralidade: crise da Fé

“Certas pessoas acham supérflua, e até antipática, a palavra ‘propriedade’ no lema da TFP. Imaginam elas que entre a família e a propriedade não existe nexo, e que podem ser fervorosas partidárias da família, sendo embora inimigas da propriedade.
“Os comunistas não pensam assim. Para eles, propriedade e família são institutos conexos. É, pois, com muita coerência que ‘Agitador’ atribui a decadência moral do Ocidente à decadência da propriedade: a ‘erosão’ nos valores sociais do Ocidente, diz a revista, tem por motivo a podridão do ‘princípio da propriedade privada, em que se baseia a sociedade capitalista’.
“O ‘Agitador’ exagera. A principal razão da crise da moralidade no Ocidente está na crise da Fé. Entretanto, é claro que entre a família e a propriedade há um nexo natural. Quem é a favor da comunidade de bens e, portanto, não aceita que o homem possa dizer minhas economias, meu patrimônio, minha casa, é coerente ao se opor a que ele possa dizer meu lar, minha esposa, meus filhos. O direito pessoal a qualquer coisa tida como própria, seja a poupança de um trabalho, a inquebrantável fidelidade do cônjuge, o afeto cálido de um filho, eis do que o comunismo quer privar o homem ‘evoluído’ do século XX....”.

Propagação do divórcio e das uniões livres

A velha notícia de o “Agitador” é confirmada pela nova da “Veja”, que citamos acima, com uma diferença: “O Agitador” apresenta o ideal, em matéria sexual, para aqueles que viveriam num regime comunista, enquanto a “Veja” apresenta o fato, existente hoje e generalizado no Brasil e no Ocidente, como um dado normal.
Para citar apenas um ponto: o que a doutrina comunista ensina sobre o amor livre. Não é a Lei do divórcio, implantada no Brasil desde 1977, de certo modo, o amor livre à prestação? E não é o que todos os dias se ensina, de modo prático, nas televisões de nosso País? Nas novelas, por exemplo, é o que se vê com freqüência. Observa-se a ridicularização dos valores familiares, e mesmo a pornografia aberta.
Assim, a Rússia comunista espalhou ou não seus erros pelo mundo? Com a palavra o leitor!

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