O Inferno existe –– III Em nossa edição anterior, transcrevemos alguns exemplos atestando a existência do inferno e mostrando que a misericórdia de Deus não é contrária à justiça. Segue outro exemplo do Pe. Beltrami
São Vicente Ferrer diz que, em confronto
com o fogo do Inferno, o nosso é frio
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“Diz Santo Agostinho que o fogo da Terra, comparado com o do Inferno, parece um fogo pintado; e São Vicente Ferrer diz que, em confronto com aquele, o nosso fogo é frio. Embora gastemos páginas e livros inteiros falando do Inferno, acumulando males sobre males, sofrimentos sobre sofrimentos, desgraças sobre desgraças; embora chamemos em nosso auxílio as fantasias fecundas dos poetas para idear penas atrozes e peçamos aos tiranos da História as torturas que inventaram para seviciar as suas vítimas –– apesar de tudo isso chegaremos à conclusão de que infinitamente maiores são os suplícios do Inferno. O seguinte fato é referido pelo mesmo autor [Mons. de Ségur, em seu livro sobre o Inferno]: Achava-se em Londres uma dama, que enviuvara aos 29 anos, era muito rica e muito amiga dos divertimentos mundanos. Entre as pessoas elegantes que freqüentavam a sua casa, notava-se especialmente um moço cujas contínuas visitas a comprometiam não pouco, e cuja vida estava longe de ser edificante. Uma noite, a senhora lia não sei que romance para conciliar o sono. Ouvindo bater o relógio, apagou a luz e dispunha-se a deitar quando percebeu, com grande assombro, que uma luz estranha e pálida vinha da porta do salão contíguo e espalhava-se pouco a pouco no quarto, aumentando sempre. Não sabendo o que era, do pasmo passou ao medo. Viu abrir-se lentamente a porta do salão e entrar no quarto o jovem desregrado, o qual, antes que ela pudesse pronunciar palavra, aproximou-se, tomou-a pelo braço esquerdo, apertando-lhe fortemente o pulso, e com acento desesperado disse: — Existe o inferno! Foi tão grande o susto, que a senhora perdeu os sentidos. Voltando a si, tocou nervosamente a campainha para chamar a criada, que a atendeu. Entrando no quarto, esta sentiu logo um cheiro de queimado. Chegando-se à ama, que com dificuldade articulava umas palavras, pôde ver ao redor do pulso uma queimadura tão profunda, que a carne desaparecera e ficara à mostra o osso. Observou, além disso, que da porta do salão até o leito, e do leito a essa porta, estava impressa a pegada de um homem, que tinha queimado o carpete de um lado ao outro. Por ordem da ama, abriu a porta do salão e notou que lá terminavam as pegadas do tapete. No dia seguinte a desditosa senhora soube, com aquele medo que bem se compreende, que alta noite o tal moço se embriagara desmedidamente e, transportado para casa, veio a morrer pouco depois. Ignoro se esta terrível lição tenha convertido a infeliz dama. O que sei é que ela ainda vive; e para esconder aos olhares curiosos o sinal daquela sinistra queimadura, leva no pulso, à guisa de bracelete, um largo enfeite de ouro, que não deixa nem de dia nem de noite”. _________ Pe. André Beltrami, O Inferno existe, em Leituras Católicas de Dom Bosco, Escola Industrial Dom Bosco, Niterói, 1945. |