Outubro de 2007
“No ocaso das civilizações, a luz do sol projeta muito ao longe a figura de tudo aquilo que permanece de pé”
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Carta do Diretor

 

Caro leitor,

“No ocaso das civilizações, a luz do sol projeta muito ao longe a figura de tudo aquilo que permanece de pé” — tal foi o sugestivo e poético comentário que encantou Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, e que me ficou gravado na memória, a propósito da fotografia de um beduíno no deserto, montado em camelo, no ocaso de mais um dia ensolarado. Sua silhueta, projetada pela luz do poente sobre as alvas areias daquelas misteriosas vastidões, aumentara inúmeras vezes de tamanho.

Alma profundamente admirativa, Dr. Plinio — a cujo duodécimo aniversário de falecimento dedicamos matérias desta edição de Catolicismo — mal se dera conta de que, em sua admiração por aquele comentário, ele estava se auto-retratando.

Sim, porque na deterioração do processo revolucionário, que há cinco séculos vem destruindo a Civilização Cristã — o qual ele não só denunciou, mas eficientemente combateu —, a figura de Plinio Corrêa de Oliveira projeta-se como a de um gigante que permaneceu de pé, não num deserto do Oriente, mas contra ventos e marés da tempestuosa Babilônia neopagã de nossa época, fazendo jus ao título de o Cruzado do século XX.

Com efeito, fiel à tradição e aos princípios perenes da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, soube ele resistir à tentação da modernidade neopagã diante da qual tantos sucumbiram, o que lhe permitiu mais tarde escrever: “Quando ainda muito jovem, considerei enlevado as ruínas da Cristandade, a elas entreguei meu coração; voltei as costas ao meu futuro, e fiz daquele passado carregado de bênçãos o meu porvir”.

Não se trata apenas de belas palavras, mas do atestado fiel de toda uma trajetória de lutas em prol do ideal de restauração da Cristandade.

Assim sendo, e olhando retrospectivamente os acontecimentos, podemos exclamar: Quanta água passou por debaixo da ponte! Com efeito, quanta coisa que parecia para sempre sepultada, hoje renasce; e quantas esperanças de um futuro católico, de plena restauração da Civilização Cristã, renascem hoje em tantos corações, olhos postos na Mensagem de Fátima!

Se isso é assim, devemo-lo em muito larga medida à fiel perseverança e ao incomparável exemplo desse infatigável batalhador da boa causa, que foi o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Sua vida de renhida militância anticomunista reflete-se especialmente em duas seções desta edição — na matéria de capa e na entrevista —, referentes a uma sinistra data registrada pela História: 90 anos da Revolução bolchevista na Rússia, em outubro de 1917.

Desejo a todos uma boa leitura.

Em Jesus e Maria,

Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor

paulobrito@catolicismo.com.br

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