Fevereiro de 1998
O que diz a Igreja Católica sobre a cremação de cadáveres? Aos olhos de Deus é permitida a cremação? E o que fazer com as cinzas?
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
A Palavra do Sacerdote

Pergunta: Gostaria que Catolicismo publicasse um artigo sobre o pensamento da Igreja Católica em relação à cremação de cadáveres. Aos olhos de Deus é permitida a cremação? E o que fazer com as cinzas?

Cônego José Luiz Villac

Resposta: O tema está na ordem do dia. Está se tornando moda pedir para ser cremado...

A cremação é a destruição violenta do cadáver humano por meio do fogo ou de grande calor, no forno crematório.

Muitos povos pagãos da Antigüidade usavam a cremação. Pelo contrário, o povo judeu e, mais tarde, os cristãos sempre rejeitaram a cremação como indigna e não conveniente à reverência devida ao corpo humano, templo da Santíssima Trindade.

Entretanto, de si, a cremação não é boa nem má, podendo mesmo ser utilizada como necessidade em casos de peste, de catástrofes, nas quais a corrupção lenta de um grande número de cadáveres pode ser perigosa para a saúde (exalações pestilenciais, contágio, etc.).

A razão pela qual a Igreja se opõe à cremação não é por que esta, de si, seria contra o dogma católico da ressurreição. A ressurreição dos corpos não se torna mais difícil pela cremação do que pela corrupção dos corpos. Deus, a partir de uma minúscula célula do corpo humano (contido seja na cinza funerária, seja no resultado da corrupção orgânica) o reconstitui por inteiro. Trata-se de um milagre semelhante ao da criação.

Corpo incorrupto de Santa Catarina de Bolonha, Santuário do Corpus Domini, Bolonha (Itália). Se na época da morte da Santa estivesse gereralizado o costume da cremação de cadáveres, hjoje nao seria possivel admirar o prodígio da conservação de seu corpo e venerá-lo

Até 5 de julho de 1963 a disciplina canônica era severa no tocante à cremação dos corpos dos fiéis falecidos. Punia negando a Exéquia, ou seja a Encomendação do corpo, e a celebração das Missas de corpo presente, de sétimo e trigésimo dia àqueles que postulassem a cremação de seu cadáver.

Se a Igreja condena a cremação é antes de tudo porque ela se opõe à antiqüíssima tradição que remonta às próprias origens da humanidade e que se radica nos justos sentimentos de reverência para com o corpo humano, santificado pela intimidade com a alma elevada pela graça, que o torna templo vivo do Espírito Santo.

A atual lei da Igreja, a partir do Concílio Vaticano II, ao tratar do sepultamento diz o seguinte:

"A Igreja aconselha vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar o cadáver dos defuntos; sem embargo, não proíbe a cremação, a não ser que haja sido eleita por razões contrárias à doutrina cristã" (Código de Direito Canônico, cânon 1176 par. 3).

Nos casos em que razões psicológicas (certas neuroses de ser enterrado vivo) ou outras razões levem alguém a desejar a cremação (ou nos casos de calamidades acima mencionados), as cinzas do defunto devem ser guardadas com respeito, como as cinzas retiradas da sepultura quando se completa a deterioração do cadáver pela corrupção orgânica. O local apropriado para guardá-las são as urnas nos Cemitérios, onde as pessoas podem ir rezar e se recolher para lembrar-se piedosamente do finado. Mas qualquer lugar digno pode ser utilizado.

Enterrar os mortos é uma das obras de misericórdia e a ela se dedicaram inúmeras confrarias piedosas durante os séculos em que a fé predominou na sociedade ocidental.

Mais importante do que tudo é, entretanto, rezar pelas almas dos falecidos, as benditas almas do Purgatório. Deus, em virtude da caridade que nós tivermos para com elas, dispensar-nos-á graças abundantes, durante a vida e abreviará o nosso purgatório depois da morte.

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão