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Renasce na Rússia brutal perseguição
anticatólica
A Igreja Ortodoxa (cismática) e o governo
Putin unidos para impedir o Renascimento católico naquele país
Nelson
Ramos Barretto
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Breve explicação do tema
1 – Durante seus 73 anos de vigência
na Rússia, o comunismo teve como principal aliado interno
a chamada Igreja Ortodoxa (I.O.). A tal ponto que a I.O.
era tida como uma espécie de departamento religioso do
Governo comunista.
2 – Nesse mesmo tempo, os católicos
foram ferozmente perseguidos, constituindo a Igreja mártir.
3 – Com a queda do regime comunista, um
início de liberdade foi concedido aos católicos, os
quais foram imediatamente objeto de simpatia e atração
por parte de numerosos russos.
4 – Isso encolerizou os dirigentes da I.O.,
que continuam a dar sustentação ao atual regime do
presidente Putin, antigo membro da KGB (polícia secreta)
soviética. Reiniciou-se então a perseguição
religiosa, nos termos expostos neste artigo.
5 – O futuro imediato faz temer um aumento
de perseguição, até o momento bendito em que
a Rússia venha a se converter, segundo a promessa
explícita de Nossa Senhora, em Fátima.
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Logo após a ascensão de Putin (esq.) ao poder, comentava-se em Moscou: "Putin precisa de Alexis II (direita), e este precisa daquele"
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Passei
toda a noite preso numa sala, sem lavabo, sem cama e sem comida, até
que chegou a hora do vôo para o Japão na manhã
seguinte, conta o padre Jaroslaw ainda estupefato.
Naquela segunda-feira, 9 de setembro último,
ao chegar ao aeroporto de Jabarovsk, um funcionário da polícia
de imigração russa destruíra brutalmente seu
visto de residente e lhe dissera que estava expulso do país
por ter feito proselitismo em favor da Igreja Católica.
A prova? Mais de um ano antes ele havia ousado
declarar pela televisão local que a Rússia fora
batizada na Igreja única e universal, porque em 988 não
havia a divisão entre católicos e ortodoxos! De
fato, foi só em 1054 que Miguel Cerulário consumou a
separação (cisma) do ramo bizantino da Igreja, criando
a chamada Igreja Ortodoxa (I.O.) e sendo excomungado pelo Papa Leão
IX.
Para os atuais esbirros da polícia russa,
pouco importava que o Padre Jaroslaw Wisniewski, de origem polonesa,
tivesse passado mais de 10 anos, em condições
miseráveis, assistindo denodadamente os católicos de
uma das populações mais afastadas da Rússia, em
Sakhalin, na região onde a Sibéria faz limite com o
Japão.
Mons. Jerzi Mazur, Bispo de Irkust, na Sibéria Oriental, antes de sua expulsão da Rússia, dirige a palavra a aderentes da "Luci sull'Est", em Roma, a 30-10-2001
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O mesmo estilo persecutório
da ex-URSS
Outros funcionários russos, igualmente
desalmados, anularam o visto de residência do religioso
salesiano Edward Maszkiewicz, também de nacionalidade
polonesa, sob pretexto de que sua paróquia tinha sido supressa
e que, portanto, já não tinha necessidade de
ser sacerdote em Rostov, na região do Don. Ou do
superior dos jesuítas e secretário da Conferência
episcopal, o padre Stanislaw Opiela; ou do monge francês Bruno
Maziolek, que por uma década havia animado um centro infantil
e um programa de reabilitação de toxicômanos a
120 quilômetros ao nordeste de Moscou; ou do padre italiano
Stefano Caprio, acusado de atividades incompatíveis
com a condição de ministro do culto, como se
tratasse de vulgar espião; ou do religioso verbita Stanislav
Krajnak, de origem eslovaca, desta vez, simplesmente sem explicações
A polícia de imigração nem
sequer tem levado em consideração a dignidade episcopal
e a eventualidade de um confronto com o Vaticano. Com efeito, o bispo
Jeryk Mazur cuja diocese é a maior do mundo, pois cobre
toda a Sibéria Oriental, e têm como fiéis
milhares de vítimas do Gulag e seus descendentes
também fora expulso ao chegar no aeroporto de Moscou, em 19 de
abril passado. Como única explicação, o chefe da
polícia de fronteira declarou que esse cidadão
polonês estava na lista de pessoas proibidas de
entrar no território da Federação Russa.
Quem será o próximo católico
expulso?
Os 280 sacerdotes e cerca de 300 religiosas de
origem estrangeira que residem na Rússia perguntam-se cada
manhã quem será o próximo expulso. E o
presidente da Conferência de Religiosos católicos da
Rússia, o claretiano espanhol Mariano José Sedano,
comenta que o pior de tudo é o hermetismo, pois
ninguém do governo diz nada.
De fato, em resposta a uma carta pessoal de João
Paulo II, o presidente Vladimir Putin limitou-se a assinalar
cinicamente e com dois meses de atraso, que a supressão dos
vistos não era fruto de uma campanha arquitetada
contra a Igreja Católica, mas tratava-se apenas de
providências normais de um Estado soberano
face a certos cidadãos estrangeiros.
Esse
clima persecutório levou o jovem padre Jaroslaw a
comentar, já no exílio: Tem-se a sensação
de que voltou o terror característico do niilismo estalinista
de 1936. E a perguntar-se: Será o
próximo passo o insulto, ou, inclusive o assassinato de
católicos?.
Recepção da cópia da imagem peregrina em Irkust. Os catolicos afluíram de várias regiões para rezar diante da imagem
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A volta anunciada para as catacumbas
Seu prognóstico não parece exagerado.
No início de outubro, na vizinha Bielorrússia
mera colônia de Moscou, que sobrevive graças à
venda de armas russas para o mundo inteiro foi aprovada
pelo Parlamento uma lei destinada a proteger a Igreja Ortodoxa
contra qualquer concorrência. Declara ilegais as atividades de
organismos religiosos não registrados, inclusive as reuniões
ocasionais em residências privadas. E para obter tal
autorização, é preciso demonstrar o registro da
existência de pelo menos uma comunidade antes de 1982,
requisito impossível de ser cumprido pelos católicos,
que na época eram perseguidos pelo regime soviético.
Eles não
terão outra opção senão entrar na
catacumba para sobreviver. O arquimandrita greco-católico
Sergiusz Jan Gajek, de Minsk, comenta resolutamente: Estamos
acostumados à clandestinidade e à perseguição,
mas não queremos que eles nos eutanasiem.
Um conluio anticatólico nos moldes da KGB
Na Rússia, as dificuldades também
começaram com a sanção de uma lei, votada em
1997 e paradoxalmente intitulada lei sobre a liberdade de
consciência e as associações religiosas,
a qual exige, entre outros requisitos, provar uma existência
legal anterior a 1982, favorecendo assim os ortodoxos, os
muçulmanos e os judeus; e prejudicando os católicos e,
a seu modo, também as seitas protestantes.
Em virtude dessa legislação, o
registro de duas dioceses católicas foi recentemente
rejeitado, sob a alegação de que os respectivos bispos
não tinham cidadania russa. O único meio de a obter
foi-lhes dito acintosamente seria casando-se com uma
russa
Decreto posterior impondo a nova política de
segurança, assinado por Putin em janeiro de 2000, indicava
como uma das principais ameaças internas a influência
negativa dos missionários estrangeiros.
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