Novembro de 2002
Criminalidade e caos: o Brasil na rampa do comunismo
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Criminalidade e caos: o Brasil na rampa do comunismo

Movimentos criminosos e revolucionários utilizam a violência, o medo e o caos para desestabilizar a sociedade e implantar um estado de coisas diametralmente oposto à Civilização Cristã. Mais uma previsão de Plinio Corrêa de Oliveira que se cumpre com acerto extraordinário.

Marcos Luiz Garcia

Armas apreendidas dentro do presídio Bangu III, em outubro último

Após um dia estafante de atividades, já no entardecer, agasalhei-me e fui espairecer um pouco na pacata Praça Buenos Aires, na capital paulista.

            Embora fosse já fim de outubro, uma das freqüentes aragens frias e inesperadas envolvia a praça, tornando-a especialmente convidativa até para uma leve sonolência. A bruma contracenava com a iluminação, criando contornos cinzas e indefinidos naquele ambiente. Sentei-me num banco e  pus-me a contemplar uma chusma de insetos voejando em torno de uma lâmpada branca, sem graça.

Como por reflexo, algumas considerações começaram também a esvoaçar em meu espírito. Como era diferente a São-Paulinho de antigamente, com sua garoa cheia de poesia. Sobretudo, como era diferente o ambiente da cidade: calma, segura, cheia de calor humano. Que megalópole monstruosa ela se tornou! Imensa, cheia de anônimos, o calor humano desapareceu e deu lugar a um artificialismo frio, interesseiro, desgastante. Sobretudo a insegurança reina nas ruas. E as coisas estão ficando cada vez piores! Como será o amanhã de tudo isso?

Surge um estranho personagem

Transcorriam assim minhas divagações, quando me chama a atenção um velho, saindo da bruma poluída que se adensara sensivelmente. Aproximou-se a passos curtos e lentos, com sua opulenta barba, que escondia em parte a fisionomia fechada, azeda, carregada de ódio.

Ia passando direto, quando seus olhos me fitaram. Deteve-se, franziu a testa, e depois de alguns segundos veio em minha direção.

— Você é um TFP? – perguntou-me.

— Sou. Por quê?

— Vocês estão pondo obstáculos no meu caminho! – acrescentou, com voz rouca e indignada.

— Ora, não estou entendendo. E você, quem é, para me olhar assim?

Esboçando um sorriso meio vitorioso, mas sem deixar de expressar raiva e sem dizer palavra, o velho levantou sua mão direita e mostrou-me quatro dedos... muito sujos e muito feios. Imediatamente identifiquei o personagem:

— Ah! é você, comunismo! – exclamei, com certa surpresa. Ele, vendo se identificado, ensaiou uma gargalhada, mas conteve-se. Prossegui:

–– Lembro-me perfeitamente de você. Sim, e daquele artigo do Dr. Plinio, “Quatro dedos sujos e feios”.  Lembra-se de como Dr. Plinio o descreveu?

O velho monstruoso cessou o sorriso e fixou-me, meio desarmado. Como ele não dissesse nada, continuei:

––Sim, você não pode ter esquecido. Nesse artigo, Dr. Plínio dissecou sua estratégia, então nova, e a pôs a nu diante da opinião pública. Lembro-me do artigo, ponto por ponto, e vou mostrar-lhe como está se passando tudo o que ele discerniu e previu, há quase 20 anos, com um acerto impressionante. Graças ao discernimento verdadeiramente profético do Dr. Plinio, para nós, adeptos dele, o que você está fazendo hoje não é novidade. Em primeiro lugar, foi magistral a fórmula que ele encontrou para figurar você, lembra-se? Para recordá-lo dessa matéria, publicada na “Folha de S. Paulo” em 16 de novembro de 1983, ouça como Dr. Plinio começou seu artigo:

“A perplexidade se dá bem com macias cadeiras de couro, nas quais o homem sente afundar-se gostosamente. É que há certa analogia entre estar atolado em questões perplexitantes, e em poltronas de molas macias. O homem perplexo, afundado em couros, fica atolado tanto de corpo como de alma, o que confere à situação dele essa unidade que nossa natureza pede insistentemente, a todo propósito.

“É verdade que tal unidade não vai aí sem alguma contradição. As perplexidades constituem para a mente um atoleiro penoso. Um purgatório. Por vezes quase um inferno. Pelo contrário, os couros e as molas proporcionam ao corpo cansado um atoleiro delicioso, reparador. Mas essa contradição não fere a unidade. E diminui o tormento do homem, em vez de o acrescer.

“Para prová-lo ao leitor, bastaria a este imaginar quão pior seria a situação de um homem perplexo, sentado num duro banco de madeira...

“Ocorreu-me isto tudo ao recordar que, numa noite destas, chegado ao termo o jantar, resolvi refletir sobre a situação nacional, atoleiro no sentido mais preciso e sinistro do termo. E para isto me afundei instintivamente em uma profunda e macia poltrona de couro. Comecei então a pensar...

“A ronda macabra dos vários problemas pátrios, ideológicos, sociais e econômicos, começou a dançar em meu espírito. A fim de ver claro, eu procurava deter a feia ciranda, de modo a analisar uma por uma as várias que a formavam. Mas estas pareciam fugir a toda avaliação exata, executando cada qual, diante de meus olhos por fim fatigados, um movimento convulsivo à maneira do ‘delirium tremens’. Pertinaz, eu insistia. Mas elas, não menos pertinazes do que eu, aumentavam seu tremor, e de repente retomavam em galope sua ciranda”.

“Febre? Pesadelo? O certo é que me senti subitamente em presença de um personagem muito real, de carne e osso...”

––Era você, comunismo, só que 20 anos mais moço que hoje. Mas continuemos a leitura do artigo:

"Entrei pelas cúrias...e prosperei nas cúpulas, porém a maior parte da miuçalha carola me vai escapando"

1–Dedo indicador: infiltração nos meios católicos

“E eu, que tinha intenção de comunicar aos leitores o resultado de minhas lucubrações, fiquei reduzido a contar-lhes o que este personagem me disse.

“O tal homem atemporal me tratava de você, com uma certa superioridade que tinha seu tantinho de irônico e de condescendente. E, pondo em riste o indicador curto e pouco limpo da mão direita, como para me anunciar uma primeira lição, sentenciou:

"‘Saiba que eu, o comunismo, fracassei neste sossegado Brasil. O PC é aqui um anão que dá vergonha. Por isso, evito de o apresentar sozinho em público. O sindicalismo não me adiantou de nada. Possuo muitos de seus chefes, mas escorre-me das mãos o domínio sobre suas bases bonacheironas (pacifistas, diria você).

 “‘Entrei pelas cúrias, pelas casas paroquiais, seminários e conventos. Que conquistas eu fiz! Mas ainda aí prosperei nas cúpulas, porém a maior parte da miuçalha carola me vai escapando’”.

As prisões não são mais garantia de segurança para os cidadãos de bem. Os últimos acontecimentos nos presídios do Rio estarreceram o País

— E então, seu velho? Percebe como esta verdade foi inteiramente confirmada? Hoje tal realidade é ululante, e a esquerda católica se engajou declaradamente a favor de movimentos de conotação socialista, como o MST, por exemplo. Mas é igualmente realidade que, apesar de todo seu esforço para interpretar a Bíblia segundo o marxismo, promover ritos com caráter nitidamente igualitários, indispor os pobres contra os ricos, fechar inteiramente os olhos para a imoralidade, favorecendo o amor livre, a corrupção dos costumes etc., as bases católicas se recusam a se comunistizar. Isto, velho comuna, você continua não podendo negar.

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