Novembro de 2002
Lider do MST tenta escapar, mas é preso// A "educação entre os sem-terra// Antigo comunista quer rever indenizações
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Informativo Rural
Foragido por mais de 100 dias, José Rainha, após resistência, foi preso em 5 de setembro último

Líder do MST tenta escapar, mas é preso

Depois de estar foragido por mais de 100 dias, o líder do MST, José Rainha Júnior, foi preso em 5 de setembro. Ao ver a polícia, tentou escapar pela porta dos fundos e correu, até ser dominado. Resistiu à ordem de prisão e teve de ser agarrado à força, detido e algemado. O delegado se machucou ao pular cerca para prendê-lo.

É acusado dos crimes de formação de quadrilha, furto, constrangimento ilegal e danos. Já propôs um verdadeiro levante no campo, com o bloqueio de agências bancárias, e estradas e invasões de fazendas. Por mais de uma vez teve o pedido de prisão decretada e foi a julgamento em duas ocasiões, acusado de duplo homicídio: na primeira foi condenado, e depois absolvido. Testemunhas o acusaram também de “ameaçar” pequenos agricultores independentes para que abandonassem lotes na fazenda Guaná Mirim, no interior paulista, onde o MST pretende ter o monopólio dos assentamentos.

Rainha começou sua militância nas Comunidades Eclesiais de Base em Linhares (ES). Considera-se um discípulo de Frei Betto.

 “O MST tanto sabe que comete ilícitos, que não tem personalidade jurídica para não ser penalizado na Justiça”, afirmou o Promotor de Justiça Marcelo Creste.

 

Antigo comunista quer rever indenizações

O senador Roberto Freire, do PPS — antigo PCB, que mudou de rótulo, mas não consta que tenha mudado de ideologia — está preocupado em pagar o menos possível pelas desapropriações de terras.

Ele apresentou um projeto de lei para que o INCRA possa requerer a revisão judicial dos valores atribuídos às desapropriações para Reforma Agrária. Mesmo aquelas que já constituem precatórios judiciais pendentes de pagamento!

Se aprovado, teremos uma acentuação do caráter confiscatório da Reforma Agrária brasileira.

Como é sabido, o INCRA costuma oferecer o menos possível pelas terras e protelar o quanto pode o pagamento das indenizações, utilizando para isso todos os recursos judiciais imagináveis. Com isso, como é natural, o valor a ser pago ao proprietário expropriado aumenta com a correção monetária e os juros. É uma pequena compensação ao produtor, a quem foi arrancada sua terra e que fica por vezes anos à míngua, sem receber nada.

Freire alega que o preço não pode ultrapassar o valor de mercado. Tal argumento — visto só sob o ângulo do preço, sem considerar os outros aspectos injustos da Reforma Agrária — seria defensável se o INCRA pagasse logo. Mas, dado o vezo de mau avaliador e mau pagador do INCRA, não se sustenta.

Ex-ministro Raul Jungmann

Um leão da gastança em publicidade

Durante a gestão de Raul Jungmann à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário, favelas rurais proliferaram por todo o Brasil, num testemunho eloqüente do fracasso da Reforma Agrária.

Jungmann, porém, mostrou-se um leão da publicidade. Gastou R$ 6,5 milhões em propaganda, só nos primeiros quatro meses de 2002. Acontece que essa era a verba do Ministério para publicidade durante todo o ano. Seu sucessor tem de fazer um jejum de propaganda durante oito meses!

 

A “educação” entre os sem-terra

Em Governador Valadares (MG) será aberta uma escola para os sem-terra, com nítida conotação ideológica. Com o título pomposo de Centro de Formação e Capacitação dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de Minas Gerais, visará “fortalecer a organização coletiva”. Como se sabe, o coletivismo é uma das metas dos regimes comunistas. Para a abertura desse estabelecimento, foi feito um convênio entre o prefeito João Fassarella, do PT, e o setor de Cidadania e Direitos Humanos do Instituto de Terras mineiro. Um dos líderes do MST, Lucimar Pereira, comentou que “o Centro vai ser importante para a formação política do nosso povo” (“Hoje em Dia”, Belo Horizonte – MG, 2-8-02).

*

Os “sem-terrinha” são crianças que o MST habitualmente usa como propaganda de suas ações. Eles também têm de aprender. Em Perus (SP), 290 crianças e adolescentes acamparam para aprender. O quê? Segundo uma das monitoras (professoras), Fátima da Silva, “o aprendizado vai desde a organização do acampamento até o que estamos reivindicando e nossas lutas”. Trata-se de um ensino de tipo confessional: “Nós pretendíamos usar nossos monitores, porque temos uma metodologia de ensino”, disse ela. A metodologia é a do marxista brasileiro Paulo Freire. A figura do guerrilheiro Che Guevara está por toda parte (cfr. “Jornal da Tarde”, 31-7-02).

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