Maio de 1997
Frei Betto, ex-Frei Boff e o Padre excomungado...
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Frei Betto, ex-Frei Boff e o Padre excomungado...

O Pe. Tissa Balasuriya, de Sri Lanka (antiga ilha do Ceilão), encontra em Frei Betto, aqui no Brasil, um ardente defensor

C.A.

Uma regra de psicologia – e também de teologia – nos ensina que as pessoas que pensam do mesmo modo, tendem a unir-se e a defender-se mutuamente.

O grande São João Bosco, que além de santo era também fino pedagogo, observava essa regra até entre seus birichini.

Meninos vindos em geral de camadas bem modestas da população e sem qualquer relacionamento prévio entre si, os birichini só passavam a conhecer-se nos oratórios, espécie de internatos mantidos pelo santo para formação cristã da juventude.

Porém, São João Bosco observava que, se dois desses meninos, vindos de cidades diferentes, de idades diferentes, tinham em comum a má índole de seu caráter, em pouco tempo ambos estavam juntos e formando uma espécie de panela subversiva dentro do oratório.

É esta uma regra, velha como a natureza humana, muito bem formulada pelo ditado latino "similis simili gaudet" – o semelhante se alegra em estar com seu semelhante.

Exemplo bem característico desta atração dos maus entre si encontra-se no artigo em que Frei Betto defende o Pe. Balasuriya (cfr. "O Estado de S. Paulo", 26-2-97), recentemente excomungado pela Santa Sé. Curiosamente, no mesmo artigo o frade dominicano toma também as dores do "teólogo Leonardo Boff", sem aludir entretanto ao fato de que este último já abandonou o sacerdócio e a Igreja. Estaremos mais uma vez diante do "similis simili gaudet"?

Frei Betto – que se tornou conhecido no Brasil após suas implicações com os comunistas de Marighella – omite dizer que a excomunhão do padre Balasuriya não é apenas "um caso" entre a Santa Sé e o sacerdote sri-lankês, mas que este último já vinha tendo suas heresias apontadas pela própria Conferência Episcopal de Sri Lanka.

A excomunhão se deu após um processo de vários anos, durante o qual o padre herético no aceitou as "observaçöes" que lhe foram enviadas em julho/94 pela Congregação da Doutrina da Fé, negando-se também a assinar uma profissão de fé que posteriormente lhe foi enviada pela mesma.

Na verdade, o que o Pe. Balasuriya escreveu em seu livro Maria e a libertação do homem -- motivo da condenação – é conseqüência lógica dos erros que a todo momento vemos defendidos por elementos clericais da chamada corrente progressista. Tais elementos, menos ingênuos talvez que o padre sri-lankês, não costumam escrever tudo o que pensam, preferindo muitas vezes manter-se nas insinuações.

As acusações ao excomungado são de fato da maior gravidade: "Não reconhecer o caráter sobrenatural de Cristo, pôr em dúvida Sua filiação divina, recusar o dogma do pecado original e minimizar o papel de Maria na história da salvação", além de equiparar Nosso Senhor Jesus Cristo a Buda e Krishna e querer a implantação de mulheres-sacerdotisas ("L'Actualité Religieuse", Paris, 15/2/97).

A excomunhão do Pe. Balasuriya nos leva, por fim, a considerações de ordem teológica, da maior importância para a vida prática. Trata-se de uma superior constatação da regra do "similis simili gaudet", feita pelo grande apóstolo marial do século XVIII, São Luís Maria Grignion de Montfort.

Descreve ele um enorme contingente de homens que, "embora divididos todos entre si, ou pelo afastamento dos lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses, se unem, entretanto, e se ligam até à morte" para fazer guerra a Deus ("Oração Abrasada").

Também a São João Bosco e a São Luís Grignion poderia aplicar-se, a seu modo, a regra do "similis simili gaudet", só que na união feita com base na verdadeira Fé católica.

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