Abril de 2002
Teodósio I, o Grande
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Grandes Personagens
O Imperador Teodósio, o Grande, com Valentiniano II e Arcádio (388 d. C.) — Academia de Arte, Madri

Teodósio I, o Grande

José Maria dos Santos

Imperador romano nascido na Espanha, Teodósio, cognominado o Grande, eliminou os últimos vestígios de paganismo, pôs fim à heresia ariana no Império, pacificou os godos, tendo reinado no século IV como um soberano justo e poderoso.

Se coube a Constantino conceder a liberdade à Igreja até então perseguida, e favorecê-La, tocou a Teodósio consumar essa liberdade cristianizando o Império. Declarou fora da lei os pagãos e combateu todas as heresias que pulularam durante seu reinado. Extraordinário governante e guerreiro, com autêntico zelo em prol da Religião verdadeira. Em seu reinado
concretamente consumou-se a vitória do Cristianismo e teve início seu apogeu na História. Se cometeu algumas faltas graves, levado por seu temperamento fogoso, soube entretanto humilhar-se e penitenciar-se.

Filho de Honório Teodoro, general do exército imperial, e de Termância, ambos espanhóis e católicos convictos, num tempo eivado da heresia ariana, Flávio Teodósio nasceu no ano de 346 na província de Segóvia.

Acompanhou o pai em guerras na Bretanha e na África. Por seu valor e precoce talento militar, tornou-se um dos melhores generais do Império, recebendo o cargo de governador de Mésia.

Quando seu pai caiu em desgraça e foi executado, em 376, vítima de uma conspiração de palácio, Teodósio retirou-se para sua propriedade rural na Espanha. "Virtuoso, sóbrio, trabalhador, rico e liberal, Teodósio socorreu seus compatriotas com seus conselhos e fortuna"1. Casou-se então com Élia Flacila, de quem teve dois filhos, Arcádio e Honório, e uma filha, Pulquéria.

Entretanto, a derrota e morte do imperador romano do Oriente, Valente, frente aos godos, e o perigo pelo qual passava o Império, levou o jovem imperador romano do Ocidente, Graciano, a lembrar-se de Flávio Teodósio. "O estado do Império — escreve o historiador francês Ernesto Gregóire — era tão desesperado, que só por abnegação Teodósio acabou por aceitar a rude tarefa de remediar os imensos males provocados pela falta de Valente"2. Fora o maior desastre romano em quase 600 anos. O Oriente ficara sem defesa3.

Campeão da ortodoxia4

Teodósio, então com 33 anos, foi nomeado imperador do Oriente em 378. Imediatamente começou a reorganizar seu exército, restabelecer a disciplina, e, malgrado nova invasão dos godos em 380, soube manter o prestígio romano, firmando com os invasores uma paz honrosa. Venceu também os vândalos e hunos. Em 382, estabeleceu a paz com os visigodos, transformando-os em soldados do Império.

Atacado por grave doença em Tessalônica, pediu o batismo, que naquele tempo se recebia em idade mais avançada ou em perigo de vida. Mas não quis recebê-lo senão das mãos de um bispo inteiramente ortodoxo em suas doutrinas. Quando São Asculo apareceu para ministrá-lo, ele quis que este antes fizesse uma profissão de fé formal e terminantemente católica. Poucos dias depois de ter recebido esse Sacramento, o imperador ficou inteiramente recuperado.

Imperador "cristão [...] apaixonado, a política religiosa tem grande parte em seu reino. Preocupado em estabelecer a unidade religiosa em seu Império, desde o princípio ele atacou os hereges"5. Assim, em 380 promulgou uma lei, a qual estabelecia ser "sua vontade que todos os povos submetidos a seu cetro abraçassem a Fé que a Igreja romana havia recebido de São Pedro, e que ensinavam então o papa Dâmaso e Pedro de Alexandria"6. Os locais de reunião dos hereges não podiam mais chamar-se templos.

Tendo conhecimento de que a maior parte das igrejas de Constantinopla estava nas mãos dos hereges arianos, impôs ao arcebispo da cidade, partidário dessa heresia, que as entregasse e também abandonasse a cidade. São Gregório Nazianzeno passou então a administrar a arquidiocese.

Em 381 Teodósio ordenou ao prefeito de Constantinopla que fechasse todas as capelas arianas da cidade e dispersasse seus adeptos.

As severas medidas do imperador, contudo, não se voltaram apenas contra os arianos, mas visavam ainda os maniqueus e outros hereges. Nesse mesmo ano, convocou o Concílio de Constantinopla para fixar e completar o Credo de Nicéia e pôr termo a várias questões dogmáticas pendentes.

Em 383 o imperador do Ocidente, Graciano, foi assassinado em Lion, tendo Clemente Máximo usurpado o título imperial. Como este pertencia à estirpe de imperadores, Teodósio, para evitar outra guerra fratricida, aceitou reconhecê-lo, caso ele cedesse a Itália e a África para Valentiniano II, irmão de Graciano, o que foi aceito.

Embora católico convicto e fervoroso, e favorecendo os cristãos em tudo o que podia, Teodósio entretanto concedia altos cargos também a pagãos competentes.

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