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A pretexto do combate à globalização
Renasce a luta de classes
Fórum Social Mundial de Porto
Alegre, berço de uma neo-revolução anárquica
Com o título em epígrafe, foi publicado
recentemente um ensaio* sobre a nova rede internacional das
esquerdas. O II Fórum Social
Mundial, a realizar-se de 31 de janeiro a 5 de fevereiro em
Porto Alegre, onde estarão presentes corifeus dessas correntes
no mundo inteiro, torna a obra da maior atualidade. Apresentamos aos
leitores de Catolicismo um
resumo desse importante estudo.
Guilherme da Penha
As agitações e o quebra-quebra
realizados por movimentos de extrema esquerda em Seattle (EUA) e
Göteborg (Suécia), e em Gênova (Itália) por
ocasião da reunião dos chefes de Estado do G-8,
chamaram a atenção da opinião pública
mundial para um fenômeno que vinha despontando nos últimos
três anos.
Agitação e quebra-quebra em Gênova (Itália). Uma contestação inusitada e violenta à globalização e à atual ordem econômico-social, rotulada de "neo-liberal".
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É uma contestação inusitada e
violenta à globalização e à atual ordem
econômico-social, etiquetada de "neoliberal".
Contestação essa levada a cabo por grupos diversos,
muitos dos quais não pareciam ter nexo entre si, e outros que
até há pouco nem sequer existiam. O conjunto desses
agrupamentos mobiliza dezenas de milhares de ativistas contestatários
nos vários continentes, à procura de ocasiões
propícias para prosseguir sua agitação, que está
atingindo auges crescentes.
Bem observado o fenômeno, constata-se que a
globalização serve de pretexto para formar, impulsionar
e articular tais grupos, que vão constituindo nova, possante e
perigosa rede internacional de esquerda de cunho anarquista, cujo
pensamento e sistema foi delineado pelas intervenções e
documentos publicados no I Fórum Social Mundial (FSM),
realizado em Porto Alegre em janeiro de 2001. Na esteira desse
evento, realizou-se igualmente na capital gaúcha, o Fórum
Mundial de Educação (FME), em outubro desse mesmo ano.
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O ensaio, objeto deste artigo, denuncia esse esforço
mundial para criar uma nova Internacional Comunista, desde já
denominada nos meios da esquerda radical de Internacional Rebelde. De
fato, é o próprio comunismo que ressurge, porém
metamorfoseado. Levando como companheira de viagem a "esquerda
católica", tais forças procuram se recuperar do
trauma sofrido com a queda do império soviético, para
se reagrupar e passar à ação.
Chefes de Estado do G-8.
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A ocasião é bem escolhida, posto o
descontentamento profundo no mundo de hoje com algumas das
conseqüências da globalização, como a perda
de identidade das nações, o crescente movimento
migratório e a penetração dos efeitos das crises
econômicas de certos países em muitos outros, por vezes
ameaçando transformar-se numa crise geral.
Porém, junto às críticas feitas
à globalização, essas forças lançam
violentos ataques contra o próprio capitalismo, visando
destruir seus fundamentos, que são da própria ordem
natural: a propriedade privada e a livre iniciativa.
No dizer dos representantes de tais forças, o
combate não é dirigido contra toda forma de
globalização, mas contra a globalização
capitalista; vêem eles até com simpatia a de índole
socialista. Os novos contestatários também querem uma
globalização, mas de tipo anárquico-tribal, que
absorva as nações, acabe com as autoridades e favoreça
as pequenas comunidades autogestionárias, totalmente
igualitárias.
O referido ensaio, objeto deste artigo, rejeita o
falso dilema, muito repetido pela mídia, de que é
preciso optar entre "global" e "não global".
Como veremos, entrar nesse debate tomando posição de um
lado ou de outro, sem as devidas ressalvas, já é
aceitar o falso dilema e se deixar confundir por ele.
O estudo, baseado em farta e sólida
documentação, poderá ser adquirido por quem o
desejar, através do seguinte site: http://www.tfp.org.br/
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Promotores da agitação
antiglobalista
O conteúdo deste artigo, cuja importância
e atualidade é desnecessário acentuar, supõe
uma explicação sintética preliminar, que
apresentamos abaixo, sobre os principais organismos, publicações
e líderes da nova rede internacional das esquerdas, à
qual já se tem atribuído a denominação
Internacional Rebelde. Sem essa conceituação
inicial, não seria fácil ao leitor compreender a
estrutura, os métodos de ação e os objetivos
desse movimento de agitação mundial, que ainda não
é bastante conhecido por todos os setores da opinião
pública.
Fórum Social Mundial
Conjunto de entidades que organiza, entre outras iniciativas, os
eventos realizados em Porto Alegre. É formado pela ATTAC,
pelo MST, pela CUT, pela COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ da
CNBB, pela ABONG (Associação Brasileira de
Organizações Não Governamentais), pela
CIVES (Associação Brasileira de Empresários
pela Cidadania), pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas) e pela REDE DE JUSTIÇA SOCIAL
E DIREITOS HUMANOS.
ATTAC (Associação por
uma Taxa às Transações financeiras
especulativas para Ajuda aos Cidadãos). Entidade
francesa, contando com filiais ou entidades similares em 23
países, 15 deles na Europa. De início, a
finalidade dessa associação constava em seu
título. Hoje visa ela ser "uma universidade popular
voltada para a ação", rearticulando grupos da
esquerda em todo o mundo para agir conjuntamente, seja cada um
no próprio país, seja mobilizando ativistas para
atuar contra os eventos que promovem a globalização,
seja para protestar contra esta nas nações que
enfrentam crises financeiras.
"Le Monde Diplomatique"
Mensário francês esquerdista. São publicadas
dele 20 edições em 10 línguas, com uma
tiragem total de 1.200.000 exemplares. Sua versão
italiana é difundida por "Il Manifesto",
periódico declaradamente comunista. A edição
francesa conta só com oito redatores, mas apela para a
colaboração de mais de 3.000 esquerdistas
espalhados pelo mundo. Seu diretor, Ignacio Ramonet, e seu
redator e diretor administrativo, Bernard Cassen, são,
sem dúvida, as pessoas de maior projeção
tanto da ATTAC quanto do periódico.
Noam Chomsky Um dos mais
salientes intelectuais anticapitalistas da atualidade.
Declara-se "socialista libertário", sendo
qualificado por seus próprios seguidores como "o
mais conhecido dos anarquistas contemporâneos".
Questiona todas as instituições sociais, que
define como "opressivas", e propugna diretamente seu
desmantelamento, caso elas não possam provar o contrário.
Ademais, postula o sistema autogestionário e combate
fortemente a política exterior norte-americana.
Toni Negri Militou nos anos
70 em vários grupos comunistas próximos ao
terrorismo. Em vista disso, foi julgado e condenado pela Justiça
italiana, por ocasião do seqüestro e assassinato de
Aldo Moro. Embora preso, foi eleito deputado, sendo então
libertado em virtude da imunidade parlamentar. Quando esta foi
eliminada para reconduzi-lo ao cárcere, fugiu para a
França, onde se exilou durante vários anos,
entrando nessa ocasião em contato com os adeptos do
pós-estruturalismo. Conheceu nessa época Michael
Hardt, um norte-americano com o qual escreveu a mais conhecida
de suas obras, Império. Recentemente, voltou à
Itália para cumprir, em regime de semi-liberdade, a pena
a que havia sido condenado.
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