Fachada da Catedral de Sevilha
Uma fortaleza meio eclesiástica e uma igreja meio fortaleza
Plinio Corrêa de Oliveira
Esta fotografia (foto 1) evoca um antigo provérbio português: “Quem não viu Sevilha, não viu maravilha”.
Chamam a atenção na Catedral de Sevilha as duas torres laterais muito ornadas. Entre elas, nota-se um espaço com fundo claro e um gradeado muito bonito de ogivas e rosáceas que estabelecem o contraste do muito simples com o muito ordenado. Uma grande travessa com imagens de santos, com dosséis no alto, também muito ornada (foto 2). Por cima desse fundo simples salienta-se o portal com um triângulo magnífico que é uma expressão da ogiva. Embaixo, uma porta ogival profunda. A meu ver, o aspecto belo dessa porta consiste em ter algo de monumental (foto 3).
As torres têm muita altivez e levantam-se do solo com decisão e galhardia. Tem-se a impressão de que elas seguram o chão como garras, e que sobem ao céu com segurança e despreocupação em relação ao perigo de cair. Elas sustentam o peso sobre si com facilidade. Mais ainda, parece que elas olham do alto de si mesmas para a terra e para os pobres transeuntes numa atitude de desafio, como quem diz: “Se ousas, experimenta me enfrentar; só pela minha fisionomia te afugento”.
Os arcos, arrimos das torres, são transformados pelos arquitetos em verdadeiros ornatos. Há qualquer coisa que lembra a entrada de uma fortaleza nesse magnífico portal. Uma fortaleza meio eclesiástica e uma igreja meio fortaleza realizam uma síntese admirável: os mais altos valores do espírito defendidos pela força e inseridos dentro da luta. Um combate ao pé da letra, em que a pessoa se entrega ao total risco de vida.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de janeiro de 1977. Sem revisão do autor. |