Julho de 2008
 
Plano para internacionalizar a Amazônia
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Nacional

Plano para internacionalizar a Amazônia

Fatores determinantes da campanha pró internacionalização da Amazônia brasileira: mídia internacional, reservas indígenas e principalmente esquerda católica.

Cid Alencastro


Ao analisar, em 1987, o projeto de Constituição que depois se cristalizou na atual Carta Magna, Plinio Corrêa de Oliveira denunciava “a existência de um plano arquitetado, dentro e fora do País, com vistas à internacionalização da Amazônia e sob pretexto da defesa das prerrogativas indígenas”.

Citando o então Ministro da Justiça, Paulo Brossard, o Prof. Plinio salientava ainda que “a emenda constitucional patrocinada [na época] pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) ‘comprova a existência de plano preparado pelos que imaginam solapar a soberania nacional por conta de seus interesses’” (Projeto de Constituição Angustia o País, Cap. VII; item 7: Concepção hipertrofiada dos direitos dos índios: ameaça à soberania nacional).

Em resumo: 1) já naquela data, era patente a existência de uma ameaça à soberania nacional sobre a Amazônia; 2) a internacionalização desse precioso pedaço de chão brasileiro estava sendo arquitetada “dentro e fora do País”; 3) dentro do País, um dos atores mais evidentes dessa pressão para entrega da Amazônia era o Cimi, órgão da esquerda católica ligado à CNBB; 4) o pretexto alegado era a defesa das prerrogativas indígenas.

Estamos em 2008, e aquilo que era um alerta vai, por não ter sido ouvido, cristalizando-se numa profecia.

Jornais de Londres e Nova York falam em internacionalização

A título de exemplo, vejam-se estas notícias:

1) “Uma coisa tem que ficar clara. Esta parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros. Se perdermos as florestas, perderemos a batalha contra as mudanças climáticas”. A afirmação é do jornal “The Independent”, de Londres, em artigo intitulado Salvem os pulmões de nosso Planeta (15-5-08). E acrescenta: “A Amazônia constitui um precioso recurso para o mundo todo, e sobre a qual nós devemos tomar as responsabilidades”. É como dizer: a casa do meu vizinho constitui um precioso recurso para mim, logo vou invadi-la.

2) Com o título De quem é a Amazônia, afinal?, o jornal norte-americano “The New York Times” (18-5-08) diz que “um coro de líderes internacionais tem declarado cada vez mais abertamente que a Amazônia faz parte de um patrimônio mais amplo do que o das nações que dividem seu território”. E cita o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que em 1989 afirmou: “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não pertence a eles; ela pertence a todos nós”.

Reservas indígenas causam muitas preocupações

Ante tais ameaças, a existência de extensas e desprotegidas reservas indígenas na Amazônia aumenta as preocupações.

É evidente que, para o próprio bem dos índios, deveriam ser normalmente integrados à civilização e catequizados aqueles que ainda não o foram, pois são eles parte da população brasileira, e não tem sentido permanecerem confinados em guetos, para ali vegetar numa vida infra-humana. Mas, além disso, há o problema muito sério de que os índios não teriam como resistir a uma investida estrangeira.

Já não falo de uma investida armada, contra a qual arcos, flechas e bordunas não fariam melhor figura do que peças de museu; mas falo de uma “imigração” insidiosa, patrocinada por ONGs suspeitas que, uma vez estabelecidas na Amazônia como em território próprio, facilmente se aproveitam da ignorância e do pequeno número de indígenas em cada reserva imensa, para tentar aí a aventura de um estado comuno-indígena, independente e mesmo contrário ao Estado brasileiro.

O governo brasileiro fica aquém do momento histórico


Ante a estranheza que se vem levantando na opinião pública nacional em face de tais manobras, o presidente Lula tem feito uma ou outra afirmação no sentido de que a Amazônia é brasileira. Mas essas afirmações não têm o timbre da indignação e da força que a gravidade da situação e o interesse do País exigem. Sobretudo não se vê que estejam sendo tomadas medidas à altura do perigo.

A preocupação ecológica com a biodiversidade não pode virar uma mania e um despropósito, a ponto de nos cegarmos para outras realidades mais altas, como a defesa da integridade do território nacional ameaçada, bem como a preservação da nacionalidade e dos valores que ainda nos restam da Civilização Cristã.

Essa posição tíbia do governo, que deixa muito a desejar, estadeia-se francamente contrária aos interesses nacionais quando se trata da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Chama a atenção o esforço quase desesperado do governo em retirar daquela parte da Amazônia os brancos, negros e pardos, como se aquele território não pertencesse mais ao Brasil.

A esquerda católica manipula a questão indígena

A grande fautora dessa política indigenista na Amazônia é sem dúvida a esquerda católica.

Seu ativismo de incitamento de índios contra brancos, numa velada mas autêntica luta de raças, já teve uma conseqüência bastante violenta em Altamira, no Pará, por ocasião de um encontro para discutir a construção de barragens na bacia do rio Xingu. Quando o engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende, terminou sua palestra, “índios de diversas etnias, sobretudo caiapós, levantaram-se e começaram a gritar, cantar, dançar em círculos e se aproximar lentamente de onde estavam os palestrantes. Armados de facões e bordunas, eles cercaram o grupo e não deixaram ninguém sair” (“Folha de S. Paulo”, 21 a 23-5-08). Como se vê, um ritual para pegar a vítima. “O engenheiro teve a camisa rasgada, foi chutado e teve um corte profundo no braço”.

O incrível é que “a confusão era acompanhada por policiais militares, que não intervieram”. Como é sabido, o governo estadual do Pará está em mãos do PT.

Quem forneceu esses facões aos índios? Segundo o delegado Jorge Eduardo Ferreira de Oliveira, o padre espanhol Joseba Andoni Ledesma Sanchez e o secretário do Cimi em Altamira, José Cleanton Curioso Ribeiro, aparecem em imagens gravadas por uma loja de Altamira comprando três facões, acompanhados por um índio. O delegado da PF disse que as imagens são um indício forte de que houve ajuda aos índios na compra do material”.

O “argumento”: Quia nominor leo

Ante tais indícios de envolvimento de um sacerdote e do Cimi, seria de esperar que algum bispo tomasse providências enérgicas, da parte da Igreja, para apurar o ocorrido e punir os responsáveis. Aconteceu o contrário.

“O bispo da prelazia do Xingu e presidente do Cimi, Erwin Krautler, disse ontem que ‘para os índios, os facões não são armas, são uma ferramenta usada como adereço em suas manifestações’. Ele eximiu o padre e o funcionário do Cimi de qualquer culpa. ‘Eles são gente minha’”.

Ficamos então sabendo que facões são... instrumentos de propaganda. Seria uma manifestação propagandística esfaquear o engenheiro da Eletrobrás? Quanto aos sacerdotes e demais integrantes do Cimi, segundo D. Krautler, são inimputáveis, pois “são gente minha”! Lembra a fábula do leão que, vendo cair por terra todos os argumentos que apresentava para comer o cordeiro, apresentou o argumento decisivo: Quia nominor Leo (Porque me chamo leão).

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão