Os videntes de Nossa Senhora Alguns estereótipos são difíceis de mudar, especialmente aqueles criados por má fé contra a Igreja. Exemplificando com a história de privilegiadas testemunhas de aparições. Valdis Grinsteins
Santa Catarina Labouré
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Uma pessoa que não tem fé, e pelo contrário age com má fé a respeito de tudo o que faz a Igreja Católica, dizia-me que uma das provas de as aparições marianas não serem verdadeiras, mas mera fantasia, era que a maioria dos videntes são mulheres; mais ainda, mulheres jovens, desejosas de notoriedade, sem formação intelectual suficiente. Tal argumento revela uma ignorância notória, uma vez que têm sido feitas várias análises sobre pessoas que viram Nossa Senhora em alguma de suas aparições ao longo dos séculos, e nenhuma delas revelou maioria de mulheres. Menos ainda que se tratava de mulheres ignorantes, segundo esse mal intencionado intérprete. Por exemplo, G. Besutti fez uma análise dos santuários medievais marianos da Itália,(1) e concluiu que na origem de alguns desses santuários está uma maioria de homens adultos que dizem ter tido uma aparição. Outro estudo sobre o tema, feito por Michael P. Carroll,(2) chega a conclusões semelhantes. Especificamente, diz ele que na época das aparições os seus beneficiários são mais homens do que mulheres (58% contra 42%) e mais adultos do que jovens (62% com mais de 18 anos, 38% com menos). Mais um dado concreto: quando a aparição se dá numa terra de missão, ou seja, onde os católicos são minoria e se realiza apostolado para converter as pessoas à nossa Religião, como regra as aparições beneficiam pessoas adultas, e a maioria delas são homens.(3) Subterfúgios dos objetantes
Jacinta, Lúcia e Francisco
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Mas o argumento dos opositores da Religião Católica é mais de caráter psicológico do que estatístico ou de falta de informação. Na realidade, eles não querem que a aparição seja verdadeira, pois daí decorreria que uma série de verdades que a Igreja ensina e uma série de regras morais que a Igreja defende têm de ser por eles admitidas como verdade. Como não há pior cego do que aquele que não quer ver, assim também não há pior adversário das aparições do que aquele que tem interesse pessoal em que não sejam verdadeiras. Para estes, não há prova que valha, e automaticamente buscam desacreditá-las. Por isso, aferram-se a um fato que é verdadeiro — por exemplo, que há aparições de Nossa Senhora a moças, e que algumas eram de pouca cultura — para generalizar a partir daí e concluir que todas as aparições têm esse mesmo caráter. Algum ingênuo poderia perguntar: sendo assim, por que Nossa Senhora não aparece para pessoas cultas, para algum gênio com curso superior, de forma a calar esses opositores? A resposta é que não adiantaria, porque eles simplesmente mudariam de argumento, continuando aferrados à sua crítica à Igreja. Por exemplo, em vez de dizer que “ela é jovem e ignorante, não sabe do que fala”, passariam a dizer que esse vidente culto “é um espertalhão, que sabe todos os truques e está preparado para responder com mentiras inteligentes”. Uma prova disso é que os opositores da Igreja sabem que Nossa Senhora também apareceu várias vezes a Santo Antonio Maria Claret (1807–1870), Arcebispo de Santiago de Cuba, autor de 15 livros e outras 81 obras, sem contar as obras que traduziu de outras línguas.(4) Mas essa prova de erudição e cultura não os vai convencer nem converter. Poderão alegar que ele, tão inteligente, soube sair de numerosos problemas enquanto confessor da rainha da Espanha, que era muito esperto, e se não o contradisseram as pessoas anticatólicas da época, não vai ser fácil contradizê-lo agora. Nossa Senhora tem aparecido também a pessoas sem cultura, para que as pessoas de boa fé constatem que eles dizem a verdade. A coerência dos videntes
Santa Bernadette Soubirous
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Não é possível a uma pessoa sem conhecimentos básicos de filosofia e teologia tratar de assuntos que envolvam essas ciências, sem dizer incoerências e disparates. Um exemplo bem conhecido: Santa Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes, foi encarregada pelo vigário de perguntar à “Senhora” que lhe aparecia qual era o seu nome. Tendo a Virgem dito que Ela era a Imaculada Conceição, no caminho de volta Bernadette foi repetindo este nome várias vezes, no seu dialeto das montanhas, porque não tinha idéia do que isso pudesse significar, e não queria esquecê-lo ao dar a resposta que o sacerdote pedira. Se ela quisesse fraudulentamente inventar um nome, diria simplesmente que a aparição se chamava Maria, e pronto. Nos numerosos interrogatórios a que foi submetida, ela não caiu em contradição. Com os videntes de Fátima aconteceu algo semelhante. Se o leitor contar a três crianças uma história simples, e pedir em seguida que cada uma a retransmita a um vizinho, verá que o resultado será uma mistura de variantes com ilogicidade, esquecimentos e incertezas, somado tudo isso à falta de conhecimentos da própria língua. Sendo fácil constatar que isto é assim, devemos acreditar estarem de boa fé os três pastorinhos. Como acreditar que eles iriam inventar uma história complicada e mantê-la sem incoerências, cada um isoladamente, frente à pressão de autoridades hostis? Além do mais, a própria vida deles sofreu radical mudança por causa disso. Basta não ser um cego de espírito para dar-se conta de que há algo aí que não pode ser uma simples mistificação. A fé não é imposta
Santo Antonio Maria Claret
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Nossa Senhora não impõe a fé de modo ditatorial. Deus quer ser amado pelo que Ele é, e não por interesse ou por medo. As pessoas que estão de boa fé, e sinceramente dispostas a ver, acabarão de uma forma ou outra concluindo pela veracidade da Religião católica. Por trás desta ou daquela aparição, verão sinais de algo superior, transcendental, até milagroso. Se Nossa Senhora simplesmente aparecesse de forma a ser impossível negar, todos aqueles que não querem ver revoltar-se-iam e cometeriam pecados ainda maiores, pois o véu atrás do qual se escondem tornar-se-ia vulnerável. Foi exatamente isso que aconteceu com Nosso Senhor. Quando ressuscitou Lázaro, o que tornava patente a sua divindade, decidiram matá-lo: “E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida” (Jo 11, 53). Tinha se tornado insuportável aos pecadores, ao provar que era Deus, senhor da vida e da morte.
Videntes de Nossa Senhora
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Por amor a esses mesmos pecadores, para evitar um endurecimento de alma tão maligno, Nossa Senhora, cumprindo um plano de Deus, aparece de forma que requer um mínimo de boa fé de nossa parte para acreditar. Mas não força ninguém, não nos coloca entre a espada e a parede. Como católicos, devemos rezar para que todos aceitem nossa santa Religião, e aqueles a quem a graça de Deus chamar, cumpram o que está na Sagrada Escritura: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus, 3, 5). E-mail do autor: valdisgrinsteins@catolicismo.com.br _______________ Notas: 1. G. Besutti, Saggio di ricerca sull´origine dei santuari mariani in Italia, De Cultu Mariano Sæculis VI-XI, vol. V, p. 290; apud Yves Chiron, Enquête sur les apparitions de la Vierge, Ed. Perrin-Mame, p. 37. 2. Michael P. Carroll, Visions of the Virgin Mary: the effect of family structures on Marian apparitions, Journal for the Scientific Studies of Religion, 1983, pp. 208-212; apud Yves Chiron, Enquête sur les apparitions de la Vierge, p. 37. 3. Yves Chiron, idem, ibidem. 4. http://www.ewtn.com/spanish/saints/Biograf%C3%ADa_de_Antonio_Mar%C3%ADa_Claret.htm |