| Cardeal de Richelieu Elevação de espírito meramente natural, com uma vontade ardente e determinada na execução Plinio Corrêa de Oliveira
Estamos diante de um quadro do famoso cardeal de Richelieu. É inútil procurar nesse personagem a consciência de uma missão divina, ou a noção de qualquer coisa transcendental que escape à vida humana. Sucede porém que, na época em que os homens tinham toda elevação sobrenatural, adquiriam também grande elevação natural. Quando o espírito sobrenatural cessou, a elevação natural continuou por algum tempo a existir. Há uma espécie de velocidade adquirida na virtude, mediante a qual os homens de cada geração, depois da apostasia da Cristandade, tornam-se piores que os da geração anterior. São Pio X exprimiu muito bem isso da seguinte maneira: um vaso do qual se retiram as flores, conserva durante algum tempo o perfume delas. Há nesta pintura a flor do sobrenatural? Não, ela está longe. Mas permanece um perfume Os olhos do personagem são grandes, luminosos, indicam uma vontade cheia de recursos, desejando de modo ardente aquilo que verdadeiramente quer, sendo determinado na execução. Não uma vontade com as veleidades moles de homens que almejam algo, e depois caem exaustos em cima de si mesmos. A dele é uma vontade determinada e intelectual. Um homem que é “todo olhos”, porque é “todo alma”. O corpo é até franzino. Mas o porte e o resto da figura exprimem bem essa alma, inclusive a capa que ele ostenta. Falta espírito sobrenatural, mas apesar disso, se encontrássemos esse homem em alguma sacristia, ficaríamos admirados com o aspecto que ele apresenta! ______________________________________________________ Excertos de conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Sem revisão do autor. | Armand-Jean du Plessis, Cardeal de Richelieu (1585 - 1642), duque e político francês, primeiro-ministro de Luís XIII (de 1628 a 1642); foi arquiteto do absolutismo na França e da liderança francesa na Europa. Consagrado Bispo de Luçon em 1607, foi orador do clero nos Estados Gerais de 1614, passando a fazer parte do conselho da regente Maria de Médicis por volta de 1616. Tornou-se cardeal em 1622. Fundador da Academia Francesa. Pintura de Philippe de Champaigne (1635), National Galery, Londres | |