| Graça e nobreza A graça sobrenatural é um apanágio dos santos; e a graça natural o é da nobreza; mas ambas podem ser muito difundidas na sociedade Cid Alencastro A graça, entendida em seu sentido sobrenatural, comunica à alma uma beleza excelsa que a torna agradável a Deus, pois é uma participação criada na vida divina. Essa beleza sobrenatural tem seu símile na mera natureza humana, de modo que a palavra graça, compreendida em sentido apenas natural, indica uma particular delicadeza da pessoa, que se reflete em mil imponderáveis de sua personalidade e de seu modo de agir. Nessa acepção, o dicionário Houaiss define graça como sendo “elegância e leveza de formas, do porte e/ou dos movimentos; graciosidade”. Não se confunde com a beleza física, é mais espiritualizada, e portanto mais elevada do que esta. Uma beleza interior que se vê no exterior
Graça e Nobreza.
A Arquiduquesa Maria Cristina da Áustria, no dia de seu casamento com o Conde Rodolfo de Limburg Stirum (6-12-2008), na Catedral de São Rumbold na Bélgica.
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Às vezes, uma narração bem feita pode dar melhor o sentido de uma palavra do que a fria definição de um dicionário. Transcrevo para o leitor uma pequena obra-prima de descrição, feita por uma senhora francesa. Com seus filhos, aos quais ela chama pitorescamente “meu bando”, ela visitava a cidade de Bastia, na Córsega: “Ontem, no labirinto das ruas de Bastia, eu acompanhava meu bando, quando minha filha maior fez esse pequeno gesto de acertar uma alça de seu vestido, com ar displicente. Tive o tempo justo de acompanhar o fim desse movimento. Ela é uma bela menina de nove anos, ainda mais bela quando vista pelos olhos de sua mãe, evidentemente. Mas possui, disso estou certa, uma qualidade inegável: a graça –– essa elegância que faz com que seu coque se desmanche sempre perfeitamente, que suas roupas ainda muito pequenas caiam com perfeição, e que em todas as circunstâncias ela conserve um chique infantil único. Não me canso de apreciá-la evoluir, constantemente atônita e maravilhada de ter podido contribuir, apesar de mim mesma, a tanta delicadeza”.
Graça, cultura, civilização...
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O blog onde se encontra essa descrição (Pensées de Ronde) é aberto a comentários. Eis alguns deles: “São esses ínfimos detalhes que revelam a elegância, a graça das pessoas!” “Sim, é bem isso a graça, ela se manifesta por vezes em pequenas coisas –– um gesto, um olhar, uma mecha de cabelos, um sorriso...” “Ela tem efetivamente, e mesmo de costas, aquilo que não se compra: a elegância da atitude. E às vezes eu penso que seria preciso dizer isso a algumas...” “A graça é a beleza interior que a gente vê no exterior”. Um dom natural a ser bem cultivado
Maria Stuart, rainha da Escócia.
Maria Antonieta, rainha da França.
Imperatriz Elisabeth (Sissi), da Áustria.
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A graça, neste sentido em que a estamos tomando, é um dom natural. Pode-se tê-la ou não. Entretanto esse dom pode ser cultivado, e com isso preservado e até aumentado, eventualmente adquirido, por uma educação esmerada. Tal é o apanágio da nobreza. Entre outros valores, é próprio da classe nobre praticar aquele tipo de ascese pela qual a graça sobressai, encanta e atrai. Daí certas soberanas serem famosas por sua graça, como a Rainha Maria Antonieta da França, Maria Stuart da Escócia e a Imperatriz Elisabeth (Sissi) da Áustria. Por ser um bem superior ligado à alma, mais excelente do que a beleza física, a graça hoje vai sendo desprezada, substituída por características mais próximas da animalidade, como a sensualidade. E-mail do autor: cidalencastro@catolicismo.com.br |