Janeiro de 2010
 
As respigadeiras
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Esplendores da Cristandade

As respigadeiras

Felipe Barandiaran


Na pitoresca localidade rural de Courrières, no norte da França, as tarefas da ceifa terminaram. Os homens do campo carregam os últimos fardos de trigo em suas carretas e queimam algumas sobras. Os aldeões estão agora autorizados, de acordo com o costume popular, a recolher o que sobrou da colheita: a respiga.

A tarefa é realizada por mulheres e crianças: algumas vão por necessidade, outras quase por divertimento.

O guarda-florestal ali está para assegurar a boa ordem, enquanto fuma distraidamente seu cachimbo. Veste jaqueta azul e chapéu bicorne, com sabre à cintura. A vara e o bracelete que ostenta são insígnias de sua autoridade.

Em primeiro plano destaca-se uma jovem mãe. A dignidade do seu porte reflete a virtude de uma vida cheia de esforços: simplicidade, força de alma, paz interior, aceitação serena de sua condição, na presença de Deus.

Na vila, o campanário da igreja aponta para o Céu e o som de seus sinos cobre de bênçãos os campos, enquanto marca as horas que passam.

 

Les glaneuses (As respigadeiras), 1854, de Jules Breton (1827-1906). O pintor retrata neste quadro sua vila natal de Courrières, situada no departamento de Pas-de-Calais. Seu pai trabalhava como capataz de uma propriedade agrícola, e sua mãe faleceu quando ele tinha quatro anos. Foi educado no respeito à tradição e aos costumes de sua terra, que soube transmitir à posteridade em magníficos quadros.

Aos 15 anos conheceu o pintor Félix Vigne. Impressionado pelo talento do jovem Jules, ele convenceu sua família a que lhe permitisse estudar na Academia de Belas Artes de Gand, na vizinha Bélgica, onde Vigne era professor. 16 anos mais tarde Jules casar-se-ia com Elodie, filha de Félix, convertendo-a em um de seus modelos favoritos.

O sucesso de Les glaneuses projetou a carreira do artista, despertando grande interesse entre os colecionadores americanos. Os trabalhos de Jules Breton o consagraram como pintor da vida rural, refletindo um mundo poético e romântico, carregado de tradições.

 

 

 

Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão