Dom Chautard Um religioso com o vigor do herói
Plinio Corrêa de Oliveira
Dom Chautard
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É um homem que parece um leão com as patas no solo e disposto a resistir. E, conforme o caso, avançar. Dom Chautard(*) está revestido com o lindo hábito branco dos cisterciences. Era superior de uma famosa abadia cistercience francesa: Nossa Senhora de Sept Fons. Quando certa vez fiz um retiro espiritual na França, numa cidadezinha do interior, passei diante da Abadia de Sept Fons. Eu tinha um enorme desejo de conhecer Sept Fons. Como era tarde da noite, ela já estava fechada, apenas pude venerar as portas fechadas do edifício e continuar a viagem. Na foto ele aparenta ter de 40 a 50 anos, mas está na força da idade. O rosto é cheio, os traços são muito definidos, o olhar profundo - dir-se-ia um olhar de fera, que espreita do fundo da caverna. Mas o que Dom Chautard apresenta de mais possante - um traço característico da personalidade dele - é o pescoço. Pescoço de touro, que o capuz cobre quase todo. A cabeça revela solidez e firmeza, indicando coerência no pensar e continuidade hercúlea no agir. * * *
Abadia cisterciense Nossa Senhora de Sept Fons
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Esse foi o personagem que manteve uma famosa conversa com o estadista francês Clemenceau, apelidado o tigre, que era o pólo civil da resistência francesa na Primeira Guerra Mundial. A conversa ameaçava terminar num violento choque. Clemenceau era um desses arrogantes, que são tigres apenas quando não encontram outro homem mais feroz na frente. De fato, tais arrogantes são feras de papelão.Clemenceau sentiu contra si a garra do herói, e a conversa tornou-se amável... O grande Dom Chautard domou o tigre e conduziu a conversa com Clemenceau para o objetivo que tinha em vista!
(*) Dom João Batista Chautard nasceu em Briançon (França), em 12 de março de 1858, recebendo o nome de Gustavo. Em 1877 decidiu tornar-se religioso, entrando na Abadia de Aiguebelle, da Ordem de Cister, tendo sido incumbido por seus superiores de cuidar da manutenção e restauração de vários mosteiros cistercienses. Em 1899 foi eleito abade do Mosteiro de Nossa Senhora de Sept Fons. Em 1904 trouxe os cisterciences para o Brasil. Defendeu os religiosos contemplativos durante a perseguição movida na França contra eles, no início do século XX. Escreveu em 1910 a famosa obra A Alma de todo Apostolado, que se tornou bestseller internacional, na qual expõe que o fundamento do êxito no apostolado é a vida interior. Faleceu em 29 de setembro de 1935. ___________________________________________________________ Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 21 de maio de 1983. Sem revisão do autor. Abadia cisterciense Nossa Senhora de Sept Fons |