Junho de 1992
Perda e Encontro do Menino Jesus no Templo
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Religião

Perda e Encontro do Menino Jesus no Templo

(Lc.II,41-52)

Jesus entre os doutores

E seus pais iam todos os anos a Jerusalém, no dia solene da Páscoa. E, quando chegou aos doze anos, indo eles a Jerusalém segundo o costume daquela festa, acabados os dias (que ela durava), quando voltaram, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o advertissem. E, julgando que Ele fosse na comitiva, caminharam uma jornada, e (depois) procuravam-nO entre os parentes e conhecidos. E, não O encontrando, voltaram a Jerusalém em busca d’Ele. E aconteceu que, três dias depois, O encontraram no Templo sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que O ouviam estavam maravilhados da sua sabedoria e das suas respostas. E, quando O viram, admiraram-se. E sua Mãe disse-lhe: Filho, por que procedeste assim conosco? Eis que teu pai e eu Te procurávamos cheios de aflição. E Ele disse-lhes: Para que Me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-Me nas coisas de meu Pai? E eles não entenderam o que lhes disse. E desceu com eles, e foi a Nazaré, e era-lhes submisso. E sua Mãe conservava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e diante dos homens.

Comentários do Padre Luís Cláudio Fillion

excertos)

Quando o grupo, no qual iam Maria e José, se pôs em marcha para a Galiléia, Jesus ficou em Jerusalém sem avisar seus pais.

Depois de inutilmente tentarem achá-lo em cada conjunto de pessoas, José e Maria voltaram a tomar tristemente o caminho de Jerusalém, continuando a procurá-lo por todo o trajeto e também na cidade, desde que lá chegaram. Até que, no terceiro dia, encontraram Jesus em uma dependência onde os rabinos realizavam suas sessões acadêmicas. Estava sentado aos pés dos doutores segundo o estilo oriental, escutando-os e interrogando-os. Suas perguntas e respostas continham tanta sabedoria que todos os assistentes estavam estupefatos de admiração.

Quando perceberam que Ele estava nesta importante assembléia, Maria e José ficaram por sua vez maravilhados, pois conheciam a modéstia e o silêncio, habituais n’Ele, e o cuidado com que até então ocultava sua natureza superior. Uma amorosa queixa saiu do coração de Maria: “Filho, por que agiste assim conosco? Vê como teu pai e eu cheios de aflição Te procurávamos”. Respeitosamente respondeu-lhes Jesus: “Como Me procuráveis? Não sabíeis que devo Me ocupar com as coisas de meu Pai?”

Verdadeiro Filho de Deus, não devia consagrar-se antes de tudo e inteiramente aos assuntos de seu Pai? Ele se admirava, pois, por seu lado, de que Maria e José não tivessem interpretado neste sentido seu desaparecimento momentâneo, eles que O conheciam melhor que ninguém.

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Nuestro Señor Jesucristo según los Evangelios, Ed. Difusión, Buenos Aires, 1917, pp. 84-85).

Comentários compilados por Santo Tomás de Aquino na "Catena Aurea"

São João Crisóstomo –– O Senhor não operou nenhum milagre durante sua infância; somente este [a disputa com os Doutores, no Templo], como refere São Lucas, mediante o qual mostrou-Se admirável.

Grego ou Geómetra –– À vezes, [Jesus] começava por instituir a lei com palavras e depois a comprovava com obras, como diz São João em seu Evangelho (cap. 10): “O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”; e, com efeito, pouco depois (desejando nossa salvação) nos deu sua própria vida; outras vezes, pelo contrário, dava primeiro o exemplo e depois explicava a maneira de viver bem, como neste trecho, em que, por suas obras, nos ensina haver três coisas que devem ser antepostas às demais: amar a Deus, honrar seus pais e dar preferência a Deus, mesmo em relação aos próprios pais. Porque, quando foi repreendido por eles, considera como de pouca importância todas as coisas que não são de Deus, e logo obedece também a seus pais.

 


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