Suíça: uma grande vocação Plinio Corrêa de Oliveira
A Suíça sempre me pareceu uma nação especialmente destinada pela Providência para prestar grande serviço a Nossa Senhora. Toda a atmosfera física, os lagos, as montanhas, as neves, os precipícios, tudo fala a respeito de uma natureza cheia de candura, de bondade e também de força. Não se diria entretanto que camponeses nascidos junto a lagos como aqueles -- de olhos azuis profundos como a cor dos lagos, olhos que falam de reflexão, de meditação, de paz -- não se diria que, nascendo nesses lugares, haveriam de praticar os horrores que praticaram. Um exemplo foi Zwinglio, o Calvino suíço, que espalhou uma seita -- da qual ele era o fundador e o grão-mestre, naturalmente -- por todo o país, atingindo depois a Holanda, a Bélgica e o Reino Unido. E, através do Reino Unido, chegou a se radicar também na América do Norte. Zwinglio foi dos protestantes mais enragés, mais furibundamente anticatólico. Mas também é verdade que daquelas atmosferas pacíficas têm partido, para a história da Suíça e da civilização cristã, guerreiros de primeira ordem. Se levarmos em consideração os suíços que defenderam Luís XVI e Maria Antonieta contra os rebeldes que invadiram Versalhes, e depois lutaram contra os revolucionários que atacaram o Palácio das Tulherias, vê-se bem até que ponto eles eram heróicos e estavam dispostos -- os católicos pelo menos -- a defender a civilização cristã. Por fim, a missão dos suíços de serem os guardas pontifícios. Ou seja, terem a honra de fornecer normalmente uma guarda para o Papado, e isto continuar até nossos dias. Tudo isso tem muito significado, que se acresceu ainda mais pelo fato de em 1870 -- por ocasião da invasão dos Estados Pontifícios -- um grande número de suíços, inclusive protestantes, ter se declarado a favor do Papa Pio IX. E se haverem inscrito no exército do Pontífice, em cuja defesa morreram. Essa atitude tem uma beleza, tem um valor, que contrasta com a hediondez do protestantismo, da heresia e de outros horrores que na Suíça se passaram. Parece haver uma contradição entre as graças e as belezas da natureza, dadas pelo Céu, e o uso que os suíços fizeram dessas graças e dessas belezas. Fica-se com a idéia de que a Suíça é uma nação que teve uma grande vocação, e foi chamada por Deus muito especialmente para um papel histórico privilegiado. ___________________________________________________________________________________ Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 26 de abril de 1995. Sem revisão do autor. |