Mais uma criança cubana resgatada da tirania comunista
Da. Maria Elena e seu filho com nosso colaborador Renato Murta de Vasconcelos, no aeroporto de Frankfurt
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A expectativa de mãe aflita em recuperar seu filho, retido despoticamente em Cuba, chegou ao fim. Mas somente depois de muita luta, incansável trabalho, corajosa denúncia da ditadura
castrista e angustiosa espera de quase dois anos. Por fim, Da. Maria
Elena Morejón Rodriguez pôde abraçar o pequeno Israel.
Chegou a Frankfurt (Alemanha) no dia 16 de julho último, procedente de Cuba, o menino Israel Morejón Rodriguez, de seis anos de idade. Sua mãe, Maria Elena Morejón Rodriguez, esperava-o com ansiedade e materna solicitude. Quando o menino assomou à porta, ela não se conteve e, chorando, correu-lhe ao encontro, abraçando-o longamente.
Em entrevista especial para Catolicismo, ainda no aeroporto daquela cidade, enquanto aguardava a chegada do filho, a Sra. Maria Elena relata ao nosso colaborador, Renato Murta de Vasconcelos, diversas das tratativas que empreendeu para alcançar o retorno do filho, retido na ilha subjugada pela ditadura castrista.
Catolicismo — Quais foram as medidas que a Sra. tomou para a libertação de seu filho?
Da. Maria Elena — A primeira coisa que fiz foi escrever uma carta ao embaixador cubano em Berlim, depois apelei ao escritório das Nações Unidas, bem como à Comissão de Direitos Humanos dessa organização. E, por fim, ao Vaticano, onde estive pessoalmente na Secretaria de Estado.
Catolicismo — A Sra. poderia dizer uma palavra de alento a todas as mães que se encontram em situação similar à sua, com filhos presos em Cuba, posto que essa separação é tremendamente dolorosa para uma mãe?
Da. Maria Elena — Sim, é uma situação extremamente dolorosa, um sentimento primeiro que dilacera, porque não ter o próprio filho é verdadeiramente dilacerante. E no caso de nós cubanos, perdem-se coisas e ganham-se outras. Em meu caso, eu ganho meu filho e perco a possibilidade de voltar a entrar em meu próprio país, de rever minha família, minha mãe, meu pai, meus irmãos, todos ainda vivendo em Cuba.
Mas é necessário munir-se de coragem para conseguir algo; e conservar muita fé, muitíssima fé e muita força, e isso a cada dia. Creio que, nesse tempo todo, não houve um só dia em que eu não tomasse alguma providência para resgatar meu filho: escrevendo uma carta, dando um telefonema, mantendo contatos etc. E, mesmo assim, temia não estar fazendo o suficiente. E por isso, todos os dias...
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[A Sra. Maria Elena, abruptamente, interrompe a entrevista e grita: “Mira mi hijo! mira mi hijo! Isra!!!”. E, chorando de alegria, corre ao encontro do menino. Após abraçá-lo maternalmente e conversar com o ele, recebeu um bouquet de flores e cumprimentos do advogado Atílio Guilherme Faoro, diretor do TFP Büro Deutschland (o Bureau da TFP na Alemanha), bem como de numerosos amigos que ali se encontravam. Entre eles, membros do IGFM, Internationale Gesellschaft für Menschenrechte (uma entidade que auxilia vítimas do comunismo), com destaque especial para o Sr. Heinrich Brechtmann e a Sra. Birgit Schlicke, que a apoiaram de modo incansável em sua luta para reaver o pequeno Israel. A Sra. Maria Elena continuou depois a entrevista].
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Da. Maria Elena — Além das providências sobre as quais falei, julgo que foi importante apelar diretamente ao Vaticano, apesar de considerar praticamente impossível. Falei com um sacerdote de Hanover, e disse-lhe: “Eu quero falar com o Papa”. Ele abriu uns olhos desse tamanho. Depois, ele me confidenciou que pensou: “Essa deve estar louca”.
Eu comuniquei a esse sacerdote: “Olhe, meu filho está seqüestrado pelo governo cubano, ele é um refém desse governo, e penso que isso merece uma intervenção do Vaticano”.
Além do mais, eu apelei a tudo que era possível. Eu poderia rememorar todos os lugares onde estive, as cartas e e-mails que escrevi. Dirigi-me às Mães da Praça de Maio, mas nunca me responderam... Pedi auxílio a todo mundo. Pedi ajuda ao governo guatemalteco, ao governo argentino, às Nações Unidas, ao Kofi Annan, ao Vieira de Mello, a tudo que podia.
Aqui na Alemanha enviamos cartas aos políticos, ao ministro do Exterior, Fischer. Mas isso era quase todos os dias, e a cada dia fazia isso com mais força. Penso que cada uma dessas iniciativas constituía um golpe de mar na rocha, e penso que tudo junto deu resultado. É preciso considerar que, economicamente, todo esse esforço me custava. Essa viagem de meu filho, eu a paguei duas vezes! Viagens a Genebra, a Berlim, a Roma. Ali foi uma experiência incrível, para mim inesquecível, porque me acolheram umas religiosas em duas casas. Em uma delas, paguei muito pouco, na outra não foi preciso pagar nada. A acolhida foi extremamente cordial. Em Roma, procurei Mons. Javier Losano.
Isso ocorreu no dia 9 de junho, e no dia 27 de junho informaram-me em minha casa que a saída de Israel tinha sido aprovada.
Também, penso eu, ajudou o meu caso o de uma mãe americana. O pai tinha os dois filhos seqüestrados em Cuba, o governo cubano procedeu muito rapidamente para entregá-los, porque o fato foi publicado na imprensa...
Catolicismo — Este é um caso Elián ao reverso!
Da. Maria Elena — Realmente, é um caso Elián ao reverso. Aliás, quando eu dizia às autoridades comunistas que esse era um outro caso Elián, eles respondiam: “Não se atreva a dizer isso. Não tem nada a ver com o caso Elián”. Eu retrucava “Sim, tem. Só que eu não morri [como ocorreu com Elizabeth Brotons, a mãe de Elián González], e vou fazer tudo para recuperar meu filho”. Eu ameacei o governo de Cuba que iria denunciá-lo às Nações Unidas, que iria fazer um escândalo internacional. Disse também na Direção Nacional de Imigração e Estrangeria. Disse na sede do Ministério do Interior que isso era uma violação dos direitos humanos, e, mais ainda, que era uma violação dos direitos do menino, parecendo uma mentira o fato de Cuba – que havia gritado tanto e invocado o pátrio poder e o direito do pai de Elián, no sentido de que este voltasse a Cuba – agir dessa forma; e que, agora, os que estavam seqüestrando meu filho não eram os “vermes de Miami” — como eles diziam — mas era o próprio governo cubano!
O funcionário do ministério ficou me encarando, e disse: “Eu não vou aceitar todos seus comentários, porque é uma mãe desesperada, mas seus comentários são atrevidos”. Atrevidos sim, porque dizia a verdade, mas eles não aceitavam!
Eu então lhe disse: “Sim, são muito atrevidos, mas quando a gente começa a viver em liberdade, começa a meter medo na dupla moral. Eu não creio que seja atrevida, mas de repente me solta a língua, e eu direi o que penso”.
Ele me retrucou: “Volte para seu país, vá para a Alemanha onde vive, que eu asseguro que com justiça você terá em agosto uma resposta positiva”. Creio que isso foi em junho de 2002. Já em abril, eles me haviam comunicado que voltasse tranqüila para a Alemanha, que em dois meses me entregariam o filho. E nada aconteceu.
Então esperei, esperei, dei-lhes um tempo. Em fevereiro, quando lhes telefonei, me disseram: “Não telefone mais, é melhor voltar aqui e esperar que o governo decida, quando for o caso. Não telefone mais, não temos tempo para falar com você”. E bateram o telefone! Isso foi no dia 18 de fevereiro.
Então sentei-me frente ao computador e enviei uma mensagem a La Nueva Cuba, depois enviei várias mensagens, denunciando o governo cubano por seqüestro. E, a partir de então, eu não mais parei de atuar.
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Para melhor entender o caso Israel Morejón
Um caso de sucesso, porque uma extremosa mãe não se conformou com o fato de seu filho permanecer retido na ilha escravizada por um regime marxista, mantido como refém, condenado a viver como órfão de pais vivos
Renato Murta de Vasconcelos
Frankfurt – Israel Perú Morejón, de seis anos de idade, foi obrigado pelo regime castrista a viver separado de seus pais. O pai, alto funcionário do governo cubano, fugira de Cuba para Viena em 1998, quando trabalhava para uma organização internacional. Sua mãe, Maria Elena Morejón Rodriguez, juntamente com seu filho, quis sair de Cuba para morar na Alemanha. O governo cubano autorizou-lhe a emigração, porém não a do menino! Alegando tratar-se do filho de um “desertor da Revolução”...
A mãe, quase desesperada, lutou durante dois anos para obter a liberação do filho. Empreendeu várias viagens a Cuba, todas elas infrutíferas. Apelou a diversos organismos internacionais e, por fim, obteve sucesso.
Esse caso Israel Morejón é um caso Elián González ao reverso. Em novembro de 1999, Elián, então com seis anos de idade, fugiu de Cuba com sua mãe, Elizabeth Brotons, numa pequena balsa que afundou nas costas da Flórida. O pequeno náufrago, agarrado numa bóia, foi salvo pela guarda costeira norte-americana e entregue a parentes residentes em Miami. Porém seu pai, que pertencia ao Partido Comunista Cubano, exigiu o retorno do filho, alegando o pátrio poder. E o ditador Castro moveu céus e terra para que Elián voltasse a Cuba. O que acabou acontecendo.
Esse outro menino, Israel Morejón, também de seis anos, queria viver com sua mãe. E o que fizeram os funcionários cubanos? Tudo o que podiam para impedir que a criança saísse da ilha-prisão, pois isso poderia colocar em risco a revolução cubana...
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O que levou as autoridades cubanas a libertar Israel Morejón?
Há cerca de três meses, o impiedoso fuzilamento de três jovens, que também queriam sair de Cuba, provocou estupor universal, com repercussões desfavoráveis até mesmo em arraiais da esquerda. Era a face brutal do regime que reaparecia. Ademais, Da. Maria Elena estava disposta a criar um novo caso internacional. O que as autoridades comunistas queriam evitar a todo custo...
Quantas centenas de outros, como Israel, há ainda em Cuba? Eis a questão.