Vila Nova do Ourém – Portugal
O perfume da realidade
primitiva, boa, reta e cheia de vida
Plinio Corrêa
de Oliveira
Para quem experimenta encanto
na análise do linguajar das nações, Vila Nova do
Ourém é um nome delicioso! Delicioso no quê? Talvez um português, nascido em
Portugal, não sinta isso tão bem quanto um descendente de português, nascido do
lado de cá do Atlântico.
Ourém exprime o sabor e o
perfume das realidades elementares, primitivas, boas, retas
e cheias de vida. Da terra, da pedra, do ferro, do leite recém-tirado
de uma cabra, ovelha ou vaca, de uma rajada de vento carregado com cheiro de
ervas. Dessas coisas não trabalhadas, mas que contêm, em germe, civilizações.
Magníficas, quando a civilização as trabalha. Mas, já desde o primeiro aspecto,
atraentes e encantadoras, e que lucram muito e perdem um pouco quando a
civilização as aperfeiçoa. De maneira que, quando se as vê no estado natural,
há um certo encanto próprio a uma realidade que se apalpa com as mãos, e um
perfume bom, mas que o civilizado reputaria forte demais.
Vila é um lugar pequeno. Vila
Nova do Ourém é um nome que sugere a existência de um passado antigo, em que é
concebível ter havido uma vila velha, e depois uma vila nova, cujo acesso se
dava por longa estrada do gênero caminho de cabra,
substituída depois por alguma auto-estrada standard, que se percorre em poucos
minutos. Então, Vila Nova e Vila Velha tornaram-se subúrbios uma da outra, e
ambas satélites de uma cidade enorme, localizada perto, que englobou todas as
vilas. E, com isso, elas perderam seu encanto. Mas o nome ficou: Vila Nova do
Ourém, Portugal!
Não conheço lugar onde o real
se apresente de um modo tão carregado de cores, tão truculento e encantador
como em Portugal.
Excertos da conferência
proferida pelo Prof. Plinio Corrêa
de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 7 de maio
de 1983. Sem revisão do autor.