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Placidez, castidade, maternidade
Plinio Corrêa de Oliveira
Esta imagem de Nossa Senhora, a meu ver, causa
grande impressão.
A idéia que a imagem suscita em meu espírito,
a idéia central, é a de placidez muito ordenada, muito
casta portanto, e ao mesmo tempo materna.
A Virgem Santíssima não está
olhando para o Menino Jesus. Ela podia até nem sustentar o
Menino no braço; o gesto dEla, o modo como recebe o
observador, é o de Mãe, é verdadeiramente
maternal. Poder-se-ia dizer que sua atitude é materna em
relação a tudo e a todos. É afável,
casta, misericordiosa, acolhedora e Mãe de todos os homens.
Notem sua extrema placidez. Placidez no olhar,
placidez no rosto, placidez no modo de estar sentada. Tem-se a
impressão de que Ela fica sentada horas sem estar com vontade
de mover-se, sem nenhuma necessidade de se movimentar, e que passa
muito tempo assim, dentro do próprio bem-estar de sua
placidez.
O gesto do braço é meio aberto, como
quem está disposta a acolher a pessoa que olha para a imagem.
Dessa atitude extraio uma noção de placidez,
serenidade, castidade materna, a saber, idéia de Mãe.
O movimento todo do véu e também da
saia colabora para confirmar a noção de sua
maternidade. Um véu muito abundante, posto sem nenhuma
pretensão. O artista soube muito bem utilizar o véu
para causar tal impressão.
A posição da cabeça e do
pescoço ainda consolidam essa concepção muito
materna, muito bondosa.
A moldura gótica em torno das figuras de
Nossa Senhora e do Menino Jesus concorre para harmonizar tais idéias.
O gótico presta-se muito a entrar em harmonia com essas
concepções.
Excertos da conferência proferida pelo Prof.
Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da
TFP, em 18 de maio de 1963. Sem revisão do autor.
Nota: A imagem de Nossa Senhora que figura nesta
contracapa encontra-se na sala que foi de despacho do Prof. Plinio
Corrêa de Oliveira, da Sede do Conselho Nacional da TFP, na
capital paulista. Foi adquirida de um colecionador, constando ser uma
escultura sacra espanhola do século XV.
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