Janeiro de 1996
Dom Vital: valentia
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Ambientes, Costumes e Civilizações

Dom Vital: valentia

Plinio Corrêa de Oliveira


A valentia, quando se trata da defesa do bem e da verdade, não é hoje virtude muito apreciada pelas massas. Se Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, Bispo de Olinda, falecido em 1878, fosse apresentado em quadros e retratos acariciando criancinhas, sorrindo para as multidões, abençoando, distribuindo esmolas -- atitudes todas, aliás, muito próprias de um Bispo --, seria fácil constituir em torno dele um halo de popularidade.

Mas o Dom Vital que o quadro acima (1) apresenta é um Bispo ainda jovem, de traços harmoniosos e fortes, fronte larga e audaciosa, olhar profundo, grave, cintilante de inteligência e energia, longa barba negra e viril, porte nobre e vigoroso.

Sente-se nele a fibra do batalhador, do miles Christi. Tem-se a impressão de que ele fita o Visconde do Rio Branco, ou de que está sentado no banco dos réus cravando o olhar sereno e penetrante no semblante confuso e indeciso de seus juízes, majestoso como se estivesse em seu sólio episcopal.

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Bispo de rara valentia, Dom Vital é um nome nacional, uma glória do Brasil inteiro. Se é verdade que christianus alter Christus, com mais razão é verdade que Episcopus alter Christus.

Havia de tudo na adorável fisionomia moral de Nosso Senhor, desde a ternura inefável com que exclamava "deixai vir a mim os pequeninos", ou "tenho pena desta multidão", até a terrível majestade com que prostrava por terra seus adversários, dizendo-lhes simplesmente "sou Eu -- Ego sum".

Há de tudo na fisionomia moral do Bispo da Santa Igreja, desde a ternura até a severidade pastoral. Mas Nosso Senhor concede a cada um a graça de ilustrar a Igreja pelo brilho de uma faceta espiritual particular. A uns, suscitou para que edificassem a Cristandade pelo esplendor de sua ternura; foi destes o grande São Francisco de Salles. A outros, suscitou para que a defendessem pela pugnacidade e pela energia; foi destes São Gregório VII, foi destes o nosso grande Dom Vital. Seu nome é um símbolo, um estandarte, um programa.

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Nota

Quadro a óleo pertencente à sede da TFP, em Recife. A pintura baseou-se em fotografia muito conhecida na época de D. Vital e bastante divulgada durante o processo a que foi submetido.

Esse retrato figura na p. 118 da obra Um grande brasileiro, de autoria de Frei Félix de Olívola, O.F.M.Cap. (Convento da Penha, 4ª ed., Recife, 1967).

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