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Chenonceaux
O Castelo-cisne
Plinio Corrêa de Oliveira
A
impressão que o castelo de Chenonceaux causa, à primeira
vista, é de entusiasmo!
Qual é a razão pela qual ele produz esse
sentimento?
Imaginemos que fosse um castelo construído em
terra, e que, em vez de correr um rio debaixo dele, passasse uma estrada
poeirenta comum, permitindo o trânsito de carroças, automóveis,
etc., etc. Não é verdade que o castelo perderia pelo menos
cinqüenta por cento de seu encanto?
Com isso, fica claro o que seu construtor explorou para
produzir essa sensação de inebriamento. Foi uma obra baseada
no seguinte princípio: todas as coisas que se refletem na água
ganham em beleza.
Tem-se uma sensação paradisíaca
vendo as águas do rio fluírem tão plácidas,
marcadas pelo azul do céu, e o castelo que nelas se reflete reproduzindo
a imagem de si mesmo.
Vê-se que a maior beleza do castelo consiste na
concretização dessa idéia originalíssima
de construir uma parte dele sobre uma ponte. E isso de maneira tal,
que ele, por assim dizer, parece um cisne em cima da água. Esse
é um castelo-cisne. Ele flutua sobre a água como se fosse
uma fantasia, uma coisa irreal, um sonho!
* * *
Por outro lado, quanta harmonia foi posta, segundo o espírito
francês, nessa portentosa obra de arquitetura.
O castelo é constituído por três
elementos distintos. O primeiro deles é a ponte com os seus
arcos, em cima da qual se construiu a ala mais leve do edifício.
O segundo elemento é o corpo central do castelo. E por último,
à esquerda, um torreão _ que deve ser o que restou de uma
velha fortaleza medieval _ sólido, atarracado, grande, e que produz
a sensação de estabilidade, ao último grau.
Chama a atenção o contraste entre os arcos
da ponte, tão diáfanos e leves, e a base pesada
da parte central. Esse misto de firmeza, de estabilidade e delicadeza
forma um contraste harmônico de qualidades opostas, que acentua
a sedução inerente a essa parte do edifício.
São os três elementos sucessivos que dão
encanto ao castelo e explicam sua beleza.
Ao fundo, nota-se um jardim esplêndido. Um quadrilátero
apresenta desenhos e vegetação lindíssimos, com
aquela grama esmeraldina da Europa que aqui não se conhece.
Tal jardim é arranjado e "penteado"
de tal maneira, que não o pode ser mais. Para compensar o extremo
do arranjado, há ao seu lado uma arborização "despenteada",
puramente silvestre, que completa plenamente o panorama.
Em outros termos, tudo o que parece espontâneo
foi estudado com uma sagacidade extraordinária, para provocar
um efeito de conjunto. Mas com tal perfeição, que a noção
de harmonia nasce sem que a maior parte das pessoas consiga explicitá-la.
O sumo da harmonia consiste exatamente
em que não se possa precisar, à primeira vista, no que
ela consiste, exigindo muita atenção para a definir ...
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Excertos de conferência proferida pelo Prof. Plinio
Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP, em
2 de janeiro de 1969. Sem revisão do autor.
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