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Reforma Agrária toma contornos assustadores
Projetos de lei que, se aprovados, empurrarão
o Brasil para a sovietização do campo; a cúpula
do MST projeta uma campanha contra o atual modelo de produção
agropecuária, a âncora verde de nossa economia
Assentados da Cooperativa do Assentamento Conquista da Fronteira, em Bagé (RS)
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1º) Tramita em fase adiantada no Senado um
projeto de lei de alcance desastroso, que piora ainda mais as atuais
normas de desapropriação. Até aqui, normalmente
o INCRA oferece pela desapropriação um valor muito
inferior ao real e entra imediatamente na posse da terra. O legítimo
proprietário pode apenas contestar esse valor em Juízo.
O processo às vezes demora anos. Ao final, o proprietário
pode não receber nem mesmo os juros referentes a esses anos, e
terá sido então objeto de um confisco brutal. É
o que propõe o projeto em curso: o não-pagamento de
juros compensatórios aos proprietários de áreas
desapropriadas. O mesmo projeto exclui da indenização
as áreas de florestas naturais que o proprietário é
obrigado a manter por lei!
2º) Fala-se em aplicar draconianamente a lei do
governo anterior que prevê na faixa de até 150
quilômetros da fronteira a anulação dos
títulos de propriedade que tenham sido concedidos em épocas
passadas sem atendimento de todos os aspectos legais. Essa faixa
abriga cerca de 30 mil propriedades rurais. Ou seja, perderão
as propriedades todos os que receberam esses títulos, ou os
adquiriram posteriormente, de boa fé. Trata-se outra vez de
confisco.
3º) Outro ponto crucial é o esforço
em curso para aprovar a limitação do tamanho das
propriedades rurais. A deputada pelo PT, Luci Choinaki, apresentou
proposta de emenda constitucional limitando o tamanho das
propriedades rurais no Brasil para 35 módulos rurais (no sul,
cada módulo equivale a 20 hectares). Mais um atentado ao
princípio da propriedade privada, com conseqüências
desastrosas para a agropecuária.
4º) Querem ademais rever os índices de
produtividade, de modo a considerar improdutivas
propriedades que atualmente são produtivas, e
assim desapropriá-las e incorporá-las ao imenso
latifúndio estatal.
5º) O presidente Lula declarou: Vou
lançar um grande programa de cooperativa de crédito
para que os agricultores possam se organizar.
Ora, a organização dos assentados em cooperativas tem
sido feita freqüentemente pelo MST, o qual as utiliza como meio
de socializar a área agro-reformada. Estaremos diante da
perspectiva, no Brasil, de novos kolkozes de tipo soviético?
6º) Uma das metas do INCRA é não
entregar o título de propriedade da terra ao assentado. O
governo seria o dono das terras, os assentados não teriam nem
a propriedade nem mesmo a posse, apenas o direito de uso.
É a estatização absoluta da terra, como nos
regimes comunistas.
7º) A mais nova fonte de benefícios para
o MST, o Programa Fome Zero, tem abastecido os sem-terra com
grande quantidade de cestas básicas. Não se trata de um
benefício apenas para diminuir a pobreza, mas para manter o
MST atuante e invadindo terras. Segundo o superintendente do INCRA no
Estado do Piauí, Padre Ladislau João da Silva, a
distribuição de cestas é uma ajuda para
que os trabalhadores e trabalhadoras resistam na luta pela terra.
8º) Para o sociólogo Zander Navarro,
professor do programa de pós-graduação em
desenvolvimento rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
é possível afirmar, sem margem de erro, que [o
MST] é atualmente uma organização que
sobrevive, principalmente, de recursos públicos, sendo assim
paraestatal.
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Enquanto a Reforma Agrária vai tomando essa
forma assustadora, o MST fiel a seus princípios
socialistas, que almejam a igualdade na miséria
manifestou-se contra a produção de alimentos em grande
escala. A cúpula do movimento já está estudando
o lançamento de uma campanha para combater o atual modelo, em
que sobressaem o sistema de agro-negócio e o exportador, cujo
impacto na balança comercial brasileira tem sido altamente
positivo.
E isso a tal ponto, que a agropecuária nacional tem sido
qualificada de âncora verde da economia do País.
Aos incautos, convém lembrar: aquilo que hoje é
reivindicação do MST costuma ser meta do governo amnhã.
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Notas:
1 Cfr. O Estado de S. Paulo,
11-5-03.
2 Idem, 12-5-03.
3 Correio Braziliense, 27-4-03.
4 Meio Norte, Teresina, 30-4-03.
5 O Estado de S. Paulo, 5-5-03.
6 Idem, 11-5-03.
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