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São Camilo de Lelis, Um gigante da
caridade
De temperamento arrebatado, jogador contumaz,
passou sua juventude entre o baralho, os dados e as armas. Uma chaga
providencial na perna foi ocasião para que ele conhecesse o
mundo do sofrimento e da verdadeira caridade, chegando, por esse
caminho, a descobrir sua vocação para a santidade.
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Plinio Maria Solimeo
Em 1590, durante uma grande carestia em toda a Itália, São Camilo e seus companheiros foram exemplo de heróica abnegação
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Camilo nasceu no ano 1550 em Bucchianico, nos
Abruzzos, no antigo Reino de Nápoles. Como aconteceu com São
João Batista, sua mãe já era avançada em
idade quando o concebeu. O pai, a serviço das armas, vivia
mais nos acampamentos e campos de batalha do que no lar. Como poderia
uma mãe idosa educar um menino que se tornou muito crescido
para sua idade, e de um temperamento belicoso como o sangue que lhe
corria nas veias?
Apesar disso, conseguiu ensinar-lhe os rudimentos da Religião.
Mas, sem que ela o soubesse, a par disso o menino aprendia também
o segredo dos naipes e dos dados, e aos 12 anos já era um
viciado jogador.
Entre o jogo e as armas
Com a morte da mãe, Camilo entregou-se
desvairadamente ao jogo, perdendo tudo o que tinha. Entrou então
para o exército, onde aprendeu as virtudes e os vícios
dos soldados.
Com o pai, foi alistar-se no exército que a República
de Veneza meritoriamente recrutava para combater os turcos
muçulmanos. Mas no caminho seu pai, João de Lelis,
faleceu e foi enterrado perto de Loreto. Da herança de seu
progenitor, Camilo recebeu um arcabuz e uma espada; e da herança
divina, uma chaga misteriosa na perna, que aparecerá sempre
que necessário, para conduzi-lo ao caminho de sua futura
vocação.
A fome e a miséria, e sobretudo a supuração de
sua chaga, fizeram-no desistir da carreira militar. Tocado pelo
exemplo de dois franciscanos, com sua modéstia e doçura,
Camilo fez voto de ser um deles. Mas por causa da chaga, não
foi recebido.
Acabou indo para Roma, sendo recebido no Hospital dos Incuráveis
como enfermeiro, para curar a perna e ganhar algum dinheiro. Mas a
paixão do jogo o perseguia, e ele fugia do hospital para ir
atrás das cartas. Como incorrigível, foi expulso do
hospital.
Combatia como herói, jogava como um
demônio
Pensou novamente na carreira das armas e entrou, a serviço
delas, em um navio veneziano que partia para o Oriente. Participou de
várias batalhas, e por estar gravemente enfermo não
pôde combater em Lepanto, a famosa batalha em que Nossa Senhora
apareceu e deu a vitória aos católicos contra os
muçulmanos.
Enquanto lutava como um herói, jogava como um demônio.
Uma violenta tempestade no mar fez com que ele, assustado, se
lembrasse do voto de tornar-se franciscano. Passada a tormenta,
esqueceu-se novamente do voto, continuando na carreira das armas e
subjugado pelo vício do jogo.
Retornou a Roma para cuidar da chaga, que lhe reaparecera na perna.
Mas perdeu no jogo até a camisa do corpo. Saiu da cidade, e em
Manfredônia foi recebido pelos capuchinhos. O superior do
convento, notando-lhe algo de especial, falou-lhe de Deus e da
vocação religiosa. Camilo, tocado pela graça,
converteu-se, sendo recebido como postulante. Quando passava pela
vila, conduzindo duas mulas do convento, a criançada corria
atrás dele gritando: “Aí vem o São
Cristóvão, aí vem o São Cristóvão!”,
devido à sua elevada estatura.
Máscara mortuária do Santo, que se conserva na igreja Santa Maria Madalena, em Roma
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Na escola, humildemente entre os meninos
Quis continuar seus estudos, para ordenar-se sacerdote. Como Santo
Inácio de Loyola, assentou-se nos bancos escolares com os
meninos, o que o tornava sobremodo notório pela sua estatura,
tão mais elevada que a de seus condiscípulos.
Entretanto, não era desígnio de Deus que ele
permanecesse entre os franciscanos. A úlcera reapareceu em sua
perna e eles, pesarosos, o despediram.
Voltou para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante quatro anos até
a úlcera ser curada. Julgou então seu dever voltar para
os franciscanos, apesar de seu confessor, São Felipe Néri,
o ter desaconselhado, predizendo que a chaga se reabriria. Foi o que
aconteceu, tendo Camilo que voltar ao hospital.
Ali, dedicou-se a cuidar dos enfermos, chegando a ser nomeado
administrador geral do hospital. Certo dia, olhando para o Crucifixo
enquanto cuidava dos doentes, exclamou: “Ah! Seria necessário
aqui homens que não fossem conduzidos pelo amor ao dinheiro,
mas pelo amor de Nosso Senhor; que fossem verdadeiras mães
para esses pobres doentes, e não mercenários. Mas, onde
encontrar tais homens?”. Começou então a
ruminar o pensamento da fundação de uma Ordem religiosa
para essa finalidade.
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