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Cuba: Programa Fome...zéria
O comuno-progressismo desejaria aplicar o modelo
cubano em nosso País. Mas o Brasil profundo, o Brasil real,
rejeita essa sinistra proposta e aspira a um futuro em consonância
com suas autênticas tradições, no sentido de
preservar os valores da Civilização Cristã.
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Luís
Dufaur
O miserabilismo e o regime cubano fascinam progressistas católicos: apresentação da candidatura Lula ante adeptos da Teologia da Libertação, em 1989
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“No nosso continente há um único
país, de 110 mil quilômetros quadrados e onze milhões
de pessoas, que não tem criança passando fome, que não
tem desemprego, que não tem mendigo jogado na calçada,
que não tem velho pedindo esmola. É verdade que não
tem pessoas com duas televisões a cores, é verdade que
não tem dois carros na garagem, é verdade que não
pode ter espremedor de laranja, liquidificador, não pode ter
geladeira, um fogão, não pode!”.
Que país é esse? Cuba. Quem proferiu
tais palavras? O então candidato presidencial Luiz Inácio
da Silva. Qual foi a reação dos presentes? Cerca de
1.200 simpatizantes das CEBs e da Teologia da Libertação
ovacionaram entusiasticamente o orador.
O fato não é novo. Mas é
simbólico. Naquele dia 24 de janeiro de 1989, Lula foi
apresentado na igreja de São Domingos, na capital paulista,
como o candidato do progressismo católico, pelo então
Arcebispo de São Paulo, Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, e
nutrida representação de teólogos da
libertação. Dentre eles, destacavam-se Frei Betto e
o (ex-frei) Leonardo Boff.
Se Cuba, para tirar da miséria um certo
número, deixou a generalidade da população sem
espremedor de laranja, sem liquidificador, sem geladeira e até
sem fogão, é preciso reconhecer que a emenda foi
catastroficamente pior que o soneto. Entretanto, a igreja apinhada de
simpatizantes da Teologia da Libertação estourou
em aplausos. Como se naquelas palavras se ocultasse uma lógica
profunda, por eles partilhada, mas inacessível ao comum dos
brasileiros.
Naquele
dia, como também hoje, o então candidato e agora
presidente do Brasil externou o desejo de erradicar a fome e a
pobreza no País. Mas não escondeu, nem esconde, que o
regime miserabilista de Fidel Castro é um farol inspirador dos
projetos mais caros ao progressismo católico,
particularmente na sua vertente da Teologia da Libertação.
No centro da foto, Frei Betto
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Esse fascínio é inquietante para os
rumos futuros do Brasil.
Na mesma ocasião, Frei Betto, ao introduzir
Lula na assembléia, explicou: Eu sou membro de uma
pequena comunidade.[...] Desta comunidade fazem parte aqui o Lula, o
Leonardo Boff. Por sua vez, Lula enfatizou a importância
absoluta que dava ao progressismo católico: Aqui
no Brasil ainda tem gente que chama vocês de comunistas: esses
padres do demônio, esses jovens do demônio! [...].
Vocês, companheiros, que participam em comunidades, vocês
têm um papel extraordinário neste País e fora
deste País. Eu sou daqueles que acreditam piamente que, sem a
Igreja, não há saída para o nosso continente.
Estabelecida essa aliança de fundo religioso, para onde rumará
o Brasil? Para algo parecido à terra da promissão
cubana, com o seu ainda ativo paredón? Para
uma experiência renovada, mas numa linha análoga ao
castrismo? Há chance para uma saída, como tantos
brasileiros desejam, que não desfeche no caos?
Fuzilamento de anticastristas na década de 50
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Marxistas históricos chocados com o
comunismo cubano
A perplexidade foi acrescida pelo inclemente fuzilamento, em abril
último, de três jovens cubanos que tentaram fugir da
ilha-prisão. Normalmente, esse ato deveria ter provocado uma
condenação sonora e imediata por parte das esquerdas
brasileiras no poder. E isso até por razões políticas.
Não podiam elas ignorar que a sensibilidade nacional ficara
chocada com a extinção dessas três vidas de modo
tão arbitrário. Porém esquivaram-se de
condená-la, preferindo pagar um alto preço tanto
do ponto de vista moral quanto propagandístico do que
contradizer o modelo cubano.
Até veteranos do ateísmo anticristão, como o
blasfemo escritor português José Saramago, condenaram a
absurda execução. Em vista disso, foram reprovados
pelos seus camaradas comuno-progressistas. Tais ateus,
acostumados a estarem na crista da onda, subitamente perceberam que
seus companheiros de rota católicos os tinham deixado
para trás.
Os fuzilamentos de Havana e seus desdobramentos revelaram que as
esquerdas latino-americanas, em larga medida criaturas das CEBs e da
Teologia da Libertação, rumam para uma situação
que estarrece até marxistas clássicos. E a velha
guarda entregou os pontos, desapontada. Cuba [...]
perdeu minha confiança, destruiu minhas esperanças e
decepcionou minhas ilusões, desabafou Saramago.
A Teologia da Libertação foi
alvo de uma condenação da Sagrada Congregação
para a Doutrina da Fé. Porém, os bispos, padres e
leigos que a seguem, pouco ligaram para tal condenação,
e prosseguiram incólumes a sua obra de desagregação
do continente latino-americano. Eles desafiam até seus
companheiros da velha guarda e apressam-se em atingir seus fins, sem
parecer temer sanções eficazes da Hierarquia
eclesiástica.
O que tem Cuba que tanto fascina as esquerdas
brasileiras, desde alguns esclerosados marxistas-leninistas até
macro-capitalistas de esquerda, e sobretudo progressistas
comuno-católicos? O brasileiro comum tem direito a ser
esclarecido sobre isso.
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O inferno carcerário cubano
Poucos meses após dominar Havana, Fidel
Castro decretou a Reforma Agrária, confiou o Instituto
Nacional de Reforma Agrária a marxistas ortodoxos e
ordenou a invasão das grandes propriedades agrícolas.
Concomitantemente, começaram os massacres de burgueses e
opositores.
Em 1964, os detidos trabalhavam quase nus em
assentamentos ou em pedreiras. Como punição, deviam
cortar erva com os dentes ou eram jogados em fossas de
excrementos. Os guardas aplicavam-lhes Pentotal e outras
drogas. No hospital de Mazzora, recorriam a eletrochoques ou
simulavam execuções. A prisão que
deixou reputação mais terrível foi La
Cabana. Em Boniato, presídio de alta segurança,
reina a violência e crueldade. Certos presos políticos,
para afastar os homossexuais, lambuzam-se com excrementos. Em
outros cárceres, há jaulas de ferro e as mulheres
são entregues ao sadismo dos guardas.
A repressão atualmente é dirigida
pelo Departamento de Segurança do Estado.
Participam também as Fuerzas Especiales do
Ministério do Interior em colaboração
estreita com a Dirección 5 e a Dirección
de Seguridad Personal, guarda pretoriana do ditador.
20% dos cubanos estão exilados, o que
representa cerca de 2 dos 11 milhões que constituem a
população total. Desde 1959, mais de 100 mil
cubanos passaram por campos de concentração ou por
prisões, tendo sido fuzilados de 15.000 a 17.000.
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Fonte de referência: Stéphane
Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej
Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, O
livro negro do comunismo. Crimes, terror e repressão,
Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 1999, 917 pp.
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