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A língua portuguesa
Um idioma que dispõe de uma extraordinária
riqueza de matizes
Nos diversos idiomas civilizados que mais ou
menos conheço, todos se prestam a que matizes lindos apareçam.
Não vou dizer que os matizes que aparecem no português
sejam mais bonitos do que os de outros idiomas.
Entretanto, tantos matizes para tantas coisas
diferentes, distintas, análogas e deixando transparecer
aspectos de alma a propósito das coisas, como em português,
não conheço. Mais de uma vez me acontece que, não
tendo isso em vista, e conversando com pessoas que falam outros
idiomas, estou dizendo uma coisa e percebo que não fui bem
compreendido. Então, digo: Como é no seu idioma isto
assim? E vejo o meu interlocutor meio embaraçado. É
porque percebo que não existe esse matiz no idioma dele.
Aquela palavra não existe.
Por exemplo, a frase: A língua
portuguesa tem uma riqueza de matizes que é
extraordinária. Mas, se quisesse falar numa linguagem de
um tom um pouco diferente, diria: a língua portuguesa
dispõe de uma riqueza de matizes que é
extraordinária. Seria isso absolutamente a mesma coisa
do que dizer que ela tem?
Qual das duas expressões é mais
elevada: o tem ou o dispõe? Sem dúvida o
dispõe. Ora, ao pé da letra, o que quer dizer
dispor? É ter ao alcance. O que há nessa
palavra? Ela tem qualquer coisa de musical, que dá uma nota
distinta, uma impressão de riqueza e fartura, mas fartura
nobre, não fartura burguesa. E isso não existe na
palavra tem.
Vê-se que é uma coisa difícil de
explicitar, mas que é uma gama de linguagem que se pode ter
conforme se queira, com uma riqueza enorme de registros para
falar em linguagem de órgão. Isso é uma riqueza
no fundo da alma, que foi preparando essas palavras para servirem
para dizer essas coisas, e ao mesmo tempo é algo que exprime
no português uma diferença de tonalidades profundamente
diversas. O que corresponde a uma sensibilidade muito grande do
brasileiro.
E essa sensibilidade explica o atraente da bondade
brasileira: é uma bondade muito matizada, que é capaz
de abrir grandes distâncias, grandes afagos, mas que também
é capaz de se fechar e de se retirar como as ondas do
mar sem que a pessoa que é objeto desse trato tenha uma
reclamação a fazer.
Excertos da conferência proferida pelo Prof.
Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da
TFP em 26 de abril de 1990. Sem revisão do autor.
Passagem de São Tomé pelo Brasil
Alguns relatos históricos e numerosos indícios
materiais, quase desconhecidos do grande público, atestam a
passagem do Apóstolo São Tomé, no início
de nossa era, entre os índios brasileiros.
Em nosso País, a legenda e vestígios de São Tomé
encontram-se espalhados por muitos lugares. É tradição
antiga entre os índios que aquele Apóstolo — a
quem chamavam Sumé — veio ao Brasil e lhes forneceu a
planta da mandioca e da banana, ajudando-os a cultivar a terra.
Pregou o bem àqueles indígenas, ensinando-os a adorar e
servir a Deus e não ao demônio; a não terem mais
de uma mulher e não comerem carne humana.
Desde o Rio Grande do Sul, passando por São Paulo, Rio de
Janeiro, Bahia, Paraíba, Ceará e Maranhão,
encontram-se pegadas atribuídas a São Tomé. Pela
tradição dos índios, elas vêm de remotas
eras, anteriores ao Descobrimento.
Na Bahia, em São Tomé do Peripé,
há uma fonte perene de água doce, que brota de um
penedo junto a certas pegadas, e é tradição que
ali desceu São Tomé. Perto de Cabo Frio (RJ) existe
outro penedo, que parece ter levado várias bordoadas. É
tradição dos índios terem sido impressas pelo
bordão de São Tomé, numa ocasião em que
eles haviam resistido à doutrina do Apóstolo.
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