Julho de 2003
 
A língua portuguesa//FAO: Brasileiros têm alimentação suficiente//Passagem de São Tomé pelo Brasil//Anti-Brasil
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão
Brasil Real

A língua portuguesa

Um idioma que dispõe de uma extraordinária riqueza de matizes

“Nos diversos idiomas civilizados que mais ou menos conheço, todos se prestam a que matizes lindos apareçam. Não vou dizer que os matizes que aparecem no português sejam mais bonitos do que os de outros idiomas.

Entretanto, tantos matizes para tantas coisas diferentes, distintas, análogas e deixando transparecer aspectos de alma a propósito das coisas, como em português, não conheço. Mais de uma vez me acontece que, não tendo isso em vista, e conversando com pessoas que falam outros idiomas, estou dizendo uma coisa e percebo que não fui bem compreendido. Então, digo: Como é no seu idioma isto assim? E vejo o meu interlocutor meio embaraçado. É porque percebo que não existe esse matiz no idioma dele. Aquela palavra não existe.

Por exemplo, a frase: ‘A língua portuguesa tem uma riqueza de matizes que é extraordinária’. Mas, se quisesse falar numa linguagem de um tom um pouco diferente, diria: ‘a língua portuguesa dispõe de uma riqueza de matizes que é extraordinária’. Seria isso absolutamente a mesma coisa do que dizer que ela tem?

Qual das duas expressões é mais elevada: o tem ou o dispõe? Sem dúvida o dispõe. Ora, ao pé da letra, o que quer dizer dispor? É ter ao alcance. O que há nessa palavra? Ela tem qualquer coisa de musical, que dá uma nota distinta, uma impressão de riqueza e fartura, mas fartura nobre, não fartura burguesa. E isso não existe na palavra tem.

Vê-se que é uma coisa difícil de explicitar, mas que é uma gama de linguagem que se pode ter conforme se queira, com uma riqueza enorme de registros — para falar em linguagem de órgão. Isso é uma riqueza no fundo da alma, que foi preparando essas palavras para servirem para dizer essas coisas, e ao mesmo tempo é algo que exprime no português uma diferença de tonalidades profundamente diversas. O que corresponde a uma sensibilidade muito grande do brasileiro.

E essa sensibilidade explica o atraente da bondade brasileira: é uma bondade muito matizada, que é capaz de abrir grandes distâncias, grandes afagos, mas que também é capaz de se fechar e de se retirar — como as ondas do mar — sem que a pessoa que é objeto desse trato tenha uma reclamação a fazer.”

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 26 de abril de 1990. Sem revisão do autor.

Passagem de São Tomé pelo Brasil

            Alguns relatos históricos e numerosos indícios materiais, quase desconhecidos do grande público, atestam a passagem do Apóstolo São Tomé, no início de nossa era, entre os índios brasileiros.

            Em nosso País, a legenda e vestígios de São Tomé encontram-se espalhados por muitos lugares. É tradição antiga entre os índios que aquele Apóstolo — a quem chamavam Sumé — veio ao Brasil e lhes forneceu a planta da mandioca e da banana, ajudando-os a cultivar a terra. Pregou o bem àqueles indígenas, ensinando-os a adorar e servir a Deus e não ao demônio; a não terem mais de uma mulher e não comerem carne humana.

            Desde o Rio Grande do Sul, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Ceará e Maranhão, encontram-se pegadas atribuídas a São Tomé. Pela tradição dos índios, elas vêm de remotas eras, anteriores ao Descobrimento.

Na Bahia, em São Tomé do Peripé, há uma fonte perene de água doce, que brota de um penedo junto a certas pegadas, e é tradição que ali desceu São Tomé. Perto de Cabo Frio (RJ) existe outro penedo, que parece ter levado várias bordoadas. É tradição dos índios terem sido impressas pelo bordão de São Tomé, numa ocasião em que eles haviam resistido à doutrina do Apóstolo.  

1 | 2 Continua
Comente
Leia os comentários
Envie para amigos
Versao para impressão