Julho de 2003
A glória originada do cumprimento do dever
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Pompa e glória se osculam: é agradável contemplar

A glória originada do cumprimento do dever

Tendo como fundo o castelo real de Buckingham, os regimentos da rainha proce­dem à troca da guarda. O público, em grandíssimo número turistas, se avoluma para assis­tir à cena quotidiana. No verão, montam-se arquibancadas para que todos possam ver. Uniformes resplandecentes, fanfarra, ordem impecável, movimentos executados na perfeição. O belo, a pompa e a glória, numa função basicamente prática, se osculam num contexto agradável de se contemplar.

No calor estival, o famoso chapéu de pele de urso pode provocar algum desmaio. Mas nada altera a pontual rotina, filha do senso do dever. Pode chover. Será então no espelho d'água que os soldados vão repetir invariavelmente o ritual militar tradicional.



É inverno: o frio intenso não impede que as ordens sejam executadas

Chega o inverno. A temperatura londrina é glacial, a umidade e o vento multi­pli­cam a sensação de frio. O céu está encoberto, os dias são tristes e cinzentos. Os turistas e curiosos desertam a cerimônia. Entretanto, ela se desenrola normalmente, com uma determinação e exatidão admiráveis. Os guardas portam pesados sobretudos. Toca a fanfarra na solidão do pátio, executam-se as ordens, a troca é feita. Dir-se-ia que só Deus é testemunha.



Mesmo nos perigos da guerra, prevalece sempre o senso do dever

Na foto ao lado, fuzileiros navais ingleses avançam no meio de uma tempestade de areia, durante a última guerra no Iraque. As suas figuras são como sombras envoltas pela incógnita e pelo perigo. A poucos passos pode estar a cilada inimiga. A morte espreita cada um. Mas o passo é resoluto, a disposição de cumprir a tarefa mostra-se inalterável.

Tanto na glória do palácio como na aridez do deserto, em meio aos perigos da guerra, a atitude psicológica e moral é a mesma. É o alto senso da honra e do dever, a afirmação de que há valores muito além dos desta Terra, que devem ser defendidos, quaisquer que sejam as adversidades que se levantem.

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A nobreza natural dessas cenas nos faz pensar numa outra beleza, infinitamente superior. A de Nosso Senhor Jesus Cristo avançando, ora em meio às ovações da mul­ti­dão na entrada de Jerusalém, ora no tédio e no pavor da agonia no Horto, ou sob a tempestade de injúrias do populacho judeu e da inclemência dos algozes na Via Dolorosa. Ele ia com divina determinação, para cumprir o dever que Deus Pai lhe incumbira: o holocausto redentor do Calvário. E assim obedecendo, Nosso Senhor mostrou o caminho para todos os homens, dentre os quais, aqueles que alcançam a heroicidade das virtudes – os santos – seguem-No de maneira mais perfeita.

Daquele gesto supremo do Redentor desprende-se uma beleza tal que, dois milênios depois, no caos contemporâneo, ainda ressoam alguns reflexos tardios, mas a seu modo admiráveis, porque se originaram de um divino exemplo.



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