Julho de 2003
Bem-aventurado José de Anchieta
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Excertos
Plinio Corrêa de Oliveira

Bem-aventurado José de Anchieta

450 anos da chegada do Apóstolo do Brasil

Anchieta na selva (séc. XVIII) – G. Marion, Bélgica

Também cognominado Apóstolo do Novo Mundo, José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534 em São Cristóvão de La Laguna, Tenerife (Arquipélago das Canárias). Iniciou seus estudos universitários em Coimbra no ano de 1548, e três anos depois ingressou na Companhia de Jesus. Com apenas 19 anos, embarcou como missionário para o Brasil, aportando na Bahia de Todos os Santos, Salvador, em 13 de julho de 1553.

Não se trata de narrar aqui a empolgante epopéia desse santo missionário (a respeito, vide Catolicismo, junho/77, junho/80, março/84, junho/97). Mas, dentre os numerosos fatos épicos da sua vida, destacamos um: em 25 de janeiro de 1554, o jovem jesuíta fundou a Vila de Piratininga, no Pátio do Colégio, berço da capital paulista.

Em homenagem aos 450 anos da imensa graça que representou para o Brasil a chegada desse filho espiritual de Santo Inácio, grande herói da Fé católica, a quem todos os brasileiros tanto devem, reproduzimos a seguir algumas palavras de Plinio Corrêa de Oliveira, publicadas em “O Século”, do Rio de Janeiro, em 4-9-1932.

 

Anchieta, primeiro rebento de santidade de uma grande Nação

“Se pudéssemos recorrer a uma comparação profana, para dar a idéia da importância de Anchieta em nossa história, diríamos que ele foi para o Brasil o que Licurgo foi para Esparta e Rômulo para Roma. Isto é, um desses heróis fabulosos que se encontram nas origens de algumas grandes nacionalidades, a levantar os primeiros muros, edificar os primeiros edifícios e organizar as primeiras instituições.

Sua figura, de uma rutilante beleza moral, se ergue nas nascentes da nação brasileira, a construir seu primeiro hospital e seu primeiro grupo escolar, e a redigir, confiando-os às praias do oceano, os primeiros versos compostos em plagas brasileiras.

O fundador de São Paulo foi, portanto, simultaneamente, nosso primeiro mestre-escola, nosso primeiro fundador de obras pias e o patriarca de nossa literatura, o mais antigo vulto da literatura brasileira, como o chamava Silvio Romero. 

E sobre esta tríplice coroa fulgura ainda o diadema de uma virtude que fez reproduzirem-se em selvas brasileiras os milagres do Poverello de Assis, que, com sua simples presença, amansava feras e atraía os passarinhos, nas florestas densas da Umbria.

Seu processo de canonização está confiado ao juízo soberano da Santa Igreja. Esta, porém, já baixou um decreto concedendo-lhe as honras de Venerável, o que torna possível e recomendável o recurso à sua intercessão.*

E todas as razões nos levam a crer que Deus ouvirá as orações que lhe forem dirigidas por intermédio de Anchieta, facilitando assim a causa de sua canonização, para erguer sobre seus altares um grande santo, primeiro rebento de santidade de uma grande nação”.

Nota:

* O mencionado decreto é de agosto de 1736, quando Clemente XII fez a proclamação da heroicidade das virtudes do Pe. José de Anchieta. Mais recentemente, em junho de 1980, foi ele beatificado por João Paulo II.

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