Plinio Corrêa de Oliveira
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Bem-aventurado José de Anchieta
450 anos da chegada do Apóstolo do
Brasil
Anchieta na selva (séc. XVIII) – G. Marion, Bélgica
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Também cognominado Apóstolo do Novo
Mundo, José de Anchieta nasceu no dia 19 de março
de 1534 em São Cristóvão de La Laguna, Tenerife
(Arquipélago das Canárias). Iniciou seus estudos
universitários em Coimbra no ano de 1548, e três anos
depois ingressou na Companhia de Jesus. Com apenas 19 anos, embarcou
como missionário para o Brasil, aportando na Bahia de Todos os
Santos, Salvador, em 13 de julho de 1553.
Não se trata de narrar aqui a empolgante
epopéia desse santo missionário (a respeito, vide
Catolicismo, junho/77, junho/80, março/84,
junho/97). Mas, dentre os numerosos fatos épicos da sua vida,
destacamos um: em 25 de janeiro de 1554, o jovem jesuíta
fundou a Vila de Piratininga, no Pátio do Colégio,
berço da capital paulista.
Em homenagem aos 450 anos da imensa graça que
representou para o Brasil a chegada desse filho espiritual de Santo
Inácio, grande herói da Fé católica, a
quem todos os brasileiros tanto devem, reproduzimos a seguir algumas
palavras de Plinio Corrêa de Oliveira, publicadas em “O
Século”, do Rio de Janeiro, em 4-9-1932.
Anchieta, primeiro rebento de santidade de uma
grande Nação
“Se pudéssemos recorrer a uma comparação
profana, para dar a idéia da importância de
Anchieta em nossa história, diríamos que ele foi para o
Brasil o que
Licurgo foi para Esparta e
Rômulo para Roma. Isto é, um desses heróis
fabulosos que se encontram nas origens de algumas grandes
nacionalidades, a levantar os primeiros muros, edificar os primeiros
edifícios e organizar as primeiras instituições.
Sua figura, de uma rutilante beleza moral, se ergue
nas nascentes da nação brasileira, a construir seu
primeiro hospital e seu primeiro grupo escolar, e a redigir,
confiando-os às praias do oceano, os primeiros versos
compostos em plagas brasileiras.
O fundador de São Paulo foi,
portanto, simultaneamente, nosso primeiro mestre-escola, nosso
primeiro fundador de obras pias e o patriarca de nossa literatura, o
mais antigo vulto da literatura brasileira, como o chamava
Silvio Romero.
E sobre esta tríplice coroa fulgura ainda o
diadema de uma virtude que fez reproduzirem-se em selvas brasileiras
os milagres do Poverello de Assis, que, com sua simples
presença, amansava feras e atraía os passarinhos, nas
florestas densas da Umbria.
Seu processo de canonização está
confiado ao juízo soberano da Santa Igreja. Esta, porém,
já baixou um decreto concedendo-lhe as honras de Venerável,
o que torna possível e recomendável o recurso à
sua intercessão.*
E todas as razões nos levam a crer que Deus
ouvirá as orações que lhe forem dirigidas por
intermédio de Anchieta, facilitando assim a causa de sua
canonização, para erguer sobre seus altares um grande
santo, primeiro rebento de santidade de uma grande nação”.
Nota:
* O mencionado decreto é de agosto de 1736,
quando Clemente XII fez a proclamação da heroicidade
das virtudes do Pe. José de Anchieta. Mais recentemente, em
junho de 1980, foi ele beatificado por João Paulo II.
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