Caro leitor,
Nos presentes dias de avassalador materialismo, a maioria de nossos contemporâneos imagina que, para se medir a envergadura de alguém, basta tomar a somatória de suas realizações. Em parte isso é verdade. Entretanto, o valor de um homem não se mede sobretudo pelo que ele faz; mede-se, antes, pelo que ele é. Isso porque o ser é mais importante e mais nobre do que o fazer. A ordem exata de valores, aliás, se coloca neste sentido decrescente: ser, pensar, dizer e fazer.
Subindo nessa escala, encontramos no topo aquilo que mais arrepio causa ao homem materialista e sensual: sofrer. Pois o sofrimento repugna à nossa natureza degradada pelo pecado original, apesar de a ele ninguém poder subtrair-se neste vale de lágrimas. A questão, portanto, não está apenas em sofrer, mas em aceitar com resignação e amor o sofrimento.
Exemplo por excelência disso foi Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele teria podido resgatar o gênero humano apenas com uma gota de seu preciosíssimo sangue na Circuncisão, entretanto quis derramá-lo até a última gota para nos salvar, mediante todo o sofrimento da Paixão. E ao tomar a cruz, osculou-a amorosamente.
Ao lado de Nosso Senhor estava sua Mãe Santíssima, co-redentora do gênero humano. Por sua alta compreensão dos planos de Deus, Ela aceitou que o Criador descarregasse sobre o seu divino Filho todo o peso daqueles sofrimentos. Com os quais seria comprada a salvação do gênero humano, pois, considerada a gravidade infinita do pecado, só um Ser infinito seria capaz de apagá-lo.
Cristianus alter Christus - o cristão é outro Cristo. Podemos repeti-lo com ainda maior razão se acrescentarmos, com São Luís Maria Grignion de Montfort, que a condição de devoto e escravo de Nossa Senhora confere uma semelhança maior com Nosso Senhor, uma vez que as virtudes da Santíssima Virgem passam a habitar aquela alma privilegiada.
Não tenho o menor receio de afirmar que uma dessas almas foi Plinio Corrêa de Oliveira; nem de atestar, em uníssono com os meus inúmeros amigos de luta, que o seu traço mais característico durante toda a vida foi a aceitação amorosa dos sofrimentos. A tal ponto que ele usava esta analogia: “Tudo quanto pensei e fiz na vida foi prata; tudo quanto sofri foi ouro”.
Que o prezado leitor tenha esta perspectiva ao ler, na matéria de capa desta edição, a impressionante epopéia levada a cabo por alguém que percorreu todos os degraus da aludida escala, até fixar-se naquele último sem o qual não há grandes obras. Iniciada por Plinio Corrêa de Oliveira no Brasil, hoje ela se expande pelo mundo através de associações que atuam em diversos países, inspiradas em seu exemplo ímpar de contra-revolucionário.
Em Jesus e Maria,
Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor
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