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A
Sainte Chapelle
Elevação e intimidade
Plinio Corrêa de Oliveira
A Saint Chapelle
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Há muitos anos, quando visitei a Sainte
Chapelle (Capela Santa) pela primeira vez, pensei que esta parte
baixa fosse a capela principal. Julguei-a tão bonita que, ao
vê-la, soltei uma exclamação; a qual, em mim, tem
muito significado, porque não sou muito exclamativo. Fiquei
encantado! Entretanto, disseram-me para subir logo, porque o fluxo
dos visitantes estava aumentando, e a Sainte Chapelle ficava
em cima, sendo aquele andar inferior destinado aos servidores.
Como os habitantes do palácio eram muito
numerosos, e o Rei gostava de assistir ao Santo Sacrifício com
todos juntos, celebrava-se uma Missa embaixo e outra em cima. Como a
parte superior não comportava todos, os servidores permaneciam
embaixo. Em cima, acomodava-se o Soberano com sua corte.
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Chamo atenção, em primeiro lugar, para
o seguinte aspecto: há algo nas proporções desta
parte baixa da capela, inteiramente diverso do que nos habituamos a
ver nessa matéria em igrejas. Há uma proporção
especial para quem ora: sentir-se num ambiente muito elevado, mas ao
mesmo tempo muito íntimo. A pessoa sente-se como que recebida
por Deus em seu gabinete pessoal, na sua sala mais interna. Numa
perspectiva que concilia a elevação com a intimidade.
Como
se consegue isso? Da seguinte maneira: as colunas são muito
esguias, são tênues; não são colunas
fortes, atarracadas; mas todas elas abrem-se como se fossem palmeiras
cujas folhas se unem no teto. E se abrem de modo tão
harmonioso, tão gradual, tão perfeito, que a pessoa tem
uma certa impressão de que elas ficam lá no alto, no
teto, no ponto onde se unem, mas que, ao mesmo tempo, esse ponto
muito alto está ao alcance da pessoa. Por onde, fica-se
misteriosamente elevado. Na intimidade, tem-se a impressão de
grande elevação; e na elevação, tem-se a
impressão de grande intimidade. O homem mede toda a grandeza
de Deus, mas, concomitantemente, sente-se elevado até o
Criador. Afetuosa e carinhosamente elevado até Deus.
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As ogivas exercem o seu incomparável fascínio
sobre os espíritos. Vemos como a ogiva é um ornamento
belo, e como o jogo de ogivas é mais bonito do que cada ogiva
em particular.
A Sagrada Escritura diz que Deus, quando criou o
universo, repousou no sétimo dia, considerando a obra que
tinha feito. E tornou-se-Lhe patente que cada coisa era bela, mas que
o conjunto era mais formoso do que cada parte. Na Sainte Chapelle
encontramos isso. Todas essas colunas são bonitas, as pinturas
acentuam tal beleza, os vitrais etc. Mas o conjunto é muito
mais belo.
Nota:
Sainte
Chapelle de Paris, construída junto ao Palais de la
Cité, hoje Palais de Justice, pelo arquiteto Pierre
de Montereau, ou de Montreuil, durante o reinado de São Luís
IX, século XIII, para conter as preciosas relíquias
trazidas, de Constantinopla, pelo santo monarca. Dividida em 2
andares: capela alta, destinada a receber as relíquias; capela
baixa, reservada para acolher as sepulturas de dignitários
eclesiásticos.
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Extratos da
conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de
Oliveira para sócios e cooperadores da TFP, em 12 de abril de
1989. Sem revisão do autor.
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