Fevereiro de 2006
 
Questionário perverso “prepara” primeira comunhão
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Por que Nossa Senhora Chora?

Questionário perverso “prepara”
primeira comunhão

Um questionário com as opções "vou à zona [de prostituição]", "sexo com animais" e "com bonecos" foi passado a um grupo de crianças de uma pequena cidade de Santa Catarina. A enquete, que indignou pais e mobilizou o Ministério Público, foi feita durante uma aula de preparação para a primeira comunhão.

O caso ocorreu em Iomerê, cidade de Santa Catarina com 2.500 habitantes. As 32 crianças, entre 10 e 12 anos, receberam um "exame de consciência" que pedia a elas para "marcar ou pintar os quadradinhos dos seus pecados cometidos".

As opções eram divididas por mandamentos. No sexto ("não pecar contra a castidade"), havia os quadradinhos "vou à zona [de prostituição]", "pratico relações homossexuais", "sexo com animais". No quinto ("não matar"), as opções eram "cometi aborto", "abuso no volante", "tentei suicídio".

O documento continha ainda perguntas relativas a pecados como ver filmes pornográficos e masturbar-se, ir a cultos não católicos e não pagar dívidas.

Lamentável posição

O mais aterrador é que o pároco local, Clair Kozik, procurou justificar a abominação: "Eu lamento o fato, mas acredito que a intenção (dos catequistas que elaboraram as perguntas) foi a mais reta possível, [...] ninguém pensou em atingir o lado maléfico".

Não pára aí. O bispo de Caçador (389 km de Florianópolis), Luiz Carlos Eccel, afirmou que o padre não será advertido nem punido. Mais ainda, disse não entender o porquê da discussão em torno do assunto: "O questionário apenas expressa a realidade". Para D. Eccel, as perguntas eram fruto de uma aula sobre os dez mandamentos. "Não era bem para responder. Era só para terem consciência do que é pecado".

Mãe justamente indignada

Uma das mães disse que foi até a paróquia pedir explicações, e que "só faltou o padre me chamar de retardada". Informou que soube do formulário quando sua filha, de dez anos, lhe perguntou: "Mãe, estou com duas dúvidas: o que é uma relação de lesbianismo e o que é sexo com animais?".

"Minha reação foi de revolta. Tentei conversar com o pároco, e ele disse que aquilo era normal, que os pais não querem enxergar os filhos que têm". A mãe afirmou ainda que as crianças ficaram constrangidas, e que sua filha chorou ao falar com o padre.

O caso está na Justiça

“Se alguém escandalizar um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6)
Para o filósofo e educador Alípio Casali, da pós-graduação em educação da PUC-SP, a enquete é "descabida" e "representa uma violação": "é um absurdo. É uma violência moral, intelectual, social e cultural fazer perguntas dessa natureza".

A promotora de Justiça Maria Regina Forlin Lakus afirmou que já está investigando o caso. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, é crime "submeter criança ou adolescente a vexame ou a constrangimento". A pena pode chegar de dois meses a seis anos de prisão. O Ministério Público de Santa Catarina determinou que o Conselho Tutelar ouça as 32 crianças que receberam o questionário sobre seus hábitos sexuais na preparação para a primeira comunhão em Iomerê (cfr. “Folha de S. Paulo”, 10-12-05 e “O Estado de S. Paulo”, 14-12-05).

* * *

É oportuno lembrar aqui a advertência de Nosso Senhor: “Se alguém escandalizar um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6).

Por tudo isso, Nossa Senhora chora!

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