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Semelhanças entre o regime feudal japonês
e o ocidental
Plinio Corrêa de Oliveira
Samurai, com sua característica armadura, preparando-se para o combate
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No Japão floresceu um regime feudal bastante
desenvolvido. É mesmo uma das glórias dessa nação
ter intuído os princípios de sabedoria que presidiram
os fundamentos do feudalismo medieval. De ter intuído isto de
tal maneira que, fazendo-se o cotejo entre o regime medieval japonês
e o regime medieval no Ocidente, constatam-se traços de
semelhança.
Uma das características inerentes ao regime
feudal é um certo senso patriarcal da grandeza do senhor
feudal, como pai e como protetor daqueles que são seus
vassalos. Na concepção feudal isto deve ser
horripilante para os ouvidos dos progressistas católicos
os termos pai e senhor se assemelham. O pai é senhor de seus
filhos. O senhor é pai dos seus vassalos. O senhor assume a
plena proteção de seus vassalos e os defende contra os
inimigos externos. Tal defesa dos vassalos incumbe mais ao senhor do
que ao rei.
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De onde decorre que algumas notas presentes nas
construções feudais da Idade Média são
fatores de segurança, de solidez e de estabilidade. Mas,
simultaneamente, tais notas refletem certa altaneria, certo desafio,
certo arrojo próprios de um poder que está
continuamente em guerra. Guerra levada, não raras vezes, ao
exagero, inclusive contra o poder real. Este chegou a ser enormemente
debilitado no Japão, em parte por causa do feudalismo,
exatamente como o foi, a certa altura da Idade Média, na
França.
Embora os daimyos, que eram os grandes
senhores feudais japoneses, tenham sido homens muito guerreiros —
as pinturas e as porcelanas japonesas os representam como homens
terríveis no combate —, foi sobretudo a nobreza inferior
dos samurais que se tornou legendária por uma coragem
extraordinária. Quem fala em samurai, reporta-se
naturalmente ao guerreiro.
Há, entretanto, uma nota distintiva do
samurai em relação ao guerreiro europeu medieval. Este
último continuava a ser guerreiro até a raiz dos
cabelos, mesmo quando descansava. O japonês, evidentemente,
combatia na guerra como um leão; mas na hora do descanso a
pugna era posta de lado e a mente dele tomava outro rumo.
Outro aspecto que torna difícil, para nós
ocidentais, compreender a mentalidade dos daimyos: eles
tornaram-se, em boa parte, no Japão de hoje, diretores de
empresas.
Um conhecido meu que esteve nesse país, tendo
entrado num escritório para cuidar de negócios, ficou
espantado ao ver como o diretor da empresa era considerado. Quando
os secretários ou outros empregados da empresa entravam na
sala, faziam grandes reverências. Ele estranhou e perguntou o
porquê disto.
Disseram-lhe que, em geral, os diretores de empresa
do Japão pertencem à alta nobreza, e são
tratados, ainda hoje [1970], com toda deferência com que o
plebeu se relacionava com a nobreza na época do feudalismo.
De maneira que, com honrosas exceções,
a alta nobreza ocidental perdeu seu status na sociedade atual.
No Japão, contudo, a nobreza não perdeu seu status
e continua a dirigir o mundo empresarial. É ela que, estando
no comando das empresas, é fator importante da propulsão
econômica do país.
Excertos da conferência proferida pelo Prof.
Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da
TFP em 22 de junho de 1970. Sem revisão do autor.
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