Julho de 2009
 
O preservativo não é uma prevenção contra a Aids? Não o usando, como evitar a Aids?
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A Palavra do Sacerdote

 

Pergunta — O preservativo não é uma prevenção contra a Aids? Não o usando, como evitar a Aids?

Monsenhor José Luiz Villac

RespostaA pergunta nos foi enviada no dia 2 de abril. Não foi motivada, portanto, pelo acontecimento que a seguir referimos, o qual contém no entanto a resposta que nos pede o consulente.

No vôo que conduziu Bento XVI à África, no dia 17 de abril, um jornalista francês fez pergunta análoga ao Pontífice. A questão, incidindo aparentemente sobre um tema muito específico, na realidade alcança outro muito mais amplo, de fato a problemática mais crucial dos nossos dias. Expliquemos, começando pela pergunta do jornalista, e transcrevendo em seguida a resposta de Bento XVI.

O jornalista francês do canal France 2 pergunta: “Entre os numerosos males que afligem a África, há em particular o da difusão da Aids. A posição da Igreja católica sobre o modo de lutar contra este mal é freqüentemente considerada como não sendo realista nem eficaz. Vossa Santidade enfrentará este tema no curso de sua viagem?”.

Note-se como do tema do combate à Aids se passa para um tema mais elevado, que é o do realismo da posição da Igreja face a um problema da atualidade.

A resposta do Pontífice remontou do combate à Aids para uma questão ainda mais alta, que é o “renouveau spirituel” da humanidade de nossos dias. São palavras de Bento XVI: “Eu diria que não se pode resolver este problema da Aids unicamente com dinheiro, entretanto necessário. Se não se põe nele a alma, se os africanos não ajudam, [engajando nele sua responsabilidade pessoal], não se pode resolver este flagelo pela distribuição de preservativos: pelo contrário, eles aumentam o problema. A solução não se pode encontrar senão num duplo engajamento: primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que traga consigo uma nova maneira de se comportar, de um em relação ao outro; e, segundo, [...] a disponibilidade, mesmo ao custo de sacrifícios, de renúncias pessoais, de estar próximos daqueles que sofrem. [...] Eu diria, pois, que este duplo esforço de renovar o homem interiormente, de empregar uma força espiritual e humana para um justo comportamento em relação ao próprio corpo e ao do outro, [...] parece-me que é a justa resposta, e é o que faz a Igreja, oferecendo assim uma contribuição muito grande e importante. Nós agradecemos àqueles que o fazem” (site http://www.vatican.va/).

Em outras palavras, alguns querem evitar a disseminação da Aids conservando o mundo atual como ele é: distribuindo preservativos para que os homens continuem a ter um comportamento sexual contrário aos Mandamentos da Lei de Deus. Mas isto só afasta os homens, cada vez mais, da reta conduta moral, portanto as condições para a disseminação da Aids só aumentam. A solução, pelo contrário, está em trazer os homens para a via dos Mandamentos da Lei de Deus, o que implica uma “renovação espiritual” da humanidade, como preconiza Bento XVI. Sem isso, não há solução para a Aids, como para nenhum outro problema moral, social ou político de nossos dias. Esta é uma análise sensata, realista e eficaz da situação atual moralmente calamitosa, ao contrário do que julgou o jornalista francês que interpelou o Papa.

Há solução sem uma intervenção da Providência?

A África do Sul registra uma das maiores taxas mundiais de mortes causadas pela Aids

Aqui, porém, coloca-se uma outra questão, que é a de saber se, pelos caminhos normais, se conseguirá promover essa necessária renovação espiritual da humanidade. Mais concretamente, se chegará a esse resultado pela aplicação normal dos meios de evangelização e santificação que só a Igreja possui.

Mais uma vez, uma análise realista da vida interna da Igreja, e mais amplamente da situação da Cristandade em nossos dias, leva qualquer pessoa coerente e honesta a ser cética a esse respeito.

Basta ver a reação estrepitosa que se seguiu à declaração de Bento XVI que estamos comentando. Autoridades, intelectuais e órgãos de imprensa de todos os matizes e de todo o mundo rasgaram as vestes diante dessa declaração, acusando-a de insensata, irrealista e mesmo perniciosa, favorecedora da expansão da pandemia da Aids. E não houve, por parte dos meios católicos, um vigoroso brado de repulsa suficiente para abafar essa escandalosa campanha publicitária contra a Igreja em geral e contra o Pontífice em particular. Quer dizer, as forças católicas parecem depauperadas e amortecidas, insuficientes para enfrentar o hallali anticatólico, por vezes até coniventes com o mal.

Outras reações negativas dentro dos meios católicos nos deixam estarrecidos. Por exemplo, Bento XVI nomeou bispo auxiliar da diocese de Linz, na Áustria, um sacerdote que considerara o furacão Katrina, que arrasou a cidade norteamericana de Nova Orleans, como castigo pelas orgias homossexuais que nela se realizavam. Ao contrário do que se poderia esperar, o episcopado austríaco, por causa dessa opinião do sacerdote, levantou-se quase unanimemente contra a nomeação, a ponto de o próprio sacerdote solicitar ao Papa que a retirasse. E o Papa não sentiu o terreno firme para sustentar sua nomeação. Oh! tristeza...

Indianas protestam contra a prostituição, uma das principais causas da expansão da Aids na Índia

Muitos outros fatos poderiam ser aqui arrolados, evidenciando que lavra uma tal decadência nos meios católicos, a qual pelo menos debilita sua capacidade de promover a renovação espiritual que Bento XVI aponta como necessária para resolver os problemas que atualmente assolam a humanidade.

Então nossos olhos se voltam para o Céu. Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. E se os meios normais se mostram inoperantes, tudo leva a pensar que a Providência lançará mão de meios extraordinários. Ao ver de muitos, eles se tornaram realmente necessários.

Fátima: anúncio de intervenção extraordinária

Há todas as razões para crer que as revelações de Nossa Senhora em Fátima, em 1917, continuarão a se cumprir. A mensagem que Ela aí deu ao mundo é bastante clara. O milagre do Sol –– anunciado três meses antes que ocorresse, mencionando dia, hora e lugar onde se daria — foi testemunhado por cerca de 50 mil pessoas. É considerado por muitos como o milagre mais extraordinário da história da Igreja, depois da Ressurreição de Cristo. Atesta, portanto, a autenticidade e gravidade da mensagem.

Menina em escola para órfâos de pais aidéticos

E o que essa mensagem anuncia? Exatamente que, depois de uma intervenção extraordinária da Providência, processar-se-á uma renovação espiritual da humanidade, que se traduzirá concretamente num triunfo de Maria Santíssima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Triunfo esse que se compagina com o Reino de Maria anunciado por São Luís Maria Grignion de Montfort, e que significará a restauração do Reino de Cristo: “Ut adveniat Regnum Christi, adveniat Regnum Mariae”, como profetizou o mesmo Santo (cfr. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, nº 217).

Não poderia ser outra renovação espiritual da humanidade augurada por Bento XVI, pela qual clamam as almas bem-aventuradas que se imbuíram do desconcerto do mundo moderno, e da noção de que, sem uma intervenção extraordinária da Providência, o mundo atual não tem conserto.

Esse o grande tema para o qual devemos manter elevadas as nossas vistas. Que o Imaculado Coração de Maria queira conceder aos muitos leitores de Catolicismo essa graça singularíssima, que Ela comunica de modo muito especial aos mais escolhidos de seus filhos.

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