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Versailles
O sorriso que convida para a grandeza
Plinio Corrêa de Oliveira
Nas ilustrações
abaixo, do célebre palácio de Versalhes, na França, a primeira coisa
interessante de se notar é como o edifício, em seu conjunto, olhado de relance,
causa a seguinte impressão: é belo, agradável. Não oferece mistérios. Aliás, o
próprio da arte da época em que o palácio foi construído é apresentar-se sem
mistérios, de tal modo que tudo está explicado.
Os jardins exibem
uma extraordinária riqueza de coloridos e de formas. São linhas sinuosas
formadas por flores — o elemento floral é muito carregado —, folhagens e
gramados, entrecortados por caminhos de pedregulho.
Contrastando com
o que os jardins poderiam ter de muito raso, notam-se pontas em ciprestes,
rigorosamente aparados, que se multiplicam mais ou menos por toda parte.
As fontes, com
bordas de mármores, contêm chafarizes em vários pontos; de maneira que, quando
é ligada a água, formam-se arcos com esguichos variados, criando uma fantasia
de movimentos. Todos eles muito harmoniosos e sóbrios, dando origem a uma
espécie de castelo de água em frente ao castelo de pedra.
Chamo a atenção
antes de tudo para a cor do palácio. É uma cor meio indefinível, um pouco dada
a creme. Ela é tão discreta, que se nota ser bela, e depois não se pensa mais
no assunto. A idéia da cor passa como que desapercebida.
O palácio ostenta
em relação aos jardins um contraste flagrante. Enquanto estes caracterizam-se
pelas sinuosidades, quase o excesso de sinuoso, o edifício é todo constituído
de ângulos, quase o excesso de ângulos. Exatamente esses quase excessos que se
tocam descansam a vista, e causam a impressão de harmonia.
Em outros termos, há
um contraste muito inteligente, muito bem pensado, em que no palácio refulge o
retilíneo imponente, majestoso, sério, forte, coerente, de uma coerência
cartesiana e quase hirta. E nos jardins reside o oposto, ou seja, o sinuoso
risonho, amável, afável, aprazível, convidando o observador a ficar à vontade
junto a tanta grandeza.
No palácio vemos
expressa a grandeza. Nos jardins, o sorriso que convida para a grandeza.
Tudo isso
caracteriza bem a época em que Versalhes foi edificado, o Ancien
Régime (Antigo Regime), ou seja, era da naturalidade diáfana, leve,
risonha, ultra bem pensada, e que, depois de produzir uma obra-prima, diz com
naturalidade: “Eu sou assim!”
É a última
expressão da elegância dentro da concepção francesa. Ninguém poderá qualificar
como medíocre tal concepção. Poderão dizer dela tudo quanto queiram, medíocre
não é! Ela é propriamente extraordinária!
Excertos da conferência proferida pelo Prof.
Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 10 de junho de
1969. Sem revisão do autor.
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