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Elegância e coragem
Os dois soldadinhos de chumbo que se vêem nas
fotografias são peças de coleção e
representam dois soldados de cavalaria do tempo de Luís XV.
Um espírito moderno, o que objetaria contra
eles?
Primeiramente diria: “São muito
orgulhosos. Estão vestidos ricamente e como que para uma
festa. No modo de estarem vestidos, de bater no tambor e de tocar a
corneta, dão a impressão de que desprezam quem não
se veste assim. E, portanto, eles não têm a caridade
cristã”.
Uma segunda objeção seria: “O
homem deve ser sério e não se enfeitar tanto assim. O
próprio para o homem verdadeiramente varonil é o
macacão. Esses soldados estão enfeitados de um modo
como nem as mulheres se enfeitam mais nos dias de hoje. Portanto não
são varonis”.
Réplica às objeções
O que a História registra a respeito deles?
Que os guerreiros desse tempo eram de uma coragem simplesmente
prodigiosa na guerra, a ponto de deixar as pessoas até hoje
assombradas. Uma coragem que não temia a morte.
Tais soldados avançavam assim para a morte,
vestidos com esses trajes. Qual é a vantagem de irem à
guerra desse modo? É que realça a grande nobreza de
oferecer a vida pela pátria. Estimula o heroísmo,
dando ao combatente a sensação e a vivência de
como é glorioso lutar e não temer a morte. Não é
verdade que um soldado vestido dessa maneira sente muito mais a
glória da guerra do que um soldado camuflado?
Por outro lado, é preciso dizer que
esses trajes não eram usados apenas por eles. Não se
deve imaginá-los vestidos assim e, em torno deles, os outros
combatentes trajados como nós. Todas as classes mais letradas
e mais cultas da época usavam trajes especiais esplêndidos.
Análise dos soldadinhos de chumbo
Um dos soldados enverga um traje vermelho e dourado
e usa uma cabeleira branca. Tudo bordado e de qualidade excelente.
Seu porte é ereto, e ele segura a corneta com a altivez de
quem a toca verdadeiramente. O chapéu é muito sério
e preto, mas o negrume dele é compensado por uma penugem
branca. Chapéu feito para cumprimentos: leva a mão no
três bicos e faz uma reverência;
passando diante de um bispo ou de um príncipe, tira o chapéu
e diz: Monseigneur. O cumprimento militar de hoje,
a continência, não era de uso.
A espada do soldadinho, a cor do chapéu, a
cor da bota tudo é harmônico. Tem-se a impressão
de que o cavalo aprendeu elegância com o cavaleiro.
Quanto ao outro soldado, o mesmo se poderia
comentar. Apenas chamo a atenção para os tambores: eles
poderiam facilmente parecer uma coisa pesadona. Entretanto, os
tambores não causam tal impressão, pois, revestidos com
os tecidos que ostentam, ficam leves, de muita beleza.
Eles cavalgam majestosos, tocando os instrumentos e
na alegria de viver.
Excertos da conferência proferida pelo Prof.
Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da
TFP em 12 de maio de 1984. Sem revisão do autor.
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