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Peregrinando por vários estilos de Brasil
Plinio Corrêa de Oliveira
Palácio dos Campos Elíseos (fundos), na capital paulista
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O paulista antigo – hoje quase não se tem idéia
disso – era o fazendeiro, com muito senhorio. Sério, amável, de poucas
palavras, com um quê de desconfiança. Diziam outrora que Minas começava em São
Paulo... Enquanto no Rio de Janeiro as pessoas freqüentemente se visitam,
entrar na casa de um paulista era uma dificuldade. Ele mantinha sua residência
muito bem resguardada e recebia pouca gente. Eram belas edificações, muito bem
arranjadas, tendo quase sempre uma sala especial, toda dourada, para receber
parentes íntimos ou visitas de cerimônia, chamada “sala de visitas”.
O
tipo característico da casa paulista antiga pode-se ver ainda hoje: é o Palácio
dos Campos Elíseos [situado no bairro do mesmo nome, abriga hoje uma secretaria
de Estado].
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Bem
diferente era o mineiro. Há duas Minas. Uma do tempo colonial, a Minas de Ouro
Preto, do Aleijadinho e dos Profetas. Minas recolhida, meditativa, inteligente,
calma, desconfiada, rica e econômica. Ao longo da época imperial, entretanto,
esta Minas foi sendo substituída por outra Minas, na qual, infelizmente, o aspecto artístico deixou de
ser incrementado – a Minas política,
bancária, comercial, agrícola, que vai se tornando industrial, e que fornece os melhores políticos do País,
que rivalizam com os gaúchos. O mineiro é rei na arte de sussurrar, de dizer a
metade do que pensa e dar a entender o resto... A arte política dele faz-se
mais em observar e falar baixinho...
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A
política dos gaúchos é declamatória. Eles têm lábia e verve. Sabem
agradar as pessoas, mas falando muito, aos borbotões. Impolíticos nesse sentido
são os paulistas – posso falar, porque minha mãe era de São Paulo e eu sou
paulista –, mas a arte da política em São Paulo era outra: fazer fortuna e
comparecer com dinheiro na mesa de negociações, dizendo o seguinte: “Nós
entramos com tal orçamento e vamos tocar este negócio”. Nada de sussurro, nem
de muitas palavras .
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O charme da primeira capital do País - Salvador
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Bem, passemos à Bahia. Os baianos têm aquele charme
que é o da primeira capital do Brasil, que foi Salvador. Eles, como os
cariocas, possuem a arte de agradar. São leves, engraçados, dotados de uma inteligência
luminosa. A par disso, deparamos com a Bahia cantante, pitoresca, poética,
gastronômica, histórica, tradicional e mestre na arte da oratória. Colocados
num púlpito ou numa tribuna, os baianos falam e arrastam...
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Uma
palavra sobre meus caros pernambucanos: bem inteligentes, discursam eles com
muita facilidade, conhecendo o português primorosamente bem. E escrevem tão bem
quanto falam. Têm um feitio de espírito que tende ao aprofundamento das coisas.
Mas, sobretudo, são homens de ação: gostam de trabalhar e produzir. É próprio a
eles o dom do mando. Em Pernambuco, cada um manda em sua terra, e ai de quem se
meter a violar essa norma...
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Por
fim, o Ceará. Foi o único lugar do mundo – é preciso dizer que estive em quase
todos os países da Europa, em vários da América Latina, e o Brasil conheço
quase todo – no qual, andando pelas ruas, observando bastante, falando com
muitos cearenses, cheguei à seguinte conclusão: não havia alguém que não fosse
muito inteligente!
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de
Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 14 de março de 1987. Sem revisão
do autor.
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