Caro leitor,
No início de cada ano, órgãos de imprensa de todo o mundo têm o costume de apresentar a seus leitores um balanço sumário dos principais acontecimentos do ano anterior. Esta é também uma praxe de Catolicismo, só que com uma diferença essencial: não apresentamos apenas uma caudal de fatos, mas temos a preocupação de hieraquizá-los e analisá-los segundo sua importância.
Nossa meta predominante consiste em selecionar os acontecimentos mais significativos e simbólicos e, através deles, formar um panorama geral que ponha em realce, na medida do possível, o princípio de unidade no transcurso dos eventos.
O ano de 2011 caracterizou-se por um duplo movimento havido nas almas dos contemporâneos, embora de modo sutil: de um lado a sensação de angústia perante a ameaça de ruína das estruturas do mundo atual, principalmente a partir do processo de desagregação da União Europeia, e de outro por um aumento de apetência nostálgica de uma ordem autenticamente cristã.
A atual crise do euro tem posto particularmente a nu a artificialidade das estruturas políticas, sociais e econômicas do continente europeu, começando a ter reflexos consideráveis em todo o mundo. E, até o momento em que escrevemos, as medidas adotadas pelas autoridades europeias para debelar a crise não têm sido eficazes. Ao que parece, tais medidas são paliativas e apenas adiam um desfecho traumático.
A par desse aspecto sombrio de uma Europa que tende a tornar-se fragmentada e caótica, dentro de um mundo globalizado que sofre as consequências de estrutras artificialmente colossais, alguns acontecimentos marcantes revelaram fibras da alma humana saudosas do maravilhoso e das tradições gloriosas do passado da Cristandade.
Um deles foi o cerimonial que cercou o casamento do príncipe William, herdeiro do trono inglês. Nos cinco continentes, 2,5 bilhões de pessoas assistiram encantadas ao longo espetáculo com cerimônias que remontam à Idade Média e transcorridas no ambiente de uma igreja abacial gótica.
Neste mesmo sentido, o solene sepultamento do herdeiro da coroa do Império-Áustro-Húngaro, Otto de Habsburgo, evocou a secular pompa fúnebre católica que outrora maravilhava a opinião pública universal. E despertou em nossos dias a admiração e o gáudio, não apenas na Áustria, mas no mundo inteiro.
Peçamos à Divina Providência e a Nossa Senhora que essas graças germinativas no mundo atual se intensifiquem e suplantem os movimentos desagregadores e de desordem que tendem a estabelecer a anarquia e o caos universais. Ainda que para isso tenhamos que passar pelos acontecimentos devastadores anunciados pela Santíssima Virgem em Fátima.
Desejo a todos uma profícua leitura deste penetrante retrospecto de 2011, a qual permitirá analisar melhor os acontecimentos no decurso do novo ano que se inicia.
Em Jesus e Maria,
Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor
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